{"id":60633,"date":"2025-11-29T12:05:39","date_gmt":"2025-11-29T15:05:39","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=60633"},"modified":"2025-11-29T12:05:39","modified_gmt":"2025-11-29T15:05:39","slug":"ninguem-nasce-monogamico-e-ninguem-pergunta-se-voce-tem-interesse-em-ser-monogamico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=60633","title":{"rendered":"&#8216;Ningu\u00e9m nasce monog\u00e2mico. E ningu\u00e9m pergunta se voc\u00ea tem interesse em ser monog\u00e2mico&#8217;"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/ZQ6CZ5a8v6mkiXd0Am3BU9xmafg=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/J\/Z\/SH1Et1S3aa0kT0Wtyx9g\/captura-de-tela-2025-11-29-092359.png\"><br \/>     BBC entrevista sex\u00f3loga<br \/>\nGetty Images<br \/>\nNo dia em que completaram dez anos de casados, a escritora, doutora em Educa\u00e7\u00e3o e sex\u00f3loga Ilana Ele\u00e1 fez uma proposta para o marido: sair da monogamia e abrir a rela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEla j\u00e1 vinha estudando o tema h\u00e1 algum tempo e come\u00e7ava a escrever o primeiro livro de uma trilogia er\u00f3tica, Emma e o sexo (ed. E-galaxia). Por isso, conta que usou &#8220;a cartada da Emma&#8221; para colocar em pr\u00e1tica o que vinha pesquisando.<br \/>\nO marido aceitou a proposta, e eles celebraram bebendo champanhe.<br \/>\nFormando-se como terapeuta sexual pela Contemporary Center of Clinical Sexology, a brasileira, que vive na Su\u00e9cia desde 2011, conta que seu formato de rela\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 poss\u00edvel porque ela mudou.<br \/>\n&#8220;Eu tinha ci\u00fame no meu relacionamento anterior, inclusive de fantasia&#8221;, conta.<br \/>\nSua vida conjugal, ela diz, \u00e9 muito melhor hoje, vivendo o que ela chama de &#8220;relacionamento misto&#8221; h\u00e1 cinco anos.<br \/>\nMas n\u00e3o romantiza. &#8220;Um ter\u00e7o dos relacionamentos que abrem depois terminam. Por outro lado, essa tamb\u00e9m \u00e9 a m\u00e9dia de relacionamentos monog\u00e2micos que terminam. Ou seja, no fundo, d\u00e1 no mesmo. Ent\u00e3o \u00e9 melhor voc\u00ea escolher qual o formato com que voc\u00ea se identifica mais.&#8221;<br \/>\nAos que escolhem por um relacionamento n\u00e3o monog\u00e2mico, Ilana explicou, na entrevista \u00e0 BBC News Brasil a seguir, as fases mais comuns pelas quais os casais passam e quais os passos para quem deseja iniciar essa mudan\u00e7a.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; O termo que voc\u00ea usa para falar dos relacionamentos fechados \u00e9 monogamia consensual. O que quer dizer?<br \/>\nIlana Ele\u00e1 &#8211; Eu acho muito importante, antes de discutir qualquer tema relacionado com a n\u00e3o monogamia, deixar bem claro de qual monogamia estamos falando.<br \/>\nEu trabalho com o conceito de n\u00e3o monogamias, no plural, que no ingl\u00eas \u00e9 consensual no monogamys, ou seja, n\u00e3o monogamias consensuais.<br \/>\nEsse conceito trabalha com uma ideia plural vasta. Todo e qualquer tipo de relacionamento que seja consensual entre os envolvidos e que flexibilize, de alguma maneira, em qualquer grau, essa ideia pressuposta de exclusividade, seja afetiva, seja er\u00f3tica, rom\u00e2ntica sexual, \u00e9 entendido dentro do conceito guarda-chuva.<br \/>\nTodas essas pr\u00e1ticas v\u00e3o caber dentro das n\u00e3o monogamias consensuais.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; E quais s\u00e3o essas pr\u00e1ticas?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Cabe praticamente tudo, se for feito com consentimento de todas as partes envolvidas. E n\u00e3o tem um ju\u00edzo de valor ou um ju\u00edzo moral. Por exemplo, quem pratica swing [troca de casais] seria menos evolu\u00eddo ou menos \u00e9tico do que quem tem um relacionamento aberto? Ou quem vive o poliamor seria mais elevado do que quem vive outras formas de relacionar? Para o campo da Psicologia, da Sexologia, n\u00e3o existe isso.