{"id":63244,"date":"2025-12-25T12:01:02","date_gmt":"2025-12-25T15:01:02","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=63244"},"modified":"2025-12-25T12:01:02","modified_gmt":"2025-12-25T15:01:02","slug":"o-que-e-o-linfoma-de-hodgkin-cancer-que-causou-a-morte-da-ex-ginasta-isabelle-marciniak","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=63244","title":{"rendered":"O que \u00e9 o linfoma de Hodgkin, c\u00e2ncer que causou a morte da ex-ginasta Isabelle Marciniak"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/oNfjBPOQK0y8wljt1lrUR7XOtDA=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/7\/7\/HUUKvNShS7IaGGWwwKGw\/captura-de-tela-2025-12-25-101650.png\"><br \/>     M\u00e9dica Camila Marca fala sobre import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico precoce de linfoma<br \/>\nA ex-ginasta Isabelle Marciniak morreu aos 18 anos em decorr\u00eancia de um linfoma de Hodgkin, c\u00e2ncer que se origina no sistema linf\u00e1tico, respons\u00e1vel pela defesa do organismo. A morte foi comunicada nesta semana pela Federa\u00e7\u00e3o Paranaense de Gin\u00e1stica.<br \/>\nO linfoma de Hodgkin \u00e9 um tipo de c\u00e2ncer que afeta c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico e pode come\u00e7ar de forma pouco percept\u00edvel, com sinais como \u00ednguas indolores. Como o sistema linf\u00e1tico est\u00e1 distribu\u00eddo por todo o corpo, a doen\u00e7a pode evoluir sem sintomas claros nas fases iniciais, o que dificulta o reconhecimento precoce.<br \/>\nEntender como esse c\u00e2ncer se desenvolve ajuda a explicar por que o diagn\u00f3stico nem sempre \u00e9 imediato e quais s\u00e3o as principais op\u00e7\u00f5es de tratamento.<br \/>\nIsabelle Marciniak<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Federa\u00e7\u00e3o Paranaense de Gin\u00e1stica<br \/>\nUm c\u00e2ncer que come\u00e7a no sistema de defesa do corpo<br \/>\nSegundo o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), nesse tipo de c\u00e2ncer, as c\u00e9lulas do sistema linf\u00e1tico \u2014respons\u00e1veis pela defesa do organismo\u2014 passam a se multiplicar de forma desordenada. O processo atinge principalmente os linfonodos, estruturas conhecidas como g\u00e2nglios, mas pode envolver tamb\u00e9m \u00f3rg\u00e3os como o ba\u00e7o e o timo, todos interligados por uma rede de vasos que percorre o corpo.<br \/>\nUma das principais diferen\u00e7as do linfoma de Hodgkin em rela\u00e7\u00e3o a outros linfomas \u00e9 a presen\u00e7a, nos exames microsc\u00f3picos, das chamadas c\u00e9lulas de Reed-Sternberg. Essas c\u00e9lulas s\u00e3o linf\u00f3citos alterados que perderam o controle do crescimento e passam a se multiplicar de forma anormal.<br \/>\nA identifica\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas funciona como uma \u201cassinatura\u201d da doen\u00e7a. Quando elas aparecem na bi\u00f3psia do linfonodo, os m\u00e9dicos conseguem confirmar que se trata de linfoma de Hodgkin e n\u00e3o de outro tipo de c\u00e2ncer do sistema linf\u00e1tico, o que \u00e9 decisivo para definir o tratamento mais adequado.<br \/>\nQuem costuma ser mais afetado<br \/>\nO linfoma de Hodgkin pode surgir em qualquer idade, mas apresenta dois picos mais frequentes:<br \/>\nadultos jovens, entre 20 e 35 anos.<br \/>\npessoas acima dos 60 anos.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico fator de risco definido. Em parte dos casos, h\u00e1 associa\u00e7\u00e3o com altera\u00e7\u00f5es do sistema imunol\u00f3gico, hist\u00f3rico familiar ou infec\u00e7\u00f5es virais pr\u00e9vias, como o v\u00edrus Epstein-Barr. Em muitos pacientes, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar um fator desencadeante claro.<br \/>\n\u00cdnguas indolores est\u00e3o entre os primeiros sinais<br \/>\nO sintoma mais comum \u00e9 o aumento dos linfonodos, percebido como caro\u00e7os ou \u00ednguas geralmente indolores. Eles aparecem com mais frequ\u00eancia no pesco\u00e7o, nas axilas e na virilha.<br \/>\nPor n\u00e3o provocarem dor, essas altera\u00e7\u00f5es podem ser ignoradas ou atribu\u00eddas a infec\u00e7\u00f5es passageiras. Com a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, outros sintomas podem surgir, como:<br \/>\nfebre persistente,<br \/>\nperda de peso sem causa aparente,<br \/>\ncansa\u00e7o intenso,<br \/>\nsuor noturno,<br \/>\naumento do volume abdominal.<br \/>\nA persist\u00eancia desses sinais por semanas deve levar \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<br \/>\nComo \u00e9 feito o diagn\u00f3stico<br \/>\nO diagn\u00f3stico do linfoma de Hodgkin \u00e9 confirmado por bi\u00f3psia do linfonodo suspeito. O procedimento consiste na retirada de parte ou de todo o g\u00e2nglio para an\u00e1lise em laborat\u00f3rio.