{"id":63573,"date":"2026-01-03T06:02:04","date_gmt":"2026-01-03T09:02:04","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=63573"},"modified":"2026-01-03T06:02:04","modified_gmt":"2026-01-03T09:02:04","slug":"disseram-que-meu-pai-tinha-sido-substituido-por-um-duble-a-mulher-que-foi-induzida-pela-mae-a-acreditar-que-era-perseguida-pela-mafia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=63573","title":{"rendered":"&#8216;Disseram que meu pai tinha sido substitu\u00eddo por um dubl\u00ea&#8217;: a mulher que foi induzida pela m\u00e3e a acreditar que era perseguida pela m\u00e1fia"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/-rE3Qiuses-K2YMBnk7t1fj90iM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/m\/U\/iCcvMjSQ6ur4QvS0xnXg\/8ec36950-e80f-11f0-a8dc-93c15fe68710.jpg.webp\"><br \/>     Pauline Dakin escreveu um livro sobre sua experi\u00eancia com o transtorno delirante<br \/>\nPenguin via BBC<br \/>\nHavia algo estranho na fam\u00edlia de Pauline Dakin.<br \/>\n&#8220;Meu irm\u00e3o e eu diz\u00edamos: &#8216;O que voc\u00ea acha que est\u00e1 errado com a nossa fam\u00edlia? Por que somos t\u00e3o esquisitos?&#8217; Mas esse mist\u00e9rio nunca era respondido.&#8221;<br \/>\nOs pais de Pauline, Warren e Ruth, haviam se separado quando ela tinha 5 anos, logo antes de ela come\u00e7ar a ir para a escola.<br \/>\n\u2705 Siga o canal de not\u00edcias internacionais do g1 no WhatsApp<br \/>\nWarren, um empres\u00e1rio de sucesso, bebia muito e ficava violento. Em determinado momento, Ruth n\u00e3o aguentou mais.<br \/>\nQuando Pauline tinha sete anos, ela levou as duas crian\u00e7as para passar as f\u00e9rias na cidade canadense de Winnipeg, a mais de 1.600 km de Vancouver, onde a fam\u00edlia morava.<br \/>\nChegando l\u00e1, Ruth disse aos filhos que n\u00e3o voltariam mais para a antiga casa.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o conseguimos dizer adeus (para as pessoas em Vancouver). Foi um rompimento abrupto dos relacionamentos&#8221;, relembra.<br \/>\nQuando ela perguntava a sua m\u00e3e por que tinha feito isso, nunca recebia uma explica\u00e7\u00e3o convincente. &#8220;Ela s\u00f3 dizia: &#8216;Sinto muito, n\u00e3o posso te dizer. Quando voc\u00ea for mais velha eu conto&#8217;.&#8221;<br \/>\nO mesmo aconteceu quatro anos depois \u2014 dessa vez, a fam\u00edlia se mudou para New Brunswick, na costa leste do Canad\u00e1.<br \/>\nApesar disso, a vida era normal para a fam\u00edlia de Pauline \u2014 eles recome\u00e7avam e constru\u00edam uma nova vida em uma nova cidade. Mas, por dentro, a garota se sentia confusa, ansiosa e em depress\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Eu sabia que algo ruim estava acontecendo. N\u00e3o sabia o que era, mas sempre senti que havia algo terr\u00edvel que n\u00e3o estava sendo dito&#8221;, afirma.<br \/>\nWarren, Ruth, Teddy and Pauline, por volta de 1969, antes da separa\u00e7\u00e3o do casal<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nSuspeitas<br \/>\nAos 11 anos de idade, Pauline j\u00e1 tinha frequentado seis escolas diferentes desde que perdera o contato com o pai.<br \/>\nE outro homem havia entrado na vida da fam\u00edlia, um pastor evang\u00e9lico chamado Stan Sears.<br \/>\nA m\u00e3e de Pauline tinha conhecido Stan em um grupo de apoio para fam\u00edlias de alco\u00f3latras \u2014 ele era um dos orientadores psicol\u00f3gicos, e ela o procurou quando enfrentava dificuldades com o alcoolismo de Warren e se preparava para deix\u00e1-lo.