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Cariri e Ceará

‘Agiota foi lá em casa e levou a televisão’, revela mulher que perdeu casas e fez dívida de R$ 50 mil em jogos de aposta

Ceará é Noticia
Ultima atualização: 2026/04/25 at 3:05 AM
Por Ceará é Noticia
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Cearense que perdeu casas por vício em jogos online faz novo relato sobre os danos
No dia 12 de abril, a cearense Assíria Macêdo, de 29 anos, publicou um desabafo nas redes sociais onde relatou ter perdido duas casas, se separado do marido e acumulado uma dívida de cerca de R$ 50 mil após ficar viciada em jogos de aposta online, como o “Jogo do Tigrinho”. Em entrevista ao g1, ela contou que um agiota chegou a ir à casa dela e a levar a televisão como forma de abater a dívida.
Assíria contou que começou a jogar há cerca de 4 anos e o vício ficou incontrolável com o passar do tempo. Para sustentar as apostas, ela usava o dinheiro do trabalho como extensionista de cílios e empréstimos com bancos e agiotas. Nos últimos meses, com as contas e os juros cada vez mais altos, Assíria já não conseguia pagar o que devia e passou a receber ameaças.
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“As dívidas tomaram uma proporção muito grande. Eu não tinha mais dinheiro nem para pagar nada. Não estava mais conseguindo trabalhar, desenvolvi um medo muito grande, de tudo. Até de uma passada no meio da rua que que eu escutava lá de casa, eu comecei a ficar com medo. Um agiota foi lá em casa e levou a televisão. Foi onde eu realmente dei conta da situação de como ela estava e quando comecei a vender tudo de casa”, contou.
Por conta das ameaças, Assíria passou a ter medo de compartilhar o endereço do seu local de atendimento como extensionista de cílios e parou de trabalhar. Além disso, desde o dia 10 de abril, por questões de saúde, ela não teve mais acesso ao próprio celular, através do qual marcava as sessões.
Venda das casas
Para ajudá-la a pagar as dívidas, os pais idosos idosos venderam dois imóveis que possuíam e um veículo. “A última coisinha que a gente tinha em casa ainda de valor era o carro do meu pai. E a gente chegou a vender esses dias para poder pagar essas contas que eram mais urgentes”, relata.
Agora, a família mora de aluguel, pago pelo pai da filha mais nova de Assíria. O casal se separou devido aos problemas envolvendo o vício em apostas. Assíria precisou vender até os móveis da casa para pagar débitos. Atualmente, a renda dela vem da ajuda de amigos e da venda de açaí em uma praça – ela prepara a bebida em casa e os pais fazem a venda.
Após a repercussão do caso, Assíria conseguiu um acompanhamento psicológico gratuito e segue em busca de juntar a quantia necessária para quitar o que deve. Mesmo após a venda das casas, do carro e dos móveis, ela ainda possui uma dívida de cerca de R$ 50 mil. Por isso, amigos abriram uma campanha de financiamento online para arrecadar os valores.
A extensionista de cílios Assíria Macêdo, de 29 anos, está em busca de emprego para quitar as dívidas que contraiu por vício em jogos online.
Reprodução/ Instagram
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Pedido de ajuda
Em entrevista ao g1, Assíria contou que começou a jogar por volta de 2022, quando descobriu os jogos de apostas online através de uma pessoa do seu local de trabalho que divulgava as plataformas. “Apostava pouco e depois fui começando a fazer apostas mais altas. Até tive ganhos de R$ 10, 15 mil. Mas também perdia muito dinheiro”, relembra.
Com o passar dos meses, o que começou como diversão saiu do controle, fazendo com que ela contraísse dívidas de milhares de reais. Primeiro, ela pediu a ajuda do então companheiro, que chegou a vender uma motocicleta e usar dinheiro da reserva para pagar as contas. O vício, no entanto, continuou, e o ciclo recomeçou.
“Na cabeça do viciado, ele acha que tem um controle sobre o jogo, que ele pode parar a qualquer momento, como eu achei, e eu cheguei a parar durante um mês”, contou. “Eu achava que eu poderia parar a hora que eu quisesse, que não tava me fazendo mal. E, às vezes, até quando eu enxergava, eu mesmo assim não conseguia sair do jogo. Foi quando eu comecei a pedir dinheiro a agiota”, completou.
Quando os pais souberam da verdadeira situação da filha, as contas já estavam em um valor muito mais alto do que a família poderia pagar. Apesar disso, eles venderam as casas e o carro para ajudar a filha.
Os amigos, inicialmente, não acreditaram que a situação fosse tão séria, até entenderem o tamanho da dívida e verem tudo que Assíria já havia feito ou vendido para pagar as contas. Desde então, eles têm ajudado com doações e mobilizações para arrecadar dinheiro.
Cearense contrai dívida de R$ 50 mil e perde casas por vício em apostas online
Nas últimas semanas, Assíria estava sem redes sociais. Os amigos estavam limitando seu acesso ao telefone celular, mas aconselharam que ela gravasse o desabafo para revelar toda a situação e pedir ajuda. “No dia que eu postei o vídeo, eu tava recebendo ameaças, recebendo pressão”, disse.
O desabafo, de 11 minutos, teve mais de 300 mil visualizações e milhares de comentários. No relato, a extensionista contou que havia perdido as casas da família e feito uma dívida de R$ 50 mil por conta dos jogos online.
“Eu sempre aprendi a me virar sozinha, desde os meus 14 anos eu sempre trabalhei. Então expor aquela situação sobre a minha vida, expor tudo que aconteceu comigo e mostrar aquele momento ali de fragilidade, de vulnerabilidade, para mim foi muito complicado”, contou.
Repercussão
Após o vídeo viralizar, várias pessoas que estavam passando pelas mesmas dificuldades de Assíria por conta dos jogos online entraram em contato por meio do seu perfil, compartilhando suas histórias de perdas.
Como está sem acesso às redes, ela acaba sabendo das histórias por meio dos amigos, que têm gerenciado a conta. Os relatos vão desde pessoas que perderam casas até familiares relatando que parentes tiraram a própria vida.
Após a repercussão do primeiro vídeo, a extensionista publicou um novo relato no último domingo (19), em que fez um apelo para que pessoas na mesma situação procurem ajuda ou, pelo menos, tentem conversar com alguém. Ao g1, ela reforçou a mensagem.
“Conversar com alguém da família, conversar com algum amigo, desabafar com alguém ou então até mesmo fazer como eu fiz, pedir socorro mesmo, nem que seja na internet. Porque não é uma situação fácil, é uma situação muito difícil, e guardar para si, como eu guardei durante muito tempo, só piora mais ainda a situação da nossa saúde mental.”
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