<br \/>\nDe acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a doen\u00e7a \u00e9 classificada em dois grandes grupos:<br \/>\nLinfoma de Hodgkin cl\u00e1ssico, respons\u00e1vel pela maioria dos casos, \u00e9 caracterizado pela presen\u00e7a das c\u00e9lulas de Reed-Sternberg e tende a ter um comportamento mais disseminado no sistema linf\u00e1tico. \u00c9 tamb\u00e9m a forma mais estudada e para a qual existem protocolos bem definidos de tratamento, geralmente baseados em quimioterapia, com ou sem radioterapia.<br \/>\nLinfoma de Hodgkin de predom\u00ednio linfocit\u00e1rio nodular, mais raro, presente em cerca de 5% dos pacientes. Nesse subtipo, as c\u00e9lulas tumorais t\u00eam caracter\u00edsticas diferentes e a doen\u00e7a costuma evoluir de forma mais lenta, muitas vezes restrita a poucos linfonodos.<br \/>\nPor isso, em situa\u00e7\u00f5es selecionadas, a abordagem pode ser distinta, com tratamentos menos intensivos ou estrat\u00e9gias mais individualizadas.<br \/>\nAp\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o, exames de imagem ajudam a definir a extens\u00e3o da doen\u00e7a, etapa conhecida como estadiamento, essencial para orientar o tratamento.<br \/>\nComo funciona o tratamento<br \/>\nO tratamento varia conforme idade, estado geral de sa\u00fade, tipo do linfoma e est\u00e1gio da doen\u00e7a. Segundo o Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, as principais op\u00e7\u00f5es incluem:<br \/>\nquimioterapia,<br \/>\nradioterapia,<br \/>\nanticorpos monoclonais,<br \/>\nquimioterapia em altas doses com transplante de medula \u00f3ssea, em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<br \/>\nNa maioria dos casos, a base do tratamento \u00e9 a quimioterapia, isolada ou combinada \u00e0 radioterapia. Muitos pacientes apresentam boa resposta j\u00e1 na primeira linha terap\u00eautica, o que explica as altas taxas de cura associadas ao linfoma de Hodgkin.<br \/>\nQuando a doen\u00e7a n\u00e3o responde adequadamente ao tratamento inicial ou volta ap\u00f3s um per\u00edodo de remiss\u00e3o, outras estrat\u00e9gias podem ser indicadas. Entre elas est\u00e3o o uso de anticorpos monoclonais, a quimioterapia em altas doses seguida de transplante de medula \u00f3ssea e, em situa\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas, terapias celulares mais recentes.<br \/>\n\u00c9 nesse grupo que entra a terapia CAR-T cell, na qual c\u00e9lulas de defesa do pr\u00f3prio paciente s\u00e3o modificadas em laborat\u00f3rio para reconhecer e atacar o c\u00e2ncer. No linfoma de Hodgkin, a CAR-T n\u00e3o \u00e9 tratamento de primeira linha e costuma ser considerada apenas em casos refrat\u00e1rios ou recidivados, geralmente em centros especializados e ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o criteriosa.<br \/>\nDurante o tratamento, podem ocorrer efeitos colaterais como queda de cabelo, n\u00e1useas, fadiga e maior risco de infec\u00e7\u00f5es. Esses efeitos, em geral, s\u00e3o tempor\u00e1rios e monitorados de perto pela equipe m\u00e9dica.<br \/>\nTem cura?<br \/>\nSim. O linfoma de Hodgkin \u00e9 considerado um dos c\u00e2nceres com maiores taxas de cura dentro da oncologia, sobretudo quando diagnosticado precocemente.<br \/>\nSegundo o Hospital Oswaldo Cruz, grande parte dos pacientes alcan\u00e7a remiss\u00e3o completa com o tratamento inicial. Ap\u00f3s o fim da terapia, o acompanhamento m\u00e9dico continua sendo fundamental para monitorar recidivas e poss\u00edveis efeitos tardios.<br \/>\nHodgkin e n\u00e3o-Hodgkin n\u00e3o s\u00e3o a mesma doen\u00e7a<br \/>\nApesar de apresentarem sintomas semelhantes, os linfomas de Hodgkin e n\u00e3o-Hodgkin t\u00eam comportamentos cl\u00ednicos diferentes. No linfoma de Hodgkin, a doen\u00e7a costuma se espalhar de forma mais previs\u00edvel, avan\u00e7ando de um grupo de linfonodos para outro, o que facilita o planejamento do tratamento e o acompanhamento da resposta.<br \/>\nJ\u00e1 os linfomas n\u00e3o-Hodgkin formam um grupo mais amplo e heterog\u00eaneo de doen\u00e7as. Eles podem evoluir de maneira mais agressiva ou mais lenta, atingir \u00f3rg\u00e3os fora do sistema linf\u00e1tico com maior frequ\u00eancia e exigir esquemas terap\u00eauticos bastante variados, dependendo do subtipo.<br \/>\nO tipo de c\u00e9lula identificado na bi\u00f3psia define n\u00e3o apenas o nome da doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m como ela tende a evoluir, quais tratamentos s\u00e3o indicados e qual \u00e9 a expectativa de resposta ao tratamento. Por isso, a diferencia\u00e7\u00e3o entre Hodgkin e n\u00e3o-Hodgkin \u00e9 um passo central no cuidado do paciente.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dica Camila Marca fala sobre import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico precoce de linfoma A ex-ginasta Isabelle Marciniak morreu aos 18 anos em decorr\u00eancia de um linfoma de Hodgkin, c\u00e2ncer que se origina no sistema linf\u00e1tico, respons\u00e1vel pela defesa do organismo. 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