{"id":64032,"date":"2026-01-14T06:27:26","date_gmt":"2026-01-14T09:27:26","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=64032"},"modified":"2026-01-14T06:27:26","modified_gmt":"2026-01-14T09:27:26","slug":"aos-19-anos-ele-ja-teve-seis-tipos-de-cancer-entenda-sindrome-que-desativa-o-freio-das-celulas-e-favorece-o-surgimento-de-tumores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=64032","title":{"rendered":"Aos 19 anos, ele j\u00e1 teve seis tipos de c\u00e2ncer; entenda s\u00edndrome que desativa o freio das c\u00e9lulas e favorece o surgimento de tumores"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/rwLRvOuT_BoPGAOgI9eiCp0Fj28=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/e\/v\/J2f6PhR3iZsBermFdpAA\/whatsapp-image-2025-12-26-at-12.40.29-2-.jpeg\"><br \/>     Aos 19 anos, ele j\u00e1 teve seis tipos de c\u00e2ncer<br \/>\nLuis Adolpho Moraes tem 19 anos e seis diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer no prontu\u00e1rio.<br \/>\nO primeiro apareceu aos tr\u00eas anos, como um cisto r\u00edgido na parte interna da coxa. Os outros surgiram ao longo da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia: dois tumores \u00f3sseos, um sarcoma na coxa, uma met\u00e1stase no pulm\u00e3o e, mais recentemente, um adenocarcinoma no intestino.<br \/>\nA sucess\u00e3o de tumores levou os m\u00e9dicos a investigar uma poss\u00edvel predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. O teste realizado ainda na inf\u00e2ncia confirmou a suspeita: s\u00edndrome de Li-Fraumeni, condi\u00e7\u00e3o classificada como rara em grande parte do mundo, mas que aumenta de forma expressiva o risco de c\u00e2ncer ao longo da vida.<br \/>\nNo Brasil, especialmente no Sul e no Sudeste, a s\u00edndrome perdeu o status de raridade. Uma variante espec\u00edfica do gene TP53, identificada em pesquisas nacionais, faz com que 1 em cada 300 pessoas dessas regi\u00f5es carregue uma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que compromete a principal prote\u00edna de defesa do DNA. \u00c9 a maior preval\u00eancia documentada no mundo.<br \/>\nLu\u00eds Adolphom foi diagnosticado com s\u00edndrome de Li-Fraumeni na inf\u00e2ncia.<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nPrimeiros diagn\u00f3sticos<br \/>\nO primeiro tumor de Luis apareceu aos tr\u00eas anos: um rabdomiossarcoma, c\u00e2ncer que se origina em c\u00e9lulas musculares e \u00e9 mais comum em crian\u00e7as. A les\u00e3o exigiu tratamento imediato com quimioterapia e radioterapia, al\u00e9m de acompanhamento intensivo. Durante meses, ele alternou consultas, interna\u00e7\u00f5es e deslocamentos frequentes entre Registro e S\u00e3o Paulo.<br \/>\nQuatro anos depois, aos sete, um novo tumor surgiu \u2014desta vez, um osteossarcoma, c\u00e2ncer \u00f3sseo que costuma acometer f\u00eamur, t\u00edbia e \u00famero e \u00e9 considerado um dos tumores mais caracter\u00edsticos de s\u00edndromes de predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<br \/>\nO tratamento incluiu cirurgias para retirada da \u00e1rea afetada, reconstru\u00e7\u00e3o \u00f3ssea com enxertos e interna\u00e7\u00f5es prolongadas.<br \/>\nA combina\u00e7\u00e3o de dois tumores agressivos, de tipos diferentes e em idades t\u00e3o pr\u00f3ximas, chamou a aten\u00e7\u00e3o da equipe. Em geral, esse padr\u00e3o sugere risco heredit\u00e1rio aumentado e leva \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as que predisp\u00f5em ao c\u00e2ncer desde a inf\u00e2ncia.<br \/>\nLu\u00eds Adolpho teve o primeiro tumor aos tr\u00eas anos<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nMuta\u00e7\u00e3o no &#8216;guardi\u00e3o do genoma&#8217;<br \/>\nFoi depois do segundo tumor que a equipe solicitou um teste gen\u00e9tico detalhado. O resultado confirmou a suspeita: muta\u00e7\u00e3o no TP53, o gene respons\u00e1vel por produzir a prote\u00edna p53 \u2014conhecida na literatura cient\u00edfica como \u201co guardi\u00e3o do genoma\u201d.<br \/>\nA oncogeneticista do Hospital S\u00edrio Liban\u00eas Maria Isabel Achatz, uma das principais refer\u00eancias em Li-Fraumeni no Brasil, explica que o TP53 funciona como uma esp\u00e9cie de instru\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<br \/>\nQuando ele est\u00e1 \u00edntegro, a c\u00e9lula produz corretamente a prote\u00edna p53, que atua como um freio: identifica danos no DNA, interrompe a multiplica\u00e7\u00e3o celular e ativa mecanismos de reparo.