<br \/>\nMas nas duas vezes em que a fam\u00edlia de Pauline se mudou de repente, Stan coincidentemente se mudou para os mesmos lugares que eles.<br \/>\n&#8220;O que eu sabia era que independentemente do que estivesse acontecendo, Stan tamb\u00e9m estava envolvido&#8221;, diz Pauline.<br \/>\nQuando chegaram a New Brunswick, eles fincaram ra\u00edzes. Em 1988, quando Pauline tinha 23 anos, ela havia se formado e trabalhava no jornal da cidade de Saint John, at\u00e9 que sua m\u00e3e telefonou com uma proposta inesperada.<br \/>\n&#8220;Ela disse: &#8216;Agora estou pronta para explicar todas as coisas estranhas que aconteceram na sua vida&#8217;.&#8221;<br \/>\nA fam\u00edlia criou ra\u00edzes na terceira cidade para onde mudou \u2013 mas as crian\u00e7as deixaram para tr\u00e1s parentes e amigos sem se despedir<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\n&#8216;Coloque suas joias no envelope&#8217;<br \/>\nElas combinaram de se encontrar diante de um motel no meio do caminho entre as cidades em que estavam vivendo. Quando chegou l\u00e1, Ruth colocou um bilhete e um envelope vazio nas m\u00e3os de Pauline.<br \/>\nO bilhete dizia: &#8220;N\u00e3o diga nada. Tire suas joias e as coloque no envelope. Eu vou explicar, mas n\u00e3o diga nada.&#8221;<br \/>\n&#8220;Foi muito esquisito. Eu pensei: Quem \u00e9 voc\u00ea? O que est\u00e1 fazendo? Mas fiz o que ela me pediu&#8221;, diz Pauline.<br \/>\nQuando sua m\u00e3e a levou a um dos quartos do motel, Stan Sears estava l\u00e1 \u00e0 espera delas.<br \/>\nStan e Ruth disseram a Pauline que, nos \u00faltimos 16 anos, estiveram fugindo da m\u00e1fia, e que a fam\u00edlia virara alvo de criminosos porque seu pai, Warren, havia se envolvido com o crime organizado.<br \/>\nEla n\u00e3o podia usar suas joias, disse a m\u00e3e, porque precisavam descobrir se elas tinham dispositivos de escuta.<br \/>\nStan disse que tudo come\u00e7ou depois que ele deu conselhos a um chefe da m\u00e1fia que queria deixar para tr\u00e1s a vida no crime. Quando a organiza\u00e7\u00e3o descobriu que o homem violou o c\u00f3digo de sil\u00eancio, eles o mataram. Em seguida, foram procurar Stan, que provavelmente sabia demais.<br \/>\nQuando Ruth, ex-mulher de um criminoso, come\u00e7ou a trabalhar como secret\u00e1ria na igreja de Stan, ela tamb\u00e9m virou alvo.<br \/>\n&#8220;Eles me disseram que cada um de n\u00f3s tinha algu\u00e9m nos seguindo e nos vigiando \u00e0 dist\u00e2ncia. E que tentaram me sequestrar, me envenenar ou me matar muitas vezes, mas essas pessoas intervieram para me manter em seguran\u00e7a ao longo dos anos.&#8221;<br \/>\nAl\u00e9m dessa for\u00e7a-tarefa aprovada pelo governo que os protegia, Stan explicou que tamb\u00e9m havia comunidades pouco conhecidas em algumas partes do pa\u00eds onde os que eram perseguidos pela m\u00e1fia podiam conseguir prote\u00e7\u00e3o. Esses locais eram conhecidos como &#8220;o mundo estranho&#8221;.<br \/>\nDepois de anos como fugitiva, a m\u00e3e de Pauline disse que tinha decidido voltar a sumir do mapa e buscar prote\u00e7\u00e3o em uma dessas comunidades.<br \/>\nStan j\u00e1 vivia em um desses locais, mas sua mulher n\u00e3o quis fugir com ele. Por isso, estava vivendo sozinho e trabalhando neste &#8220;mundo estranho&#8221; com seus agentes.<br \/>\nAnsiedade e medo<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<br \/>\nStan e Ruth tamb\u00e9m disseram a Pauline que esta era sua chance de finalmente estarem juntos \u2014 eles estavam apaixonados havia muitos anos, mas nunca tinham conseguido fazer nada a respeito.