{"id":63901,"date":"2026-01-11T06:03:19","date_gmt":"2026-01-11T09:03:19","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=63901"},"modified":"2026-01-11T06:03:19","modified_gmt":"2026-01-11T09:03:19","slug":"nunca-pensei-que-fossem-me-atacar-os-sobreviventes-de-ataque-com-missil-durante-bombardeios-dos-eua-a-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=63901","title":{"rendered":"&#8216;Nunca pensei que fossem me atacar&#8217;: os sobreviventes de ataque com m\u00edssil durante bombardeios dos EUA \u00e0 Venezuela"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/KfHm9MUc-kAV7x2lemiL6fMZg2k=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/T\/C\/wTq3RuT8KAkBmPw6b8Nw\/1-reuters-bloco12.jpg\"><br \/>     O impacto do m\u00edssil lan\u00e7ou Wilman Gonz\u00e1lez contra a parede, enquanto sua tia Rosa perdeu a vida.<br \/>\nReuters via BBC<br \/>\nEram 2h da manh\u00e3 quando um m\u00edssil caiu no seu apartamento.<br \/>\n&#8220;A onda explosiva me atirou contra a parede&#8221;, recorda Wilman Gonz\u00e1lez.<br \/>\nCa\u00eddo no ch\u00e3o, ele abriu os bra\u00e7os olhando para o c\u00e9u e se despediu: &#8220;Deus, perdoe todos os meus pecados.&#8221; Naquele momento, &#8220;senti que havia morrido&#8221;, recorda ele.<br \/>\nMas, momentos depois, Gonz\u00e1lez percebeu que tinha enterrada no rosto uma lasca de madeira que havia se soltado da porta.<br \/>\n&#8220;Eu me levantei como pude e fui socorrer meus irm\u00e3os, que estavam aturdidos com o impacto&#8221;, conta o eletricista de 54 anos \u00e0 BBC News Mundo (servi\u00e7o em espanhol da BBC).<br \/>\nAinda com a bochecha direita roxa, ele mal consegue acreditar no que aconteceu com ele e com sua fam\u00edlia no \u00faltimo dia 3 de janeiro, quando as For\u00e7as Armadas norte-americanas atacaram a Venezuela, capturando o presidente Nicol\u00e1s Maduro e sua esposa, Cilia Flores.<br \/>\nExplos\u00f5es s\u00e3o reportadas em Caracas, Venezuela<br \/>\nGonz\u00e1lez morava no Bloco 12, um antigo edif\u00edcio localizado muito perto de uma importante base militar venezuelana, a Academia da Marinha Bolivariana, na cidade litor\u00e2nea de Catia La Mar, a cerca de 35 km de Caracas.<br \/>\nHabitado principalmente por pessoas de idade avan\u00e7ada em um bairro popular, o Bloco 12 \u2014 ou o que resta dele \u2014 agora \u00e9 um s\u00edmbolo de um dos maiores acontecimentos ocorridos na hist\u00f3ria recente da Venezuela: o bombardeio ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.<br \/>\nTrata-se de um dos edif\u00edcios civis atingidos pelo ataque, cujo alvo principal foram instala\u00e7\u00f5es militares e de comunica\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEnquanto Maduro permanece detido em uma pris\u00e3o de Nova York, enfrentando acusa\u00e7\u00f5es relacionadas ao narcoterrorismo, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodr\u00edguez, assumiu esta semana as r\u00e9deas do pa\u00eds, sob a tutela dos Estados Unidos.<br \/>\nO ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, informou que a opera\u00e7\u00e3o americana causou a morte de cerca de 100 pessoas, entre civis e militares.<br \/>\nGonz\u00e1lez \u00e9 um dos sobreviventes. Mas sua tia Rosa, de 79 anos, dormia no quarto ao lado e n\u00e3o teve a mesma sorte. &#8220;Ela come\u00e7ou a gritar &#8216;ai, que dor, que dor no bra\u00e7o'&#8221;, relembra ele.<br \/>\n&#8220;Havia uma m\u00e1quina de lavar em cima dela. Uma m\u00e1quina de lavar que, com o impacto, saiu voando e caiu em cima dela.&#8221;<br \/>\nO sobrinho conseguiu, com dificuldade, retirar a m\u00e1quina e colocar a tia sentada em uma cadeira. Foi neste momento que Rosa disse que n\u00e3o conseguia respirar. Desesperados, os familiares levaram Rosa Gonz\u00e1lez para um hospital, onde recebeu atendimento de urg\u00eancia. Mas, apesar de todos os esfor\u00e7os, era tarde demais.<br \/>\nCom o caix\u00e3o semiaberto para as pessoas se despedirem, dois dias depois do bombardeio, familiares e amigos velaram Rosa Gonz\u00e1lez em uma pequena capela de paredes brancas, em frente a um crucifixo.<br \/>\nWilman Gonz\u00e1lez, agora, mora na casa de um cunhado. Ele para em frente \u00e0quele que antes era o seu lar e olha para os escombros, sem conseguir explica\u00e7\u00e3o para o que aconteceu.<br \/>\n&#8220;Veja como ficou&#8230; N\u00e3o \u00e9 justo, n\u00e3o \u00e9 justo este destino&#8221;, lamenta ele profundamente, enquanto aponta para os restos do Bloco 12.<br \/>\n&#8220;A maior parte do proj\u00e9til ficou no quarto da minha tia.&#8221;<br \/>\nO Bloco 12, onde morreu Rosa Gonz\u00e1lez com o impacto de um m\u00edssil norte-americano.