<br \/>\nQuando o gene TP53 est\u00e1 alterado, a prote\u00edna p53 deixa de cumprir essa fun\u00e7\u00e3o. Sem esse controle, c\u00e9lulas com erros gen\u00e9ticos continuam se dividindo, o que aumenta a probabilidade de forma\u00e7\u00e3o de tumores em diferentes tecidos \u2014muitas vezes de forma precoce e repetida, como ocorre na s\u00edndrome de Li-Fraumeni.<br \/>\nNo caso de Luis, a muta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 presente na m\u00e3e nem no pai. Ela surgiu pela primeira vez nele \u2014algo que ocorre em cerca de 20% dos pacientes.<br \/>\nLu\u00eds Adolpho na inf\u00e2ncia, entre tratamentos de c\u00e2ncer<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nA s\u00edndrome no Brasil: por que somos o pa\u00eds com mais casos?<br \/>\nNo Brasil, a s\u00edndrome ganhou contornos pr\u00f3prios.<br \/>\nPesquisas coordenadas por Achatz identificaram, no in\u00edcio dos anos 2000, uma variante espec\u00edfica do gene TP53 \u2014 c.1010G&gt;A \u2014 encontrada repetidamente em fam\u00edlias do Sul e Sudeste. Era a mesma muta\u00e7\u00e3o, sempre no mesmo ponto, transmitida h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEstudos posteriores revelaram o motivo: trata-se de uma muta\u00e7\u00e3o fundadora, surgida em um ancestral comum h\u00e1 cerca de 300 anos, e disseminada ao longo das antigas rotas tropeiras.<br \/>\nHoje, essa muta\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran\u00e1 e tamb\u00e9m em regi\u00f5es de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais.<br \/>\nCom isso, a preval\u00eancia da s\u00edndrome nessas regi\u00f5es atingiu n\u00fameros in\u00e9ditos: 1 em cada 300 indiv\u00edduos \u2014uma propor\u00e7\u00e3o muito superior \u00e0 observada em outros pa\u00edses.<br \/>\nIsso significa que o Brasil concentra a maior popula\u00e7\u00e3o de pessoas com predisposi\u00e7\u00e3o para Li-Fraumeni no mundo, ainda que a maioria n\u00e3o saiba que carrega a muta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nLuis Adolpho, Li-Fraumeni<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nSequ\u00eancias de diagn\u00f3sticos e tratamentos<br \/>\nAos 12 anos, Luis enfrentou o terceiro tumor \u2014um sarcoma agressivo no f\u00eamur direito. N\u00e3o havia margem de seguran\u00e7a para preserva\u00e7\u00e3o do membro. A equipe prop\u00f4s amputar a perna acima do joelho.<br \/>\nA m\u00e3e se desesperou, mas o menino respondeu com objetividade: \u201cPrefiro perder a perna do que perder tempo de vida.\u201d<br \/>\nAp\u00f3s a cirurgia, passou meses em reabilita\u00e7\u00e3o at\u00e9 se adaptar \u00e0 pr\u00f3tese. O per\u00edodo n\u00e3o interrompeu sua rotina escolar, nem sua disposi\u00e7\u00e3o para recuperar mobilidade.<br \/>\nUm ano depois, aos 13, surgiu um novo diagn\u00f3stico: um tumor \u00f3sseo no joelho esquerdo. As bi\u00f3psias e an\u00e1lises iniciais n\u00e3o conseguiram definir com precis\u00e3o o tipo do c\u00e2ncer \u2014um cen\u00e1rio comum em pacientes com a s\u00edndrome de Li-Fraumeni, em que os tumores podem ter comportamento at\u00edpico. Diante do risco, a equipe optou por tratar a les\u00e3o como um osteossarcoma.<br \/>\nPouco tempo depois, uma met\u00e1stase foi identificada no pulm\u00e3o.<br \/>\nA les\u00e3o foi removida por cirurgia. A equipe optou por n\u00e3o indicar quimioterapia adicional para evitar exposi\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria, j\u00e1 que alguns quimioter\u00e1picos podem aumentar o risco de novos tumores em quem tem TP53 alterado.<br \/>\nOncologista do grupo Oncocl\u00ednicas e da Americas Health Foundation, Stephen Stefani explica que o equil\u00edbrio terap\u00eautico \u00e9 delicado. Pacientes com Li-Fraumeni precisam de interven\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, mas tamb\u00e9m de cautela: cada exposi\u00e7\u00e3o a radia\u00e7\u00e3o ou certos agentes quimioter\u00e1picos pode, paradoxalmente, estimular novos tumores. \u00c9 uma medicina de precis\u00e3o aplicada \u00e0 pr\u00e1tica cotidiana.