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Crajubar em Ação > Blog > Internacionais > Os mistérios que ainda persistem em torno da operação de inteligência que prendeu Maduro
Internacionais

Os mistérios que ainda persistem em torno da operação de inteligência que prendeu Maduro

g1
Ultima atualização: 2026/01/10 at 12:16 PM
Por g1
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Trump diz que a captura de Maduro foi uma excelente ação
Uma semana após a dramática operação dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro, detalhes da inteligência que cercou a missão começam a ficar claros, mas muitos mistérios ainda permanecem.
A inteligência
A missão exigiu meses de planejamento e coleta de informações.
Acredita-se que a agência americana de inteligência CIA enviou uma equipe de agentes infiltrados à Venezuela em agosto.
Os EUA não possuem uma embaixada operacional no país, portanto, a equipe não pôde usar cobertura diplomática e operou no que é conhecido no mundo da inteligência como uma “zona restrita”. Seu objetivo era identificar alvos e recrutar indivíduos que pudessem fornecer assistência.
Autoridades americanas afirmaram que tinham uma fonte específica que forneceu informações detalhadas sobre o paradeiro de Maduro, o que teria sido crucial para a operação.
A identidade dessas fontes geralmente é fortemente protegida, mas logo se soube que se tratava de uma fonte “governamental” que devia ser muito próxima de Maduro e fazer parte de seu círculo íntimo para saber onde ele estava e quando.
Isso gerou intensa especulação sobre quem seria essa fonte e o que aconteceu com ela. No entanto, sua identidade ainda não foi divulgada. Todas as informações de inteligência humana coletadas em campo foram colocadas em um “mosaico” de informações para planejar a operação, em conjunto com informações técnicas, como mapas e imagens de satélite.
Maduro e a esposa foram levados ao tribunal, em Nova York, nesta segunda-feira (5/1).
Getty Images via BBC
A missão
A escala, a velocidade e o sucesso da operação foram inéditos.
“Tudo funcionou perfeitamente. Isso não acontece com frequência”, explica David Fitzgerald, ex-chefe de operações da CIA na América Latina, que também participou do planejamento da missão com os militares americanos.
“Não foram as táticas militares que conduziram a operação, mas sim a inteligência.”
Cerca de 150 aeronaves participaram da missão, com helicópteros chegando a apenas 30 metros do solo para alcançar o complexo de Maduro.
No entanto, alguns mistérios permanecem. Um deles é exatamente como os EUA conseguiram desligar as luzes em Caracas para permitir a chegada das forças especiais.
“As luzes em Caracas foram em grande parte desligadas graças a uma certa expertise que possuímos; estava escuro e perigoso”, declarou o presidente dos EUA, Donald Trump.
O fato de o Comando Cibernético dos EUA ter recebido elogios públicos por seu papel na operação levou à especulação de que hackers militares americanos teriam se infiltrado previamente nas redes venezuelanas para desligar a rede elétrica no momento exato. Mas há poucos detalhes sobre isso.
A falha das defesas aéreas chinesas e russas também gerou especulações sobre o tipo de tecnologia de interferência ou guerra eletrônica que os EUA implantaram no ar para apoiar a operação.
O Comando Espacial dos EUA, que opera satélites, também recebeu reconhecimento por criar uma “rota” para que as forças especiais entrassem sem serem detectadas.
Acredita-se também que drones tenham sido utilizados. Os detalhes exatos das capacidades usadas provavelmente permanecerão em segredo, mas os rivais dos EUA farão de tudo para entender o que aconteceu.
Prisão de Maduro em Nova York.
Arte/g1
A batalha
Os planejadores de operações complexas dizem ser extraordinário que tudo tenha corrido conforme o planejado, algo que raramente acontece.
Um helicóptero foi atingido por tiros, mas conseguiu continuar voando, e nenhum membro das forças americanas foi morto.
Poucos detalhes ainda são conhecidos sobre a batalha que ocorreu no complexo de Maduro, o Forte Tiuna.
O governo cubano informou que 32 de seus cidadãos foram mortos pelas forças americanas. Trata-se de guarda-costas fornecidos por Cuba para proteger Maduro. Cuba não só fornece guarda-costas, como também amplo apoio de segurança ao regime.
“Dentro do perímetro imediato de Maduro, provavelmente não havia agentes de segurança venezuelanos e, no perímetro externo, talvez uma mistura de ambos [países]”, diz Fitzgerald.
O fato de terem se mostrado tão ineficazes também levantou questões sobre se alguns elementos do regime facilitaram a missão de alguma forma.
As forças americanas também conseguiram alcançar Maduro enquanto ele tentava se trancar em uma sala fortificada, mas antes que pudesse fechar a porta. Eles tinham maçaricos e explosivos prontos para abrir a porta, se necessário, mas a rapidez da prisão sugere, mais uma vez, um conhecimento incrivelmente detalhado da planta do complexo.
O plano
Antes da operação, a CIA realizou uma avaliação confidencial, analisando o que poderia acontecer caso Maduro fosse deposto.
Os analistas examinaram diversas opções e, segundo relatos, concluíram que trabalhar com elementos do regime vigente oferecia uma chance maior de estabilidade do que tentar instalar a oposição exilada no poder.
Isso ajudou a consolidar a ideia de que os EUA deveriam colaborar com Delcy Rodríguez, a vice-presidente.
Acredita-se que houve contatos secretos e não oficiais com elementos do regime de Maduro antes da operação, para discutir como as diferentes partes poderiam se posicionar diante de possíveis cenários.
Os detalhes exatos desses contatos permanecem um mistério, mas provavelmente explicam muito sobre por que a missão foi realizada, por que foi bem-sucedida e qual é o plano para o futuro.
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