<br \/>\nE \u00e9 esse conceito de n\u00e3o monogamias no plural, que \u00e9 usado nos manuais de forma\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logos e sex\u00f3logos internacionalmente.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; Quais s\u00e3o os primeiros passos que os casais costumam dar para abrir um relacionamento?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; O modelo mais comum \u00e9 o chamado don&#8217;t ask, don&#8217;t tell [n\u00e3o pergunte, n\u00e3o conte]. Seria algo como &#8220;eu acho que eu estou entendendo que a exclusividade talvez n\u00e3o seja t\u00e3o poss\u00edvel e desejada entre a gente. Mas eu n\u00e3o quero saber. N\u00e3o me conta, e eu tamb\u00e9m n\u00e3o vou perguntar&#8221;.<br \/>\nGeralmente, quando voc\u00ea come\u00e7a por essa linha, muito rapidamente voc\u00ea percebe que ela \u00e9 muito vulner\u00e1vel. Porque est\u00e1 faltando a comunica\u00e7\u00e3o sincera, a honestidade. A pessoa fala &#8220;vou ficar at\u00e9 mais tarde no trabalho&#8221;, e voc\u00ea pensa &#8220;ser\u00e1 que est\u00e1 mesmo no trabalho? Ser\u00e1 que encontrou outra pessoa?&#8221;. Ent\u00e3o, o que era para aproximar, acaba distanciando.<br \/>\nMas antes ainda de conversar com o seu parceiro, sua parceira, pense: o que a gente tem aqui no nosso relacionamento? Qual \u00e9 a nossa for\u00e7a? O que est\u00e1 faltando? A gente sente que est\u00e1 faltando alguma coisa? Qual \u00e9 a nossa curiosidade? Qual \u00e9 a minha curiosidade? Qual \u00e9 o meu desejo? Qual \u00e9 o meu limite?<br \/>\nIsso a gente chama de invent\u00e1rio emocional. \u00c9 quando voc\u00ea ali, sozinho, pensa se tem alguma fantasia que voc\u00ea gostaria de ter realizado, que n\u00e3o realizou, e que talvez n\u00e3o caiba dentro do seu formato de relacionamento.<br \/>\nTem alguma coisa, uma curiosidade incr\u00edvel por alguma coisa? Um desejo? Anota. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque \u00e0s vezes a gente se censura, mas tente chegar o mais pr\u00f3ximo da honestidade poss\u00edvel. Ningu\u00e9m est\u00e1 vendo ainda. \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea com voc\u00ea. Pense no que \u00e9 h\u00e1bito. Pergunte: tenho escolha? E se eu tivesse escolha, como \u00e9 que seria?<br \/>\nPasso n\u00famero dois: di\u00e1logo. Antes de abrir qualquer rela\u00e7\u00e3o para qualquer formato, tem que abrir o di\u00e1logo. \u00c9 um momento duro, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, principalmente para quem cresceu socializado dentro dessa ideia de que o amor rom\u00e2ntico, a monogamia, seria a forma mais nobre de se amar e que simboliza o respeito e a lealdade entre as pessoas que se amam. E a\u00ed s\u00e3o feitos os acordos. At\u00e9 onde? Voc\u00ea vai abrir como? Com quem?<br \/>\nTem gente que fala que em viagem pode (risos). E [\u00e9 importante] n\u00e3o ridicularizar, n\u00e3o minimizar esses limites, ter empatia para o limite do outro. Entender que tudo isso \u00e9 uma desconstru\u00e7\u00e3o muito grande dentro do que a gente entende como o esperado da gente.<br \/>\nEnt\u00e3o, todos os passos s\u00e3o bem-vindos. E esse ritmo ps\u00edquico de cada um na rela\u00e7\u00e3o tem que ser entendido. Porque se voc\u00ea pensa, &#8220;ah, eu vou impor a minha vontade&#8221;, isso n\u00e3o \u00e9 consensual. Os dois querem realmente? Est\u00e3o prontos? Seus limites est\u00e3o definidos e os seus transbordamentos tamb\u00e9m est\u00e3o definidos?<br \/>\nE a\u00ed o terceiro passo, que \u00e9 parte tamb\u00e9m fundamental desse trip\u00e9, \u00e9 a rede de apoio. V\u00e1 ler sobre o assunto, escutar podcast. Procure grupos de acordo com o seu interesse. Voc\u00ea tem interesse em swing? Quem s\u00e3o as pessoas que se organizam tamb\u00e9m sobre isso, como rede? Esse contato de comunidade \u00e9 importante, porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Voc\u00ea pode sofrer muito estigma.