<br \/>\nNo fim de 2023, durante uma colonoscopia de rotina \u2014exame obrigat\u00f3rio no protocolo de Li-Fraumeni\u2014, um p\u00f3lipo suspeito foi detectado no intestino. A bi\u00f3psia confirmou o sexto diagn\u00f3stico: um adenocarcinoma em est\u00e1gio inicial.<br \/>\nLuis recebeu a not\u00edcia com a mesma postura que marcou os diagn\u00f3sticos anteriores. N\u00e3o dramatizou nem minimizou. Passou por cirurgia e retomou o protocolo de rastreamento.<br \/>\nVida na s\u00edndrome: acompanhar para antecipar<br \/>\nO acompanhamento de quem tem Li-Fraumeni \u00e9 cont\u00ednuo e estruturado.<br \/>\n O protocolo mais utilizado \u00e9 o Protocolo de Toronto, que inclui:<br \/>\nresson\u00e2ncia magn\u00e9tica de corpo inteiro a cada seis meses;<br \/>\nultrassonografias direcionadas;<br \/>\nexames espec\u00edficos para mama, abdome, c\u00e9rebro e tireoide;<br \/>\nexames de sangue peri\u00f3dicos;<br \/>\nconsultas regulares com equipe de gen\u00e9tica e oncologia.<br \/>\nLu\u00eds Adolpho durante tratamento oncol\u00f3gico na inf\u00e2ncia<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nA vida sob vigil\u00e2ncia permanente<br \/>\nA s\u00edndrome de Li-Fraumeni n\u00e3o tem cura. O manejo da doen\u00e7a depende da capacidade de identificar tumores muito cedo, antes de sintomas. Por isso, o acompanhamento n\u00e3o \u00e9 opcional: envolve vigil\u00e2ncia estruturada, com exames de imagem peri\u00f3dicos e avalia\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas regulares.<br \/>\nPara os especialistas ouvidos pela reportagem, esse monitoramento \u00e9 o principal fator capaz de alterar o progn\u00f3stico, j\u00e1 que a falha no gene TP53 aumenta o risco de tumores novos ao longo de toda a vida.<br \/>\nA s\u00edndrome tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es familiares. Em geral, quando um dos pais carrega a muta\u00e7\u00e3o, cada filho tem 50% de chance de herd\u00e1-la, porque basta uma \u00fanica c\u00f3pia alterada do gene para que o risco se manifeste.<br \/>\nEm cerca de 20% dos casos, por\u00e9m, a altera\u00e7\u00e3o surge pela primeira vez no indiv\u00edduo, por um erro espont\u00e2neo na forma\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria \u2014as chamadas muta\u00e7\u00f5es de novo, como aconteceu com Luis. Testes gen\u00e9ticos confirmaram que ele \u00e9 o primeiro da fam\u00edlia com Li-Fraumeni.<br \/>\nRastreamento insuficiente e diagn\u00f3sticos tardios<br \/>\nNo Brasil, a alta preval\u00eancia da s\u00edndrome n\u00e3o se traduz em vigil\u00e2ncia adequada. A maior parte dos pacientes s\u00f3 recebe o diagn\u00f3stico depois de desenvolver m\u00faltiplos tumores, quando a doen\u00e7a j\u00e1 avan\u00e7ou e quando procedimentos mais invasivos se tornam inevit\u00e1veis.<br \/>\nUm estudo publicado no The Lancet Regional Health \u2013 Americas refor\u00e7a essa lacuna. A pesquisa analisou 1.000 portadores da muta\u00e7\u00e3o TP53 p.R337H, comum no Sul e Sudeste, e comparou dois cen\u00e1rios: acompanhamento estruturado pelo Protocolo de Toronto versus aus\u00eancia de vigil\u00e2ncia.<br \/>\nO rastreamento ativo \u2014que inclui resson\u00e2ncia de corpo inteiro, exames direcionados e consultas peri\u00f3dicas\u2014 aumentou a sobrevida m\u00e9dia em 3 a 4 anos e mostrou ser custo-efetivo para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade. O trabalho tamb\u00e9m confirma que os tumores na s\u00edndrome surgem cedo, com alta taxa de repeti\u00e7\u00e3o, e que a detec\u00e7\u00e3o precoce altera de forma significativa o desfecho cl\u00ednico.<br \/>\nApesar disso, os m\u00e9dicos afirmam que grande parte dos brasileiros com muta\u00e7\u00f5es em TP53 permanece sem diagn\u00f3stico e sem acesso ao acompanhamento regular recomendado.<br \/>\nEles refor\u00e7am que ampliar o acesso ao teste gen\u00e9tico e implementar protocolos de vigil\u00e2ncia cont\u00ednua s\u00e3o passos essenciais para reduzir diagn\u00f3sticos tardios e evitar tratamentos mais agressivos.<br \/>\nConhe\u00e7a a s\u00edndrome de Li-Fraumeni<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 19 anos, ele j\u00e1 teve seis tipos de c\u00e2ncer Luis Adolpho Moraes tem 19 anos e seis diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer no prontu\u00e1rio. O primeiro apareceu aos tr\u00eas anos, como um cisto r\u00edgido na parte interna da coxa. 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