<br \/>\nPauline ficou em choque com a quantidade de novas informa\u00e7\u00f5es. &#8220;Eu fiquei doente de medo e de tristeza, sentia que a vida estava se despeda\u00e7ando ao meu redor&#8221;, diz.<br \/>\nEla passou aquele fim de semana ouvindo as hist\u00f3rias de Stan e de Ruth, que explicavam muitas das coisas estranhas que aconteceram durante sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, como a vez em que ela chegou em casa e encontrou a m\u00e3e jogando fora toda a comida da geladeira.<br \/>\nStan disse que eles tinham sido informados de que algu\u00e9m estava tentando envenen\u00e1-los.<br \/>\nEm outro momento, a fam\u00edlia foi fazer uma trilha durante a semana e dormiu uma noite em um chal\u00e9 nas montanhas. Segundo Stan, havia pessoas atr\u00e1s deles, por isso tiveram que se ausentar por cerca de dois dias.<br \/>\nHouve tamb\u00e9m o dia em que a fam\u00edlia foi jogar boliche em vez de ir \u00e0 escola, e o dia em que as crian\u00e7as chegaram de casa e foram obrigadas a tomar banho, esfregando muito os p\u00e9s, e tiveram que usar um saco pl\u00e1stico nos p\u00e9s, por cima das meias, o resto do dia.<br \/>\n&#8220;Mesmo que soasse absurdo, as explica\u00e7\u00f5es faziam com que esses eventos esquisitos se encaixassem em uma narrativa de que \u00e9ramos perseguidos.&#8221;<br \/>\nDubl\u00eas<br \/>\nQuando Pauline teve que ir embora do motel, Stan perguntou se poderia colocar um localizador no carro dela, para que &#8220;os homens do bem&#8221; pudessem segui-la e proteg\u00ea-la. Ele tamb\u00e9m deu a ela um pequeno r\u00e1dio para que ela sinalizasse caso precisasse de ajuda.<br \/>\n&#8220;Ele me disse: &#8216;Use s\u00f3 se a sua vida estiver mesmo em perigo, porque as pessoas v\u00e3o arriscar as vidas delas por voc\u00ea&#8217;.&#8221;<br \/>\nPauline voltou para a vida normal \u2014 a reforma que estava fazendo com o namorado em casa e sem emprego no jornal \u2014 mas tinha dificuldades em lidar com as coisas que havia descoberto. Ela tinha cada vez mais medo.<br \/>\nEla sempre olhava para tr\u00e1s para ver se estava sendo seguida, deixou de ir a restaurantes por medo de ter a comida envenenada e planejava rotas de fuga de casa.<br \/>\nEnquanto isso, a hist\u00f3ria de Ruth e Warren ficava mais elaborada. E do &#8220;mundo estranho&#8221; chegaram as informa\u00e7\u00f5es de que muitas pessoas n\u00e3o eram quem Pauline e seu irm\u00e3o pensavam ser.<br \/>\n&#8220;Eles diziam que algumas das pessoas que eram pr\u00f3ximas de n\u00f3s na minha inf\u00e2ncia, que estavam no crime organizado, foram presas, mortas ou estavam desaparecidas  \u2014  e foram substitu\u00eddas por dubl\u00eas&#8221;, conta Pauline.<br \/>\n&#8220;\u00c0s vezes o dubl\u00ea era posto pelos &#8216;bonzinhos&#8217; e outras vezes pelos &#8216;maus&#8217;. Ent\u00e3o nunca se sabia 100% quem era.&#8221;<br \/>\nSegundo Stan, eles passavam meses estudando grava\u00e7\u00f5es para entender como se comportar como as pessoas que iriam substituir, e faziam pl\u00e1sticas e maquiagem para se disfar\u00e7ar.<br \/>\nPauline encontrava esses dubl\u00eas de vez em quando. No dia em que seu irm\u00e3o se casou, por exemplo, ela reencontrou o pai e a tia depois de anos sem v\u00ea-los. Mas os dois, segundo disseram a ela, eram dubl\u00eas.<br \/>\n&#8220;Minha m\u00e3e ficou muito chateada no casamento, porque a irm\u00e3 dela tinha que ser uma dubl\u00ea. E ela ficava dizendo: &#8216;Olhe os dedos do p\u00e9 dela, s\u00e3o exatamente os mesmos de Penny. Como \u00e9 que se faz os dedos de algu\u00e9m ficarem assim?