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Crajubar em Ação > Blog > Saúde > Estudo mais rigoroso até hoje descarta ligação entre paracetamol na gravidez e autismo
Saúde

Estudo mais rigoroso até hoje descarta ligação entre paracetamol na gravidez e autismo

g1
Ultima atualização: 2026/01/17 at 12:12 AM
Por g1
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Paracetamol na gravidez não causa autismo, conclui ampla revisão publicada no BMJ
Um amplo estudo publicado pela revista científica The Lancet não encontrou qualquer evidência de que o uso de paracetamol durante a gravidez aumente o risco de autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual em crianças.
A conclusão contraria declarações feitas nos últimos meses pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou, sem apresentar provas, que o uso do medicamento por gestantes poderia estar associado ao autismo.
O trabalho, publicado no periódico The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, é descrito pelos próprios autores como a síntese mais rigorosa da evidência científica disponível até hoje sobre o tema.
O que o estudo analisou
A pesquisa é uma revisão sistemática com meta-análise, metodologia considerada o mais alto nível de evidência científica.
Os autores analisaram 43 estudos internacionais, envolvendo centenas de milhares de crianças, e incluíram apenas pesquisas com estimativas ajustadas para fatores de confusão, como condições de saúde materna e histórico familiar.
O ponto central do trabalho foi dar prioridade a estudos com comparação entre irmãos, um desenho considerado especialmente robusto porque reduz a influência de fatores genéticos e ambientais compartilhados dentro da mesma família.
Farmacêutico confere o peso de comprimidos de paracetamol em laboratório de uma farmacêutica nos arredores de Ahmedabad, na Índia, em 4 de março de 2020.
Amit Dave/Reuters
Resultado: nenhum aumento de risco
Quando considerados apenas esses estudos mais rigorosos, não houve associação entre o uso de paracetamol na gravidez e:
Autismo (razão de chances 0,98);
TDAH (0,95);
Deficiência intelectual (0,93).
Os resultados se mantiveram mesmo quando os pesquisadores analisaram apenas estudos classificados como baixo risco de viés ou aqueles com acompanhamento das crianças por mais de cinco anos.
“A evidência atual não indica aumento clinicamente relevante no risco desses transtornos em filhos de gestantes que usaram paracetamol conforme orientação médica”, concluem os autores.
Frascos de Tylenol expostos em uma farmácia de Nova York, em 5 de setembro de 2025.
REUTERS/Kylie Cooper
Por que estudos anteriores levantaram dúvidas
Meta-análises anteriores chegaram a sugerir pequenos aumentos de risco, mas, segundo os pesquisadores, esses resultados vinham principalmente de estudos observacionais mais frágeis, sujeitos a vieses importantes.
Entre os principais problemas identificados estão:
dificuldade em separar o efeito do medicamento do motivo pelo qual ele foi usado (dor, febre, inflamação);
dependência de relatos maternos, sujeitos a falhas de memória;
ausência de controle adequado para fatores genéticos e familiares.
O novo trabalho indica que as associações observadas no passado provavelmente refletem condições maternas subjacentes, como febre ou dor durante a gestação —fatores que, esses sim, podem influenciar o neurodesenvolvimento fetal— e não um efeito direto do paracetamol.
Especialistas alertam para riscos da desinformação
Os autores destacam que o paracetamol é o analgésico e antitérmico mais utilizado durante a gravidez no mundo, justamente por ter um perfil de segurança mais favorável do que anti-inflamatórios ou opióides.
Evitar o medicamento sem orientação médica pode trazer riscos reais. Estudos anteriores mostram que febre não tratada na gestação está associada a maior risco de aborto, parto prematuro, malformações congênitas e alterações no desenvolvimento neurológico.
“Desencorajar o uso apropriado do paracetamol com base em evidências inconclusivas pode causar mais danos do que benefícios”, afirmam os pesquisadores.
O que dizem as entidades médicas
As conclusões do estudo reforçam as recomendações de grandes entidades médicas internacionais, como o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas e o Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido, que seguem indicando o paracetamol como primeira opção para dor e febre durante a gravidez, quando usado nas doses recomendadas.
Segundo os autores, o episódio envolvendo declarações políticas sobre o tema mostra como a politização da ciência pode gerar confusão entre gestantes e profissionais de saúde, especialmente quando não há respaldo em evidências robustas.
“A mensagem da ciência é clara: não há base para afirmar que o paracetamol cause autismo”, conclui o artigo.
Trump associa, sem comprovações, paracetamol e autismo
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