<br \/>\nProcure um acompanhamento, um guia terap\u00eautico, de prefer\u00eancia com profissionais que tenham uma vis\u00e3o pluralista, que entendam que essa seja uma forma, ou sejam formas dignas de viver o amor.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; \u00c9 comum que casais que est\u00e3o juntos h\u00e1 muito tempo decidam abrir a rela\u00e7\u00e3o como uma esp\u00e9cie de \u00faltima tentativa antes da separa\u00e7\u00e3o? Por que isso acontece?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Abrir para consertar algo que n\u00e3o est\u00e1 bom, esquece. Vai dar ruim, como se diz. N\u00e3o vai dar certo. N\u00e3o \u00e9 terapia. N\u00e3o \u00e9 a \u00faltima carta do baralho.<br \/>\nA abertura acontece geralmente de forma consciente e integrada quando o relacionamento est\u00e1 bom, mas voc\u00ea quer melhorar junto. Voc\u00ea j\u00e1 tem ali a sua rede, a sua capacidade de comunicar o que voc\u00ea deseja, de ouvir o outro, e querem tentar juntos.<br \/>\nUm ter\u00e7o dos relacionamentos que abrem depois terminam. Por outro lado, essa tamb\u00e9m \u00e9 a m\u00e9dia de relacionamentos monog\u00e2micos que terminam. Ou seja, no fundo, d\u00e1 no mesmo. Ent\u00e3o \u00e9 melhor voc\u00ea escolher qual o formato com que voc\u00ea se identifica mais.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; O que \u00e9 &#8220;poliamor com ou sem hierarquia&#8221;?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Dentro desse vasto campo de pr\u00e1ticas relacionais das n\u00e3o monogamias, tem o swing, o relacionamento aberto, o poliamor. E esse poliamor se divide. \u00c9 muito vasto. S\u00e3o pessoas que se interessam por n\u00e3o ter s\u00f3 flexibilidade entre erotismo e amor, mas tamb\u00e9m por nutrir v\u00ednculos, com uma ou mais pessoas, amorosos, duradouros, familiares. Tem uma variedade&#8230;<br \/>\nTem um poliamor hier\u00e1rquico, que geralmente voc\u00ea define quem pode estar dentro. Tem at\u00e9 gente que fala que parece uma monogamia dentro da n\u00e3o monogamia. Ali voc\u00ea tem a hierarquia do casal.<br \/>\nIsso vale para o relacionamento aberto tamb\u00e9m. Voc\u00ea tem o casal, e geralmente voc\u00ea flexibiliza para encontros fortuitos, er\u00f3ticos, sexuais, recreativos. Mas a hierarquia significa que o relacionamento do casal vem primeiro.<br \/>\nJ\u00e1 no poliamor n\u00e3o hier\u00e1rquico, por exemplo, a pessoa que mora com voc\u00ea n\u00e3o precisa ser escolhida [como prioridade] s\u00f3 por conveni\u00eancia. Se voc\u00ea est\u00e1 com desejo, voc\u00ea vai priorizar aquela rela\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a dita nesting partner [em termos gerais, parceiro rom\u00e2ntico com quem se divide tamb\u00e9m a casa].<br \/>\nE a\u00ed tem v\u00e1rias configura\u00e7\u00f5es: anarquia relacional, n\u00e3o monogamia pol\u00edtica.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; O que seria a anarquia relacional?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; \u00c9 uma ideia ainda mais radical: a amizade n\u00e3o seria diferente de um relacionamento amoroso. \u00c9 contra esse tipo de marcas identit\u00e1rias e etiquetas nos relacionamentos.<br \/>\nA anarquia relacional tamb\u00e9m traz a import\u00e2ncia dos amigos. \u00c9 um dos grandes cr\u00edticos daquela coisa que a gente j\u00e1 sabe, se apaixonou, sumiu (risos).<br \/>\nDe forma emp\u00edrica, sabemos que de 5% a 7% da popula\u00e7\u00e3o adulta na Europa, EUA e Canad\u00e1 j\u00e1 vivem em alguma dessas formas relacionais dentro das n\u00e3o monogamias.<br \/>\nA maioria vive relacionamento aberto, depois voc\u00ea tem o swing, depois o poliamor nas suas vertentes. A anarquia relacional aparece menos.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; Qual que \u00e9 a diferen\u00e7a do relacionamento aberto para os poliamorosos?