{"id":62995,"date":"2025-12-19T06:03:17","date_gmt":"2025-12-19T09:03:17","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=62995"},"modified":"2025-12-19T06:03:17","modified_gmt":"2025-12-19T09:03:17","slug":"ficar-sem-sexo-afeta-a-saude-o-que-a-medicina-ja-conseguiu-comprovar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=62995","title":{"rendered":"Ficar sem sexo afeta a sa\u00fade? O que a medicina j\u00e1 conseguiu comprovar"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/3lMyO4xsUXrK7FoSBSwsHENhlzA=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/p\/R\/zBQRg7RRGjfSHfnUz6wg\/casal-tendo-momentos-intimos.jpg\"><br \/>     Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso falam sobre a frequ\u00eancia do sexo entre o casal<br \/>\nA frequ\u00eancia com que uma pessoa faz sexo varia ao longo da vida \u2014muda com a idade, com o corpo, com o relacionamento e com o momento emocional. Ainda assim, a pergunta permanece recorrente em consult\u00f3rios e estudos cient\u00edficos: ficar muito tempo sem sexo pode fazer mal \u00e0 sa\u00fade?<br \/>\nPara responder, pesquisadores v\u00eam analisando dados sobre sexualidade, bem-estar e indicadores f\u00edsicos, tentando separar associa\u00e7\u00f5es observadas do que pode ser considerado efeito direto. Do ponto de vista m\u00e9dico, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica robusta de que a aus\u00eancia de atividade sexual, por si s\u00f3, cause preju\u00edzos f\u00edsicos ao organismo.<br \/>\n\u201cEm uma pessoa saud\u00e1vel, n\u00e3o existe evid\u00eancia de que ficar meses ou anos sem sexo provoque um dano direto ao corpo\u201d, afirma a uroginecologista Rebeka Cavalcanti, membro da Sociedade Brasileira de Urologia e da International Urogynecological Association.<br \/>\n\u201cO que acontece na pr\u00e1tica \u00e9 que sexualidade e sa\u00fade andam juntas. Quem est\u00e1 bem f\u00edsica e emocionalmente costuma ter mais desejo e mais atividade sexual \u2014por isso muitos estudos mostram correla\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o causa.\u201d<br \/>\nA mesma avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelo ginecologista Juan F\u00e9lix, do Hospital e Maternidade Santa Helena, da Rede Total Care. Segundo ele, a abstin\u00eancia sexual n\u00e3o \u00e9 considerada fator de risco independente para doen\u00e7as.<br \/>\n\u201cAs pessoas podem permanecer longos per\u00edodos sem sexo sem impacto negativo direto sobre a sa\u00fade geral, desde que outros aspectos da sa\u00fade f\u00edsica e mental estejam preservados.\u201d<\/p>\n<p>Freepik<br \/>\nAssocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 causa<br \/>\nParte da ideia de que sexo \u201cfaz bem \u00e0 sa\u00fade\u201d vem de pesquisas que associam vida sexual ativa a melhores indicadores cardiovasculares, menor estresse e melhor perfil hormonal.<br \/>\nEstudos observacionais publicados em revistas como o British Medical Journal, o New England Journal of Medicine e o Journal of Sexual Medicine identificaram esse tipo de rela\u00e7\u00e3o ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<br \/>\nMas os pr\u00f3prios autores desses trabalhos fazem a ressalva: associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa efeito direto.<br \/>\n\u201cPode ser que pessoas que dormem melhor, se exercitam, t\u00eam menos estresse e rela\u00e7\u00f5es mais satisfat\u00f3rias tamb\u00e9m fa\u00e7am mais sexo \u2014e isso \u2018puxa\u2019 os resultados\u201d, explica Rebeka Cavalcanti. \u201cA ci\u00eancia ainda n\u00e3o consegue afirmar que o sexo, isoladamente, previne infarto ou outras doen\u00e7as cardiovasculares.\u201d<br \/>\nO que est\u00e1 bem documentado s\u00e3o efeitos de curto prazo. Durante a atividade sexual e o orgasmo, ocorre libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias como endorfina, oxitocina e dopamina, ligadas \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de prazer, relaxamento e bem-estar. Esse efeito agudo foi descrito em estudo publicado no World Journal of Urology.<br \/>\n\u201cEssas respostas hormonais s\u00e3o reais, mas transit\u00f3rias\u201d, explica Juan F\u00e9lix. \u201cElas melhoram o humor naquele momento, mas n\u00e3o podem ser interpretadas como prote\u00e7\u00e3o sustentada \u00e0 sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Freepik<br \/>\nA aus\u00eancia de sexo afeta a sa\u00fade \u00edntima?