&#8217;.&#8221;<br \/>\nAt\u00e9 a morte, Ruth acreditou nas hist\u00f3rias de Stan, mesmo depois que ficou claro que elas eram apenas del\u00edrios<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nConfian\u00e7a<br \/>\nMesmo cheia de d\u00favidas, Pauline sempre confiou em sua m\u00e3e e Stan. &#8220;Era uma hist\u00f3ria maluca e eu tive dificuldade em acreditar. Mas se n\u00e3o pudesse confiar neles, em quem confiaria?&#8221;, diz.<br \/>\nAterrorizada e paranoica, ela decidiu abandonar tudo para viver em uma das comunidades do &#8220;mundo estranho&#8221; com sua m\u00e3e. Stan disse a ela que haveria trabalho e que ela estaria segura.<br \/>\nEla terminou com o namorado, pediu demiss\u00e3o do trabalho, vendeu sua casa e se mudou com Ruth e Stan para Halifax, em Nova Scotia, uma prov\u00edncia no extremo leste do Canad\u00e1.<br \/>\nAli, eles esperariam a confirma\u00e7\u00e3o de que era seguro entrar no &#8220;mundo estranho&#8221;. Mas o momento adequado nunca chegava.<br \/>\n&#8220;Nos disseram (atrav\u00e9s de Stan) que a m\u00e1fia desconfiava o que est\u00e1vamos planejando e estava nos amea\u00e7ando. Fic\u00e1vamos sempre \u00e0 espera.&#8221;<br \/>\nNessa \u00e9poca, no entanto, Pauline conheceu Kevin, que se tornaria seu marido e a quem contou os segredos. Ele se comprometeu a ir viver com ela na comunidade.<br \/>\nEm 1993, cinco anos depois de ter ouvido as explica\u00e7\u00f5es de sua m\u00e3e e de Stan, Pauline decidiu que deveria confirmar se as coisas que eles disseram eram verdade.<br \/>\nFoi quando ela decidiu inventar que sua casa havia sido roubada \u2014 e escolheu um momento em que Stan estivesse visitando sua m\u00e3e.<br \/>\n&#8220;Liguei para ela e disse: &#8216;Algu\u00e9m entrou na minha casa. O que eu fa\u00e7o?'&#8221;. Sua m\u00e3e respondeu: &#8220;Vou perguntar a um amigo nosso e ligo de volta&#8221;.<br \/>\nStan tinha dito a Ruth e a Pauline que elas n\u00e3o podiam nunca ir \u00e0 pol\u00edcia para dar queixa das amea\u00e7as e das coisas estranhas que ocorriam em suas vidas \u2014 j\u00e1 que a pol\u00edcia, segundo ele, n\u00e3o era confi\u00e1vel.<br \/>\nRuth ligou para Pauline minutos depois, dizendo que n\u00e3o podia falar ao telefone e que a filha deveria ir encontr\u00e1-la imediatamente.<br \/>\nQuando chegou l\u00e1, Pauline ouviu Ruth e Stan dizerem que duas pessoas tinham sido presas na sua rua horas antes. Essas pessoas tinham fotografias dela em m\u00e3os, a estavam seguindo e buscavam coisas espec\u00edficas em sua casa.<br \/>\n&#8220;Quando ela disse isso, eu percebi que era tudo falso. Porque ningu\u00e9m tinha entrado na minha casa, eu inventei&#8221;, afirma.<br \/>\n&#8220;Nesse momento, eu soube que todas as hist\u00f3rias, as mudan\u00e7as, os dubl\u00eas, era tudo mentira.&#8221;<br \/>\nEspecialistas consultados por Pauline dizem que Stan provavelmente sofria de transtorno delirante<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nConfronto<br \/>\nQuando Pauline confrontou a m\u00e3e, Ruth Dakin ficou chateada, mas n\u00e3o porque sua filha havia descoberto a verdade, mas porque, deixando de acreditar na hist\u00f3ria, ela ficaria exposta aos &#8220;perigos&#8221;.<br \/>\nAo expor a situa\u00e7\u00e3o para Stan, ele lhe disse que deveria ter havido algum tipo de erro no relat\u00f3rio sobre os homens misteriosos e que haveria uma investiga\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Minha mem\u00f3ria daquela noite \u00e9 do qu\u00e3o triste ele estava. Eu n\u00e3o era mais como eles&#8221;, relembra.