<br \/>\nBBC<br \/>\nEle conta que o governo levou os restos do m\u00edssil americano. Mas o trauma da experi\u00eancia permanece.<br \/>\n&#8220;Estamos assustados, nunca estivemos em uma guerra&#8221;, conta ele, desconsolado.<br \/>\n&#8220;Senhores, n\u00e3o \u00e0 guerra, n\u00e3o \u00e0 guerra! N\u00e3o precisamos da guerra, o que precisamos \u00e9 comer e viver&#8221;, grita Gonz\u00e1lez, com raiva, em frente ao edif\u00edcio.<br \/>\nDiante de seus olhos, est\u00e3o apenas paredes demolidas, vidros quebrados, peda\u00e7os de objetos pessoais e os restos de uma vida que nunca voltar\u00e1 a ser como era antes.<br \/>\nSeu vizinho Jorge Cardona, de 70 anos, estava na sala do seu apartamento quando caiu o m\u00edssil. Ele ouviu de repente um barulho, e logo veio o impacto.<br \/>\n&#8220;Escutei a explos\u00e3o e tudo saiu voando&#8221;, relembra ele.<br \/>\nCardona foi atirado a um corredor. &#8220;A parede do vizinho veio para minha casa e arrancou m\u00f3veis, levou tudo&#8221;.<br \/>\nQuando conseguiu reagir, ele come\u00e7ou a sacudir o p\u00f3 e os escombros que haviam ca\u00eddo sobre seu corpo. Cardona vestiu uma cal\u00e7a rapidamente, colocou os sapatos e foi falar com os vizinhos.<br \/>\n&#8220;Pensei que estivessem nos atacando, mas nunca achei que fossem me atacar&#8221;, afirma ele.<br \/>\nCardona conta que o m\u00edssil &#8220;caiu no teto de cima, no corredor e passou pela janela do banheiro dos vizinhos. Estamos vivos por milagre. Foi algo que se vive s\u00f3 uma vez na vida e s\u00f3 se v\u00ea nos filmes de Hollywood, quando o rapaz se salva.&#8221;<br \/>\nPara o ch\u00e3o, jogue-se no ch\u00e3o!<br \/>\nAeronaves s\u00e3o vistas voando baixo durante explos\u00f5es em Caracas<br \/>\nJes\u00fas Linares tem 48 anos. Ele estava dormindo e foi acordado por um zumbido forte. Sua primeira suposi\u00e7\u00e3o foi que poderiam ser fogos de artif\u00edcio das comemora\u00e7\u00f5es de Ano Novo.<br \/>\nSua filha de 16 anos estava dormindo no mesmo quarto. Quando veio o impacto, ela perguntou: &#8220;Papai, o que est\u00e1 acontecendo?&#8221;<br \/>\nEle respondeu: &#8220;Filha, estamos sendo invadidos.&#8221;<br \/>\nNaquele momento, ele a retirou da cama e, enquanto seguia a caminho do quarto de sua m\u00e3e, sentiu um novo zumbido. Era o m\u00edssil que atingiu o edif\u00edcio, destruindo a entrada principal da casa.<br \/>\n&#8220;A onda de expans\u00e3o me atirou ao ch\u00e3o e senti que algo atingia minha cabe\u00e7a&#8221;, ele conta.<br \/>\n&#8220;Quando me levantei, gritei para minha filha: &#8216;Para o ch\u00e3o, jogue-se no ch\u00e3o!'&#8221;<br \/>\nDescal\u00e7o, ele passou por cima de peda\u00e7os de vidro para procurar sapatos.<br \/>\nConseguiu empacotar um pouco de roupa para ele, sua filha e sua m\u00e3e, de 85 anos.<br \/>\nDepois, entrou no apartamento da sua vizinha e a encontrou ca\u00edda no ch\u00e3o, totalmente desorientada e com feridas no corpo.<br \/>\nCoronel dos bombeiros com 28 anos de servi\u00e7os prestados \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, Linares percebeu que a mulher precisava de ajuda imediata.<br \/>\nE, com um len\u00e7ol, improvisou uma bandagem na cabe\u00e7a e outra na perna, para deter a hemorragia.<br \/>\nFelizmente, sua m\u00e3e e sua filha sofreram apenas traumatismos leves.<br \/>\nRecordando o que aconteceu naquela noite, ele conclui que havia aplicado automaticamente o protocolo usado em caso de terremoto.<br \/>\nIsso permitiu que ele resgatasse sua vizinha com vida e se protegesse com sua fam\u00edlia.<br \/>\nAgora, Jes\u00fas Linares colabora nas tarefas de reconstru\u00e7\u00e3o do Bloco 12 e permanece alojado na casa de um parente, ao lado de sua filha e sua m\u00e3e. Sua expectativa \u00e9 de voltar para casa.<br \/>\nEmbora esteja acostumado a lidar com situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, a queda do m\u00edssil no seu edif\u00edcio deixou sequelas em Linares.<br \/>\nDesde o ataque, ele se levanta todos os dias, perto das 2h da madrugada \u2014 o hor\u00e1rio em que o m\u00edssil atingiu sua resid\u00eancia.<br \/>\nNaquele hor\u00e1rio, &#8220;volta o filme&#8221; e ele recorda o que viveu no dia em que os Estados Unidos atacaram a Venezuela, atingindo a c\u00fapula do poder venezuelano, mas tamb\u00e9m o Bloco 12.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O impacto do m\u00edssil lan\u00e7ou Wilman Gonz\u00e1lez contra a parede, enquanto sua tia Rosa perdeu a vida. Reuters via BBC Eram 2h da manh\u00e3 quando um m\u00edssil caiu no seu apartamento. &#8220;A onda explosiva me atirou contra a parede&#8221;, recorda Wilman Gonz\u00e1lez. 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