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; \u00c9 bem grande. O relacionamento aberto quase sempre abre para uma possibilidade de v\u00ednculo, que geralmente \u00e9 aquela ligada ao n\u00e3o romance. Por exemplo, voc\u00ea pode ir e ter a sua liberdade sexual, mas voc\u00ea n\u00e3o vai se apaixonar.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; \u00c9 o sexo casual?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Isso. Voc\u00ea pode at\u00e9 negociar, n\u00e3o sei se vai funcionar sempre, mas a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 essa de se manter como um casal de for\u00e7a. A entidade casal est\u00e1 ali. Ent\u00e3o algu\u00e9m sai e volta para esse lugar, para o conforto do seu relacionamento principal.<br \/>\nJ\u00e1 o poliamor pressup\u00f5e que \u00e9 uma via que inclui o amor, inclui a paix\u00e3o, abra\u00e7a a energia do relacionamento novo, a NRE &#8211; New Relationship Energy -, que a gente sabe o que \u00e9, porque a gente j\u00e1 foi apaixonado v\u00e1rias vezes na vida.<br \/>\nO poliamor abra\u00e7a essa energia, entende que muito provavelmente isso pode acontecer. N\u00e3o pretende esconder e n\u00e3o conversar sobre isso. Podem ser rela\u00e7\u00f5es sexuais ou n\u00e3o, inclusive tamb\u00e9m as arrom\u00e2nticas ou assexuais.<br \/>\nA partir do momento que voc\u00ea pode amar de diferentes formas, n\u00e3o fica aquela press\u00e3o, de dizer &#8220;nossa, eu sou a arrom\u00e2ntica e n\u00e3o posso estar num relacionamento&#8221;, ou &#8220;nossa, eu sou assexual, e n\u00e3o posso estar no relacionamento&#8221;.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; E quando o casal tem energia diferente nesse aspecto, ent\u00e3o um prefere o sexo casual, mas o outro gosta de se envolver. \u00c9 poss\u00edvel fazer um acordo?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; \u00c9 um acordo maravilhoso. \u00c9 o acordo que eu vivo, que eu chamo de acordo misto, sensual, amoroso, emp\u00e1tico.<br \/>\nEu tenho um p\u00e9 no poliamor. N\u00e3o num poliamor t\u00e3o inteiro, robusto, mas com a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel, sim, amar, se envolver e ter rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas com mais de uma pessoa. E, ao mesmo tempo, o meu marido querido j\u00e1 tem um interesse maior pelas rela\u00e7\u00f5es casuais, pelos encontros mais recreativos.<br \/>\nEle tem a sua bandeirinha linda para explorar esse lado. Eu tenho a bandeirinha dupla que eu posso explorar tanto esse lado, mas eu tamb\u00e9m, se tiver que amar, se eu tiver que me apaixonar, se eu tiver que ter uma rela\u00e7\u00e3o paralela, eu tenho.<br \/>\nIsso tamb\u00e9m \u00e9 conversado. A gente volta para o invent\u00e1rio: o que cada um quer?<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; O que faz com que voc\u00ea queira voltar para casa mesmo estando apaixonada por outra pessoa?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; A partir do momento que voc\u00ea j\u00e1 leu sobre o assunto, ouviu v\u00e1rios podcasts sobre o assunto, j\u00e1 entende o que \u00e9 essa energia que pode acontecer e pode atravessar, voc\u00ea passa a n\u00e3o ter medo dela.<br \/>\nVoc\u00ea sabe que literalmente paix\u00e3o \u00e9 coisa que d\u00e1 e passa, muito provavelmente. Aquela coisa de associar a paix\u00e3o ao amor, j\u00e1 descobrimos que n\u00e3o [acontece] necessariamente. Por isso que a rede de apoio, a leitura s\u00e3o t\u00e3o fundamentais.<br \/>\nE a\u00ed tem v\u00e1rias coisas lindas, que \u00e9 o chamado aftercare, ou o cuidado que vem depois. Se seu companheiro, sua companheira, volta de um encontro muito maravilhado, como voc\u00ea faz? Geralmente tem gente que diz &#8220;ah, quero ficar de conchinha quando voltar&#8221;, ou &#8220;a gente vai ler uma poesia junto&#8221;.