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Leitura: Ocitocina: o que a ciência realmente sabe sobre o ‘hormônio do amor’
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Crajubar em Ação > Blog > Saúde > Ocitocina: o que a ciência realmente sabe sobre o ‘hormônio do amor’
Saúde

Ocitocina: o que a ciência realmente sabe sobre o ‘hormônio do amor’

g1
Ultima atualização: 2026/02/23 at 12:07 PM
Por g1
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A ocitocina, produzida no hipotálamo e liberada pela hipófise, auxilia no trabalho de parto e está associada a sensações de bem-estar
Adobe Stock
Dentro do cérebro, o amor se traduz em um coquetel químico composto por diversos hormônios. A ocitocina, produzida no hipotálamo e liberada pela hipófise, costuma ser apontada como a mais importante dessas substâncias. Ela auxilia no trabalho de parto e, assim como endorfinas e serotonina, está associada a sensações de bem-estar.
Segundo a Harvard Saúde, o corpo libera ocitocina quando estamos excitados por um parceiro sexual, ou quando nos apaixonamos. O hormônio induz contrações uterinas, o que explica sua origem etimológica: do grego oxys (rápido) e tokos (nascimento).
Apesar disso, a molécula em si é simples: uma cadeia de nove aminoácidos, presente em todos os mamíferos e com versões semelhantes em peixes, répteis e até vermes. “Não há nada inerentemente social na ocitocina”, afirma Sarah Winokur, neurocientista da Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova Iorque (NYU).
Por que, então, ela ganhou a fama de “hormônio do amor”?
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Pesquisas popularizaram o hormônio
Nos anos 1990, pesquisadores da Universidade Emory, nos EUA, estudaram arganazes-da-pradaria, roedores conhecidos por formar pares monogâmicos. Eles observaram que a ocitocina desempenhava papel central nesse comportamento.
Mas o verdadeiro hype começou quando pesquisadores encontraram um papel semelhante em humanos.
Em 2005, um estudo famoso colocou voluntários em um “jogo da confiança”, no qual precisavam decidir se entregariam dinheiro a um segundo jogador. O valor entregue seria triplicado, e então o segundo jogador poderia decidir livremente quanto devolver. Isso, claro, colocava o primeiro jogador em risco de ser traído. Metade dos participantes recebeu ocitocina sintética por spray nasal; a outra metade, placebo.
Ao final, os participantes sob efeito da ocitocina confiaram mais e investiram mais dinheiro, confiando mais no parceiro. O estudo ganhou enorme repercussão na comunidade científica, e a substância passou a ser chamada de “molécula da confiança”.
O entusiasmo foi tão grande que uma empresa nos EUA começou a vender frascos de ocitocina sintética prometendo melhorar relacionamentos. Entre 2004 e 2011, as buscas por “spray nasal de ocitocina” cresceram 5.000%.
Em 2009, pesquisadores suíços repetiram o experimento com casais discutindo temas sensíveis. A metade que recebeu a ocitocina manteve mais contato visual, conversaram de forma mais construtiva e expressaram sentimentos com mais abertura.
Seria a ocitocina sintética, então, uma espécie de poção do amor? Não exatamente.
Novos estudos mudam o cenário
A percepção sobre a substância começou a mudar em 2020, quando uma pesquisadora belga mostrou que muitos estudos sobre ocitocina não podiam ser replicados. Quando cientistas repetiam os experimentos, os resultados frequentemente eram diferentes.
Foi o caso do estudo da confiança de 2005: ao ser replicado 15 anos depois, com mais participantes, o efeito sumiu. Quem recebeu ocitocina na nova rodada não se comportou de forma diferente de quem recebeu placebo.
Outro estudo recente com arganazes-da-pradaria mostrou que, mesmo quando cientistas removeram geneticamente os receptores de ocitocina dos animais, eles ainda formaram vínculos de casal.
Hormônio tem efeitos colaterais
“Se você der ocitocina para alguém na tentativa de fazê-lo se apaixonar, isso pode vir com efeitos colaterais”, alerta Winokur. Isso porque a substância não produz apenas empatia e proximidade. Ela também pode aumentar agressividade, inveja e até a “schadenfreude”, palavra alemã para o prazer diante do infortúnio alheio, especialmente contra pessoas fora do “grupo social” do indivíduo.
Então a ocitocina cria atração e vínculos, ou aumenta a agressividade? Segundo a Harvard Saúde, a ocitocina pode, sim, fortalecer vínculos com pessoas queridas e ser liberada por toque, música e exercício. O hormônio não perdeu sua importância para funções essenciais do corpo humano.
Mas Winokur ressalta que seu papel é mais amplo: ela amplifica aquilo que já é relevante no contexto social de cada um, incluindo vícios. Ou seja, pode estar ligada à criação de segurança entre parceiros, por exemplo, mas seu uso sintético não necessariamente leva ao amor.
“Não é tão simples quanto dizer: ‘Ah, você simplesmente ama todo mundo quando há ocitocina por perto’.” Além disso, como outros hormônios, a ocitocina depende de níveis adequados no organismo. Em homens, concentrações excessivas, por exemplo, podem estar associadas à hiperplasia prostática benigna (BPH), uma doença caracterizada pelo aumento de próstata que pode causar problemas para urinar.
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