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Crajubar em Ação > Blog > Esportes > Seis rodas na F1? Relembre as máquinas mais bizarras do grid
Esportes

Seis rodas na F1? Relembre as máquinas mais bizarras do grid

JP ESPORTES
Ultima atualização: 2026/03/31 at 6:00 AM
Por JP ESPORTES
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O Tyrrell P34: o gênio de seis rodas que desafiou a lógicaQuando o regulamento era apenas um detalhePor que não vemos mais loucuras como estas na F1?

Imagine a cena: Grande Prêmio da Suécia, 1976. O ronco dos motores ecoa, a tensão é palpável. No meio do grid, uma anomalia, uma miragem mecânica que desafia tudo o que se conhecia sobre carros de corrida. Ali estava o Tyrrell P34, um carro de Fórmula 1 com quatro pequenas rodas na frente e duas normais atrás. Seis rodas. Não era um protótipo de exibição, era uma máquina de verdade, prestes a acelerar fundo e, para o espanto de todos, vencer a corrida. Esse momento não foi um delírio, mas o auge de uma era em que a F1 era um laboratório a céu aberto, um palco para os engenheiros mais geniais e audaciosos do planeta. É hora de acelerar na memória e relembrar o Tyrrell de seis rodas e outros carros bizarros da história da F1 que transformaram o esporte em um espetáculo de pura criatividade.

O Tyrrell P34: o gênio de seis rodas que desafiou a lógica

Quando Derek Gardner, projetista da Tyrrell, apresentou sua criação, o paddock ficou em choque. Mas a ideia por trás das seis rodas era genial e tinha um propósito claro. Aquele não era um truque de marketing, era uma busca implacável por performance que deixou sua marca na história.

  • Aerodinâmica radical: As quatro rodas dianteiras, com apenas 10 polegadas, eram tão pequenas que ficavam escondidas atrás da asa dianteira. O resultado? Um fluxo de ar muito mais limpo para o resto do carro, reduzindo o arrasto aerodinâmico de forma brutal.
  • Frenagem absurda: Com quatro pneus em contato com o asfalto na dianteira, a capacidade de frenagem do P34 era simplesmente surreal. Os pilotos podiam frear muito mais tarde e com mais força que seus rivais.
  • Glória nas pistas: Longe de ser um fracasso, o P34 provou seu valor. Na Suécia, em 1976, Jody Scheckter e Patrick Depailler conquistaram uma dobradinha histórica, com Scheckter no lugar mais alto do pódio. Foi a única vitória de um carro de seis rodas na F1.
  • O fim de um sonho: O projeto foi abandonado não por falta de performance, mas porque a Goodyear, fornecedora de pneus, parou de desenvolver os compostos específicos para as pequenas rodas dianteiras, tornando o carro inviável.

Quando o regulamento era apenas um detalhe

O Tyrrell P34 abriu a porteira, mas outras equipes também mergulharam de cabeça na busca por soluções excêntricas. A criatividade não tinha limites, e alguns dos carros que surgiram pareciam saídos de um desenho animado, testando a paciência da FIA.

  • Brabham BT46B ‘Fan Car’: Talvez o mais polêmico de todos. Gordon Murray instalou uma ventoinha gigante na traseira do carro. A desculpa oficial era “refrigeração do motor”, mas a função real era sugar o ar de debaixo do carro, criando um efeito solo absurdo que o grudava na pista. Niki Lauda pilotou, venceu com 30 segundos de vantagem em sua única corrida e o carro foi banido imediatamente.
  • Lotus 88 ‘Chassi Duplo’: A obra-prima de Colin Chapman que nunca correu. O carro tinha dois chassis independentes: um interno para a suspensão e o cockpit, e um externo que cuidava da aerodinâmica. Isso permitia que o carro fosse extremamente baixo e gerasse um downforce massivo sem punir o piloto. Os rivais protestaram em massa, e a FIA o baniu antes mesmo da estreia.
  • March 711 ‘Bandeja de Chá’: O apelido diz tudo. Este carro tinha uma asa dianteira oval e elevada que parecia uma bandeja de chá ou uma prancha de surf. Era bizarro, mas funcionou! Ronnie Peterson conseguiu levar essa máquina excêntrica ao vice-campeonato mundial em 1971.

Por que não vemos mais loucuras como estas na F1?

A resposta é simples: regulamentos. A F1 moderna é uma categoria de regras extremamente restritivas, onde a inovação acontece em milímetros e em áreas quase invisíveis ao público. A era de ouro da experimentação radical, onde um projetista podia redesenhar completamente o conceito de um carro de corrida, ficou para trás em nome da segurança, do controle de custos e da competitividade. Hoje, o gênio se manifesta em um assoalho inteligentemente recortado ou em uma asa flexível, não em um par extra de rodas. A paixão e a busca pelo limite continuam, mas a tela em que os artistas da engenharia podem pintar ficou muito menor.

Essas máquinas não são apenas curiosidades empoeiradas nos livros de história. Elas são o testemunho de uma Fórmula 1 mais selvagem, mais imprevisível e, para muitos, mais apaixonante. O Tyrrell P34, o Brabham “aspirador” e o Lotus de chassi duplo nos lembram que, no coração deste esporte, pulsa uma vontade incansável de inovar, de quebrar paradigmas e de perguntar “e se?”, mesmo que a resposta seja a máquina mais bizarra que uma pista de corrida já viu.

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