<br \/>\nPorque, no fundo, as pessoas s\u00e3o diferentes. Esse encantamento que aconteceu por outro n\u00e3o quer dizer que voc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o tiveram. E que esse amor que voc\u00eas t\u00eam \u00e9 um amor v\u00e1lido, lindo e \u00e9 uma base muito maravilhosa para outros tipos de explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo estudo, a gente tamb\u00e9m v\u00ea o seguinte: que cerebralmente a \u00e1rea da paix\u00e3o, relacionada com dopamina, com o que \u00e9 novo, com aquilo que voc\u00ea ainda n\u00e3o tem, n\u00e3o \u00e9 a mesma da \u00e1rea de seguran\u00e7a e do amor. E elas conseguem conviver. Ent\u00e3o elas n\u00e3o precisam ser inimigas.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; O que \u00e9 a monogamia compuls\u00f3ria?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; A monogamia compuls\u00f3ria tem muito a ver com o seguinte: ningu\u00e9m nasce monog\u00e2mico. E ningu\u00e9m te pergunta: &#8220;voc\u00ea tem interesse em ser monog\u00e2mico? Voc\u00ea est\u00e1 de acordo?&#8221;.<br \/>\nAs leis, cren\u00e7as, os contos de fada, a expectativa familiar, a moral, tudo est\u00e1 muito amarrado dizendo que a forma de amar a dois exclusivamente, e a\u00ed abre os par\u00eanteses que a gente sabe para que lado caiu exclusivamente, com os homens tendo sua liberdade, e as mulheres sendo punidas at\u00e9 a morte.<br \/>\nEsse sistema \u00e9 muito mais ligado \u00e0 heran\u00e7a, a rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado das Leis, linhagem, do que necessariamente com amor exclusivo.<br \/>\nEnt\u00e3o, ela vem daquele conceito inicial que seria da heteronormatividade compuls\u00f3ria, ningu\u00e9m pergunta, todo mundo parte do pressuposto que voc\u00ea \u00e9 heterossexual.<br \/>\nExiste essa perspectiva de que a monogamia \u00e9 isso, \u00e9 o que temos, \u00e9 o que \u00e9 esperado, \u00e9 o que \u00e9 bom, o que \u00e9 limpo, virtuoso. E quem sai ou quem tensiona, em maior ou menor grau, essa ideia, \u00e9 estigmatizado, \u00e9 tido como o pecador, como o errado.<br \/>\nA\u00ed vem as n\u00e3o monogamias e falam: voc\u00ea est\u00e1 bem nesse formato? Voc\u00ea j\u00e1 pensou que voc\u00ea poderia ter outro? Voc\u00ea pode construir o seu, inclusive. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o compuls\u00f3rio assim.<br \/>\nClaro, estamos falando do Ocidente, de privil\u00e9gios tamb\u00e9m. Em algumas culturas, isso n\u00e3o \u00e9 uma pergunta poss\u00edvel.<br \/>\nPor isso a beleza das n\u00e3o monogamias, no plural. Porque tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 como poligamia, que \u00e9 um sistema legal, religioso, obrigat\u00f3rio, muitas vezes desigual.<br \/>\nEu acredito que todo formato de relacionamento, inclusive monog\u00e2mico, quando as pessoas est\u00e3o ali alinhadas por escolha, vivendo aquilo, seja por f\u00e9, seja porque \u00e9 o que o ritmo ps\u00edquico delas d\u00e1 conta, tamb\u00e9m acho maravilhoso.<br \/>\nEu n\u00e3o sou contra a monogamia. Sou pela pluralidade das formas de amar e para que as pessoas possam consentir, escolher e negociar esses arranjos.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; E quando voc\u00ea fala sobre esses temas nas redes sociais, como \u00e9 a receptividade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; A primeira vez que fizeram uma entrevista comigo tem uns anos atr\u00e1s, num jornal de grande visibilidade, eu recebi 2,5 mil coment\u00e1rios de \u00f3dio. E a\u00ed, eu, como pesquisadora que sou, lembro de ter feito uma tabela para tentar categorizar de onde vinha esse \u00f3dio. Tem uns \u00f3dios muito engra\u00e7ados, dizendo que &#8220;isso \u00e9 trai\u00e7\u00e3o gourmet&#8221;, que &#8220;voc\u00ea \u00e9 uma vendida&#8221;, &#8220;faz isso porque n\u00e3o quer perder seu macho&#8221;, &#8220;isso n\u00e3o \u00e9 amor verdadeiro&#8221;.