{"id":64171,"date":"2026-01-17T06:31:28","date_gmt":"2026-01-17T09:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=64171"},"modified":"2026-01-17T06:31:28","modified_gmt":"2026-01-17T09:31:28","slug":"cinco-anos-depois-da-1a-dose-de-vacina-contra-a-covid-19-no-brasil-como-a-pandemia-impulsionou-a-revolucao-do-mrna-na-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=64171","title":{"rendered":"Cinco anos depois da 1\u00aa dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil: como a pandemia impulsionou a revolu\u00e7\u00e3o do mRNA na ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/Edf-0zzLLvP9Ez7PE8S13tyVDJ4=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/h\/t\/GeUltMR6mbBrAfHkCPFQ\/fta20211006076.jpg\"><br \/>     Vacina para prevenir c\u00e2ncer de pulm\u00e3o inicia estudos em humanos<br \/>\nEm 17 de janeiro de 2021, uma enfermeira foi vacinada em S\u00e3o Paulo e entrou para a hist\u00f3ria como a primeira pessoa a receber uma dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil &#8211;\u00e0 \u00e9poca, um imunizante de tecnologia tradicional.<br \/>\nCinco anos depois, aquele gesto simb\u00f3lico marcaria tamb\u00e9m o in\u00edcio de uma mudan\u00e7a profunda na forma como a ci\u00eancia pensa, desenvolve e testa vacinas \u2014impulsionada sobretudo pela consolida\u00e7\u00e3o das tecnologias de RNA mensageiro.<br \/>\nAt\u00e9 ent\u00e3o, as vacinas usadas em larga escala seguiam princ\u00edpios cl\u00e1ssicos: v\u00edrus inativados, microrganismos vivos atenuados ou fragmentos proteicos produzidos em laborat\u00f3rio.<br \/>\nAs vacinas de mRNA romperam essa l\u00f3gica. Em vez de apresentar o \u201cinimigo\u201d pronto ao sistema imunol\u00f3gico, passaram a entregar apenas a instru\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para que o pr\u00f3prio organismo produzisse, por um curto per\u00edodo, uma prote\u00edna semelhante \u00e0 do v\u00edrus \u2014suficiente para treinar as defesas do corpo.<br \/>\n\u201c\u00c9 uma mudan\u00e7a de paradigma\u201d, resume o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (SBIm), Renato Kfouri.<br \/>\n\u201cAs vacinas tradicionais levam ao organismo o v\u00edrus inteiro, morto ou enfraquecido, ou partes dele. O RNA mensageiro leva apenas a mensagem. O corpo produz a prote\u00edna, reconhece aquilo como estranho e monta a resposta imunol\u00f3gica.\u201d<br \/>\nA enfermeira Monica Calazans, que foi a primeira pessoa vacinada no pa\u00eds, recebe recebe a vacina de refor\u00e7o nesta quarta-feira (6).<br \/>\nALOISIO MAURICIO\/FOTOARENA\/ESTAD\u00c3O CONTE\u00daDO<br \/>\nUma mensagem tempor\u00e1ria (e segura)<br \/>\nUma das d\u00favidas que cercaram as vacinas de mRNA desde o in\u00edcio foi o temor de que esse material gen\u00e9tico pudesse alterar o DNA humano. A ci\u00eancia mostrou que isso n\u00e3o acontece.<br \/>\n\u201cO RNA n\u00e3o entra no n\u00facleo da c\u00e9lula, onde fica o DNA\u201d, explica Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador cient\u00edfico da Sociedade Brasileira de Infectologia. \u201cEle atua no citoplasma, como um recado tempor\u00e1rio. A c\u00e9lula l\u00ea a instru\u00e7\u00e3o, executa a tarefa e o RNA \u00e9 rapidamente destru\u00eddo.\u201d<br \/>\nEssa caracter\u00edstica, longe de ser um problema, \u00e9 vista como uma vantagem de seguran\u00e7a. \u201cO organismo trata o RNA como um bilhete de uso \u00fanico\u201d, compara o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncocl\u00ednicas e da Americas Health Foundation.<br \/>\n\u201cSe ele fosse est\u00e1vel demais, a c\u00e9lula ficaria presa a ordens antigas. O que fica n\u00e3o \u00e9 o RNA, mas a mem\u00f3ria imunol\u00f3gica.\u201d<br \/>\nA vacina vira plataforma<br \/>\nA pandemia funcionou como um teste em escala in\u00e9dita. Milh\u00f5es de pessoas vacinadas, monitoramento cont\u00ednuo e dados robustos permitiram responder, em tempo real, a quest\u00f5es de efic\u00e1cia e seguran\u00e7a.<br \/>\nUm estudo franc\u00eas publicado em 2025 no JAMA Network Open, que acompanhou cerca de 28 milh\u00f5es de pessoas por quatro anos, mostrou que indiv\u00edduos vacinados com imunizantes de RNA tiveram menor risco de morte por Covid-19 grave e nenhum aumento da mortalidade geral no longo prazo. Os dados refor\u00e7aram a seguran\u00e7a da tecnologia em n\u00edvel populacional.