<br \/>\nDurante meses, Pauline e Ruth tentaram convencer uma \u00e0 outra. Pauline dizia que Stan estava enganando Ruth, a m\u00e3e dizia que a filha estava cega. Elas nunca chegaram a um acordo.<br \/>\nFuriosa e decepcionada, Pauline decidiu retomar sua vida: entrou em contato com o pai, que estava doente e havia voltado a beber, e se afastou da m\u00e3e e de Stan.<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o das duas nunca se recuperou por completo, mas Pauline diz que ter dado \u00e0 luz duas meninas a ajudou a se recuperar do trauma. &#8220;Quando voc\u00ea tem filhos, as coisas mudam. Eles se tornam o foco do seu amor&#8221;, diz.<br \/>\nRuth teve c\u00e2ncer em 2010, alguns anos ap\u00f3s a morte de Stan, e viveu seus \u00faltimos nove meses com Pauline.<br \/>\nEla nunca deixou de acreditar nas hist\u00f3rias do pastor. Nem mesmo quando, depois que ele morreu, pararam de chegar cartas do &#8220;mundo estranho&#8221; e tamb\u00e9m amea\u00e7as da m\u00e1fia e mensagens cifradas de supostos colaboradores.<br \/>\nTer filhas, segundo Pauline, ajudou-a a recuperar, em parte, o relacionamento com Ruth antes de sua morte<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nMas o que mais incomodava Pauline era o fato de que Stan n\u00e3o parecia ser louco.<br \/>\nQuatro anos atr\u00e1s, ainda tentando entender por que o pastor inventava tantas mentiras, ela leu um artigo m\u00e9dico sobre uma doen\u00e7a mental conhecida como transtorno delirante.<br \/>\n&#8220;Quando li o artigo, pensei: &#8216;Isso descreve Stan perfeitamente. Algu\u00e9m que parece normal e \u00e9 competente no trabalho, mas tem ideias malucas sobre certas coisas&#8217;.&#8221;<br \/>\nEla entrou em contato com o autor do artigo, um psiquiatra de Harvard, que se entusiasmou com sua hist\u00f3ria.<br \/>\nEle confirmou que Stan tinha todas as caracter\u00edsticas de uma pessoa com o transtorno delirante. Outro pesquisador especialista confirmou o diagn\u00f3stico.<br \/>\nEncontrar um motivo por tr\u00e1s do discurso de Stan ajudou Pauline a se reconciliar com seu passado, mesmo que ela nunca tenha se recuperado completamente dos problemas causados pela rede de mentiras.<br \/>\n&#8220;Tive muita pena de minha m\u00e3e. Ela teve uma vida dif\u00edcil e era vulner\u00e1vel a Stan, por que ele era uma pessoa gentil e carinhosa.&#8221;<br \/>\n&#8220;Mas tamb\u00e9m lamentei por mim e por meu irm\u00e3o. \u00c9ramos apenas duas crian\u00e7as pequenas cujas vidas foram roubadas&#8221;, diz.<br \/>\nPauline, que hoje \u00e9 professora-assistente da Escola de Jornalismo da universidade canadense King&#8217;s College, transformou sua inf\u00e2ncia em um livro, chamado Run, Hide, Repeat: A memoir of a fugitive childhood (Corra, se esconda, repita: mem\u00f3rias de uma inf\u00e2ncia em fuga, na tradu\u00e7\u00e3o livre para o portugu\u00eas).<br \/>\nEsse texto foi publicado originalmente em 4 de mar\u00e7o de 2018.<br \/>\nV\u00cdDEOS: mais assistidos do g1<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pauline Dakin escreveu um livro sobre sua experi\u00eancia com o transtorno delirante Penguin via BBC Havia algo estranho na fam\u00edlia de Pauline Dakin. &#8220;Meu irm\u00e3o e eu diz\u00edamos: &#8216;O que voc\u00ea acha que est\u00e1 errado com a nossa fam\u00edlia? 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