<br \/>\nE eu l\u00e1 categorizando: filos\u00f3fico, pol\u00edtico, ferida hist\u00f3rica. Realmente, recebi muito \u00f3dio, mas tamb\u00e9m muito apoio. Posso dizer com orgulho que muitos casais e muitas pessoas, a partir dessa conversa, se sentiram autorizados para conversar mais sobre o assunto, mergulhar e passear sobre esses relacionamentos e se encontraram. Recebo cartas amorosas, agradecendo at\u00e9 hoje, fico muito feliz.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; Mas esse \u00f3dio vinha mais das mulheres ou era misturado?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Misturado. Tamb\u00e9m com uma marca conservadora muito forte.<br \/>\nVou falar das cr\u00edticas que as mulheres fazem das n\u00e3o monogamias, mas antes de qualquer coisa, tenho que lembrar que s\u00e3o as mulheres as que mais pedem para abrir as rela\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, s\u00e3o as mulheres que est\u00e3o levando as organiza\u00e7\u00f5es, as pesquisas, s\u00e3o as l\u00edderes comunit\u00e1rias sobre o assunto, s\u00e3o as que mais pesquisam, que est\u00e3o envolvidas. Mulheres e queers.<br \/>\n\u00c9 importante saber que quem est\u00e1 vivendo dentro das n\u00e3o monogamias, em termos de satisfa\u00e7\u00e3o emocional e sexual, est\u00e3o muito felizes. E muito bem, obrigada. E muito parecido tamb\u00e9m com quem \u00e9 monog\u00e2mico. De novo, em termos de n\u00famero de estat\u00edstica, d\u00e1 no mesmo. N\u00e3o temos, mesmo com estudos de grande porte, nada que indique que um formato vai ser mais feliz e pr\u00f3spero do que o outro.<br \/>\nMas as mulheres que criticam as n\u00e3o monogamias consensuais, que geralmente s\u00e3o aquelas que n\u00e3o vivem dessa forma, tem v\u00e1rios tipos, que eu tamb\u00e9m j\u00e1 categorizei.<br \/>\nAlgumas, por exemplo, v\u00eam com uma ferida hist\u00f3rica, que \u00e9 aquela que diz &#8220;abrir para homem? Voc\u00ea est\u00e1 brincando, n\u00e9? Esse homem que sempre p\u00f4de sair, fazer baderna, n\u00e3o se responsabilizar. Agora voc\u00ea vai assinar a falta de responsabilidade? E eu que fico aqui cuidando da casa com o filho, n\u00e3o tenho a mesma possibilidade. \u00c0s vezes estou gr\u00e1vida. Vou para onde? Para casa de swing, t\u00e1 louco?&#8221;.<br \/>\nTem uma segunda cr\u00edtica, que vem da voz feminina, mas n\u00e3o s\u00f3, que \u00e9 uma cr\u00edtica estrutural e pol\u00edtica, que j\u00e1 entra para a monogamia como um todo, como um sistema opressor patriarcal capitalista, que fetichiza certos corpos, objetifica, descarta outros. \u00c9 onde entra toda a interseccionalidade, o pensamento decolonial.<br \/>\nMas a\u00ed j\u00e1 \u00e9 toda uma luta pol\u00edtica. Elas entram, necessariamente, contra a n\u00e3o monogamia, mas contra qualquer tipo de rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica focada na entidade casal.<br \/>\nE tem o terceiro, que seria a devo\u00e7\u00e3o quando tem f\u00e9, religi\u00e3o misturada.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; Quais s\u00e3o os medos que as pessoas em geral t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 n\u00e3o monogamia?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Quando a gente est\u00e1 na monogamia, a gente tem aquele medo da trai\u00e7\u00e3o, do relacionamento acabar. Existem outros medos, da juventude que nos abandona, dos filhos, que saem de casa. Ent\u00e3o os medos v\u00e3o existir e eles s\u00e3o constituintes do humano.<br \/>\nMas o medo dentro das n\u00e3o monogamias consensuais, \u00e9 como se jogassem uma luz dentro. Ent\u00e3o, se eu estou com medo de ser tra\u00edda, bota luz nisso e fala &#8220;agora voc\u00ea vai ver&#8221;.<br \/>\nEu at\u00e9 lembro da primeira vez que a gente foi para um clube de swing, eu pensava &#8220;gente, eu vou conseguir ver o meu marido amado?&#8221;.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; E conseguiu?