<br \/>\nEntre mulheres em idade reprodutiva, os especialistas s\u00e3o categ\u00f3ricos: ficar sem sexo n\u00e3o altera o pH vaginal, n\u00e3o compromete a lubrifica\u00e7\u00e3o basal nem aumenta o risco de infec\u00e7\u00f5es. Esses par\u00e2metros dependem principalmente do estado hormonal, da microbiota vaginal e de fatores como estresse, sono e uso de medicamentos.<br \/>\nIsso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que a atividade sexual seja irrelevante para a sa\u00fade \u00edntima. Segundo a uroginecologista Rebeka Cavalcanti, a rela\u00e7\u00e3o sexual regular pode contribuir para a manuten\u00e7\u00e3o da elasticidade e da vasculariza\u00e7\u00e3o da mucosa vaginal, por meio do est\u00edmulo mec\u00e2nico e do aumento do fluxo sangu\u00edneo local \u2014 fatores que ajudam a preservar o trofismo do tecido ao longo do tempo.<br \/>\nO ginecologista Juan F\u00e9lix acrescenta que, em muitos casos, \u00e9 a pr\u00f3pria atividade sexual que pode modificar o pH e a microbiota vaginal, dependendo do parceiro e da exposi\u00e7\u00e3o a novas bact\u00e9rias \u2014 e n\u00e3o a aus\u00eancia de sexo.<br \/>\nNa menopausa, o cen\u00e1rio muda \u2014 mas n\u00e3o por causa da falta de sexo. O ressecamento vaginal e a dor durante a rela\u00e7\u00e3o est\u00e3o ligados principalmente \u00e0 queda do estrog\u00eanio, quadro conhecido como s\u00edndrome geniturin\u00e1ria da menopausa.<br \/>\n\u201cMesmo mulheres com vida sexual ativa podem apresentar ressecamento e dor se n\u00e3o tratam a causa hormonal\u201d, afirma Rebeka.<br \/>\n\u201cA atividade sexual pode ajudar a manter conforto, elasticidade e vasculariza\u00e7\u00e3o local, mas n\u00e3o \u00e9 tratamento por si s\u00f3. Quando h\u00e1 sintomas, a abordagem envolve lubrificantes, hidratantes vaginais e, quando indicado, terapia hormonal.\u201d<br \/>\nEstudo aponta que masturba\u00e7\u00e3o pode ajudar a aliviar sintomas da menopausa.<br \/>\nDeon Black\/Pexels<br \/>\nMasturba\u00e7\u00e3o entra nessa conta?<br \/>\nParte dos efeitos fisiol\u00f3gicos atribu\u00eddos ao sexo pode ser obtida sem parceiro. A masturba\u00e7\u00e3o e o orgasmo tamb\u00e9m aumentam o fluxo sangu\u00edneo na regi\u00e3o genital, estimulam lubrifica\u00e7\u00e3o e promovem relaxamento.<br \/>\n\u201cDo ponto de vista do corpo, os benef\u00edcios ligados \u00e0 excita\u00e7\u00e3o e ao orgasmo n\u00e3o dependem necessariamente da atividade sexual com outra pessoa\u201d, afirma Rebeka. \u201cO que n\u00e3o \u00e9 equivalente s\u00e3o os componentes relacionais, como v\u00ednculo, intimidade e troca afetiva.\u201d<br \/>\nQuando a quest\u00e3o deixa de ser f\u00edsica<br \/>\nSe o corpo costuma lidar bem com a aus\u00eancia de sexo, o impacto emocional varia muito de pessoa para pessoa. Para a psic\u00f3loga cl\u00ednica e psicanalista Vivianne Beserra, o sofrimento n\u00e3o est\u00e1 na falta de sexo em si, mas no significado que ela assume.<br \/>\n\u201cSe a pessoa est\u00e1 bem conectada, se sente vista, considerada, e existe acordo \u2014dentro ou fora de um relacionamento\u2014 a falta de sexo pode ser neutra.O sofrimento aparece quando um deseja e o outro n\u00e3o, porque a\u00ed entra a sensa\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o. E a rejei\u00e7\u00e3o costuma doer mais do que a aus\u00eancia de sexo.\u201d<br \/>\nVivianne ressalta que h\u00e1 diferen\u00e7a entre abstin\u00eancia volunt\u00e1ria e involunt\u00e1ria.<br \/>\n\u201cQuando \u00e9 involunt\u00e1ria, muitas vezes gera sofrimento, porque o desejo segue pulsando. Em alguns casos, a pessoa vai se anestesiando, se afastando da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de sujeito desejante.\u201d<br \/>\nN\u00e3o existe frequ\u00eancia &#8216;normal&#8217;<br \/>\nOutro ponto de consenso entre especialistas \u00e9 que n\u00e3o existe uma frequ\u00eancia sexual ideal v\u00e1lida para todas as pessoas ou casais.<br \/>\n\u201cEsse ritmo muda ao longo da vida e varia conforme a parceria\u201d, afirma Vivianne. \u201cN\u00e3o existe tabela, f\u00f3rmula ou n\u00famero certo. Cada rela\u00e7\u00e3o encontra seu pr\u00f3prio ajuste \u2014 e a mesma pessoa pode viver ritmos completamente diferentes ao longo da vida.\u201d<br \/>\n\u201cO problema n\u00e3o \u00e9 a falta de sexo em si\u201d, resume Rebeka Cavalcanti. \u201c\u00c9 o que est\u00e1 por tr\u00e1s dela.\u201d<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso falam sobre a frequ\u00eancia do sexo entre o casal A frequ\u00eancia com que uma pessoa faz sexo varia ao longo da vida \u2014muda com a idade, com o corpo, com o relacionamento e com o momento emocional. 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