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Crajubar em Ação > Blog > Internacionais > Venezuela foi mais rica que Itália nos anos 70, mas dinheiro ficava só com elite de vida luxuosa; veja imagens
Internacionais

Venezuela foi mais rica que Itália nos anos 70, mas dinheiro ficava só com elite de vida luxuosa; veja imagens

g1
Ultima atualização: 2026/01/06 at 6:00 AM
Por g1
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Caracas tinha elite com vida de luxo nos anos 70
Reprodução / Fantástico
A Venezuela, antes agrícola e exportadora de café e cacau, descobriu debaixo da água a maior reserva de petróleo do planeta. A mudança levou o país a virar um cenário de extremos nos anos 70: muita riqueza, mas concentração alta, com uma elite luxuosa e maioria miserável.
O Fantástico mostrou essas imagens e explicou a história recente do país – veja o vídeo abaixo.
Documentário entrevista antigos aliados que foram perseguidos por Nicolás Maduro
O país era um grande aliado dos EUA e suas petroleiras. A Venezuela viveu uma era de prosperidade: produzia 3 milhões de barris por dia e chegou a ter qualidade de vida comparável à de Paris — mas só para uma pequena elite.
O país era chamado de “Venezuela Saudita”, em referência aos outros grandes produtores de petróleo no Oriente Médio. Enquanto isso, havia um enorme número de favelas e áreas muito pobres.
A riqueza imensa não chegava à população. A desigualdade virou terreno fértil para a revolução no começo dos anos 90, comandada pelo tenente-coronel Hugo Chávez.
Desigualdade na Caracas dos anos 70: favelas e prédios modernistas
Reprodução / Fantástico
A era Chávez
Após uma tentativa de golpe em 1992, Hugo Chávez foi eleito presidente em 1998. Ao seu lado, desde o início, estava Maduro. O petróleo tinha um papel fundamental no plano da revolução bolivariana. Com o dinheiro do petróleo, nove milhões de famílias tiveram acesso à moradia e muitos começaram a poder sonhar com a faculdade.
“Nós diminuímos a pobreza de 70% para 7%. Foram avanços sociais importantes”, diz Rafael Ramirez, então ministro do Petróleo do governo Chávez.
Maduro, então ministro das Relações Exteriores, articulava alianças com Cuba, Rússia e Irã. Com a saúde debilitada, Chávez escolheu Maduro como sucessor. Meses depois, veio o anúncio de sua morte.
Nicolás Maduro chegou à presidência da Venezuela como herdeiro Hugo Chávez, mas, ao longo de 12 anos que esteve no poder, usou da repressão e propaganda para se tornar um governante autoritário e centralizador.
Um documentário inédito exibido pelo Fantástico deste domingo (4) revela bastidores da trajetória do ditador, com depoimentos de antigos aliados que hoje se tornaram adversários, e mostra como ele virou alvo de Donald Trump. Veja no vídeo acima.
A ascensão de Nicolás Maduro
Nos anos 1990, Maduro era apenas um motorista de ônibus nas ruas de Caracas. Sua ascensão começou quando se filiou ao Partido Socialista e foi enviado a Cuba para aprender com Fidel Castro. Décadas depois, aplicaria essas lições como presidente de um dos países mais ricos em petróleo do mundo.
Nos anos 1990, Maduro era um motorista de ônibus nas ruas de Caracas
Reprodução/TV Globo
A era Chávez e o papel do petróleo
Nicolás Maduro e Hugo Chávez
Reprodução/TV Globo
Consolidação do poder e repressão
Eleito por margem apertada, Maduro enfrentou desconfiança interna. Nomeou o general Manuel Figuera para comandar a inteligência.
“Ele passou a usar essa força como polícia política. Era como a GESTAPO estava para o Hitler”, conta Figuera.
Mesmo antigos aliados, como Rafael Ramírez, foram perseguidos e forçados ao exílio.
“Ele mandou me prenderem. Porque ele achou que eu era uma pessoa que poderia tomar o lugar dele. Ele invadiu minha casa e me forçou a me exilar”.
Em 2015, após perder a maioria no Parlamento, Maduro intensificou o controle. A procuradora-geral Luisa Ortega, antes defensora do regime, rompeu após denunciar execuções e abusos.
“Mais de oito mil venezuelanos foram executados pela polícia e pelo Exército”, afirmou.
Documentário entrevista antigos aliados que foram perseguidos por Nicolás Maduro
Reprodução/TV Globo
Crise econômica e pressão internacional
A decadência da estatal PDVSA, corroída por corrupção e falta de manutenção, somou-se às sanções dos EUA. O Lago Maracaibo é o berço do petróleo venezuelano, mas quem mora lá perto conta que lembra pouco os tempos áureos da Venezuela.
O abandono da indústria do petróleo e a instabilidade política foram detectadas pelo radar do americanos. Donald Trump tentou derrubar Maduro em 2016, apoiando Juan Guaidó como “presidente legítimo”, mas a tentativa de golpe fracassou.
“Acho que maduro e sua mulher queriam ir embora. Mas os russos e cubanos os mandaram ficar. Porque sabiam que se ele saísse o regime colapsaria muito rapidamente”, afirma John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca.
Com a guerra na Ucrânia e sanções ao petróleo russo, Joe Biden suspendeu restrições ao petróleo venezuelano, devolvendo relevância a Maduro no cenário internacional e o Ocidente voltou a se aproximar dele. Até a volta de Donald Trump, que quer a todo custo baixar o preço dos combustíveis para os Estados Unidos.
Com sanções ao petróleo russo, Maduro e Venezuela voltou a ganhar relevância no cenário internacional
Reprodução/TV Globo
Propaganda e sobrevivência política
Entre ameaças, articulações e sorte, Maduro se manteve no poder. Investiu pesado na propaganda, criando até um super-herói animado, o “Super Bigode”, para reforçar sua imagem de defensor do povo.
Agora, a Venezuela vive a expectativa: o povo continuará a defender seu “herói” ou virará a página dessa história.
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