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Consegui ver. Eu achava que n\u00e3o ia saber muito bem como lidar com esse momento. E foi importante para a gente, foi um marco. Eu achava que ia morrer, mas n\u00e3o morri (risos).<br \/>\nConversar sobre isso e n\u00e3o ficar s\u00f3 no travesseiro, chorando com medo, se perguntando se ele est\u00e1 te traindo [\u00e9 importante].<br \/>\nNas nossas \u00e1reas no c\u00e9rebro, uma tem a ver com o nosso apego, com a seguran\u00e7a, e outra, com a busca pelo que \u00e9 novo, pelo que \u00e9 misterioso, que n\u00e3o se possui. E essas duas \u00e1reas nem sempre dialogam.<br \/>\nEnt\u00e3o, quero diminuir o medo, porque o medo existe, ele \u00e9 real em todos os formatos. S\u00f3 que nas n\u00e3o monogamias consensuais, voc\u00ea bota luz em cima deles e fala: E agora? Vamos falar sobre isso?<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; Voc\u00ea acha que as pessoas que est\u00e3o num relacionamento n\u00e3o monog\u00e2mico tendem a conversar mais sobre a rela\u00e7\u00e3o do que as que n\u00e3o est\u00e3o?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Quinhentos mil por cento mais. \u00c9 dito que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um ponto radical. Tem at\u00e9 um livro do Jonathan Kent, A World Beyond Monogamy [Um mundo al\u00e9m da monogamia, em tradu\u00e7\u00e3o livre], em que ele fala: comunicar at\u00e9 a morte. \u00c9 uma comunica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. N\u00e3o \u00e9 assim, eu conversei agora, eu abro o relacionamento, e depois? Como \u00e9 que voc\u00ea volta? Eu n\u00e3o posso mais falar nada? Estou ali rendida, presa, amarrada para sempre? N\u00e3o \u00e9 isso.<br \/>\nEnt\u00e3o, tem que comunicar de novo: &#8220;Olha, como \u00e9 que eu me senti. Me senti mal. Acho que vamos dar um passinho para tr\u00e1s. Ou vamos dar um passinho para frente. Vamos dar dez passinhos para frente (risos). Isso eu gostei, isso n\u00e3o gostei, preciso de mais aten\u00e7\u00e3o aqui, preciso lembrar quanto que eu sou amada, o quanto que eu sou desejada&#8221;. \u00c9 uma cont\u00ednua comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m temos pesquisas falando sobre qual \u00e9 o medo para quem foi socializado como mulher e para quem foi socializado como homem. Esse medo fica at\u00e9 separado entre existencial, ou seja, de n\u00e3o estar mais no centro [das aten\u00e7\u00f5es].<br \/>\nPara o homem, geralmente entra uma coisa de compara\u00e7\u00e3o com a sua virilidade. &#8220;Como a minha mulher vai estar com outro homem?&#8221;. E o medo da mulher \u00e9 o de ser abandonada, trocada, de ser substitu\u00edda, de ser esquecida, de n\u00e3o ser mais a escolhida.<br \/>\nE tamb\u00e9m tem uma coisa do aspecto social que os dois temem. Mas a mulher teme mais, porque, em termos sociais, o que a sociedade vai dizer? O que os amigos do trabalho v\u00e3o dizer? Voc\u00ea acha que \u00e9 igual?<br \/>\nO homem j\u00e1 traiu h\u00e1 muito tempo e \u00e9 colocado sempre panos quentes, porque [dizem que] \u00e9 uma coisa incontrol\u00e1vel, do desejo masculino. E mulher? \u00c9 chamada de qu\u00ea? Prom\u00edscua, prostituta, vagabunda, que n\u00e3o valoriza a fam\u00edlia, n\u00e3o sabe o que \u00e9 amar.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; Voc\u00ea hoje \u00e9 mais feliz do que quando tinha uma rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica?<br \/>\nEle\u00e1: Sem d\u00favidas. \u00c9 claro que tamb\u00e9m tem uma coisa sobre a pessoa que sou hoje. A pessoa que conheceu meu marido h\u00e1 quase quinze anos, vindo de uma hist\u00f3ria de trauma, de trai\u00e7\u00e3o extraconjugal terr\u00edvel que me marcou, me levou para o inferno, aquela pessoa n\u00e3o estaria nunca preparada para chegar e abrir uma rela\u00e7\u00e3o. Eu tinha ci\u00fame no meu relacionamento anterior, inclusive de fantasia. Ent\u00e3o eu sa\u00ed fragilizada, e a gente vem ali forte no nosso la\u00e7o monog\u00e2mico de exclusividade, e a\u00ed a gente tem o primeiro filho, tem o segundo filho&#8230;<br \/>\nEu tamb\u00e9m n\u00e3o romantizo e digo que [tem que abrir a rela\u00e7\u00e3o] em todas as fases, com todo mundo. Minha hist\u00f3ria foi essa. Eu venho de um lugar de dor, de desespero, de solid\u00e3o, muito machucada. A exclusividade me deixou segura, esse amor me resplandeceu. E a\u00ed, com o passar dos anos, come\u00e7a a descer, no nosso caso, em termos de desejo, esse Eros come\u00e7a a dar umas falhadas.<br \/>\nE \u00e9 muito comum: 40% dos relacionamentos de mais de dez anos, ficam no chamado sexless marriages [casamento sem sexo].<br \/>\nSe a pessoa est\u00e1 sem ter intimidade, rela\u00e7\u00e3o sexual, encontro er\u00f3tico, porque os dois est\u00e3o exaustos e assim est\u00e3o felizes, n\u00e3o vou criticar. Mas [\u00e9 diferente] quando tem a discrep\u00e2ncia de desejo, quando um quer, e o outro n\u00e3o, ou quando isso \u00e9 uma forma de abafar, &#8220;n\u00e3o quero falar sobre isso, que eu tenho medo, vamos continuar aqui, cuidando dos filhos e se ocupando com outra coisa, porque a gente j\u00e1 n\u00e3o se olha&#8221;.<br \/>\nEsse foi o caminho para mim, comecei a perceber isso e a\u00ed, por coincid\u00eancia da vida, entro em contato com as ideias da Esther Perel [psicoterapeuta americana, autora de diversos livros, dentre eles, Sexo no cativeiro]. E a\u00ed, por entrar em contato com o podcast dela, come\u00e7o a ficar interessada. Lembro que quando eu a vi pela primeira vez em um Ted Talk, eu fiquei nervosa. Porque eu falei: &#8220;ih, acho que ela est\u00e1 falando da gente&#8221;.<br \/>\nE a\u00ed fui procurar mais. \u00c9 claro que tive a nossa querida Emma [personagem da trilogia que est\u00e1 finalizando]. E quando eu come\u00e7o a escrever, j\u00e1 de cara penso que a Emma tinha que viver um relacionamento poliamoroso, ou investigar essas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o monog\u00e2micas. Ent\u00e3o eu come\u00e7o a pesquisar sobre o assunto. E \u00e9 com essa carta que a gente come\u00e7a. Na verdade, ela vem pela m\u00e3o da literatura, da minha escrita, n\u00e3o o contr\u00e1rio.<br \/>\nBBC News Brasil &#8211; Foi voc\u00ea quem prop\u00f4s abrir a rela\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEle\u00e1 &#8211; Sim, no nosso d\u00e9cimo ano juntos. A gente tinha combinado que a gente n\u00e3o queria se dar um presente material. E a\u00ed, est\u00e1vamos tomando champagne, e eu falei: &#8220;Eu tenho um presente para a gente que \u00e9 uma proposta. O que voc\u00ea acha da gente abrir o nosso casamento?&#8221;.<br \/>\nJ\u00e1 tem quase cinco anos de estrada nessa hist\u00f3ria. Mas eu acho importante dizer que a gente n\u00e3o come\u00e7ou dessa forma. Eu n\u00e3o sei se a Ilana daquele momento teria nem vontade, nem ferramentas para lidar.<br \/>\nAs configura\u00e7\u00f5es dependem muito. Mas desde que a gente teve essa coragem de conversar, que a gente teve esse momento m\u00e1gico de falar &#8220;caramba, eu vou tirar essas amarras. Eu consigo me aproximar da honestidade, n\u00e3o s\u00f3 dentro da minha cabe\u00e7a, mas comunicar isso para quem eu amo&#8221;.<br \/>\nE, ao mesmo tempo, entender que eu n\u00e3o posso ser tudo. Que pretens\u00e3o \u00e9 essa? &#8220;Ah, mas ent\u00e3o termina&#8221;. N\u00e3o. Por que eu tenho que terminar? Se a gente se ama, a gente tem quinhentas mil coisas maravilhosas. E a\u00ed tem que terminar porque disseram que s\u00f3 existe um tipo de amor?<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BBC entrevista sex\u00f3loga Getty Images No dia em que completaram dez anos de casados, a escritora, doutora em Educa\u00e7\u00e3o e sex\u00f3loga Ilana Ele\u00e1 fez uma proposta para o marido: sair da monogamia e abrir a rela\u00e7\u00e3o. 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