<br \/>\nMais do que confirmar a efic\u00e1cia contra a Covid-19, a experi\u00eancia transformou o RNA mensageiro em algo maior: uma plataforma reutiliz\u00e1vel.<br \/>\n\u201cAntes, cada vacina era quase um projeto artesanal\u201d, diz Stefani. \u201cCom o RNA, o processo \u00e9 o mesmo; o que muda \u00e9 o \u2018texto da receita\u2019. Isso encurtou drasticamente o caminho cient\u00edfico. O gargalo deixou de ser a biologia e passou a ser regula\u00e7\u00e3o, escala e distribui\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nEssa flexibilidade permitiu, por exemplo, que vacinas fossem ajustadas rapidamente diante do surgimento de variantes do coronav\u00edrus \u2014um aprendizado que agora orienta o desenvolvimento de imunizantes para outros v\u00edrus.<br \/>\nGestantes e pu\u00e9rperas podem receber vacina bivalente Pfizer sem agendamento em Piracicaba (SP).<br \/>\nFelipe Poleti<br \/>\nNovas vacinas no horizonte<br \/>\nCinco anos depois, a plataforma de RNA j\u00e1 n\u00e3o se restringe \u00e0 Covid-19. H\u00e1 vacinas aprovadas ou em fases avan\u00e7adas de estudo contra o v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio (VSR), respons\u00e1vel por quadros graves de bronquiolite em idosos, al\u00e9m de candidatas contra gripe, influenza sazonal e outros agentes infecciosos.<br \/>\n\u201cA grande vantagem \u00e9 a velocidade\u201d, explica Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es. \u201cEm duas a quatro semanas, \u00e9 poss\u00edvel adaptar a composi\u00e7\u00e3o da vacina. Isso muda completamente a resposta a surtos e epidemias futuras.\u201d<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m pesquisas em andamento para doen\u00e7as que h\u00e1 d\u00e9cadas desafiam a ci\u00eancia, como tuberculose, mal\u00e1ria, dengue e chikungunya. \u201cN\u00e3o significa que todas essas vacinas chegar\u00e3o ao mercado rapidamente\u201d, pondera Kfouri. \u201cMas a plataforma abriu portas que antes simplesmente n\u00e3o existiam.\u201d<br \/>\nVacina contra c\u00e2ncer de pele \u00e9 desenvolvida na Inglaterra.<br \/>\nTV Globo\/Reprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\nVacina que trata<br \/>\nTalvez a fronteira mais inovadora do RNA mensageiro esteja fora das doen\u00e7as infecciosas. No c\u00e2ncer, ele vem sendo estudado como vacina terap\u00eautica, n\u00e3o preventiva.<br \/>\n\u201cNesse caso, n\u00e3o se trata de evitar que o c\u00e2ncer surja, mas de ensinar o sistema imunol\u00f3gico a reconhecer c\u00e9lulas tumorais que j\u00e1 est\u00e3o no corpo\u201d, explica Stefani. \u201c\u00c9 menos um escudo e mais um m\u00edssil guiado.\u201d<br \/>\nEssas vacinas s\u00e3o, em muitos casos, personalizadas. A partir do sequenciamento gen\u00e9tico do tumor de um paciente, pesquisadores identificam muta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas \u2014os chamados neoant\u00edgenos\u2014 e produzem uma vacina sob medida, com instru\u00e7\u00f5es para que o organismo ataque aquele alvo.<br \/>\nOs estudos mais avan\u00e7ados est\u00e3o em c\u00e2ncer de melanoma, pulm\u00e3o e mama. Os resultados iniciais indicam redu\u00e7\u00e3o do risco de recidiva e maior tempo livre da doen\u00e7a, embora os impactos em sobrevida global ainda estejam sendo avaliados em estudos de fase 3.<br \/>\nUm legado que vai al\u00e9m da pandemia<br \/>\nA consolida\u00e7\u00e3o das vacinas de RNA tamb\u00e9m deixou li\u00e7\u00f5es fora do laborat\u00f3rio. A integra\u00e7\u00e3o entre universidades, ind\u00fastria, ag\u00eancias regulat\u00f3rias e sistemas de sa\u00fade nunca foi t\u00e3o intensa. Ao mesmo tempo, a tecnologia passou a enfrentar desafios que n\u00e3o s\u00e3o cient\u00edficos, mas sociais.<br \/>\n\u201cAs vacinas de RNA talvez tenham sido as mais afetadas pela desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, alerta Juarez Cunha. \u201cIsso impacta a confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o e, indiretamente, o financiamento de pesquisas.\u201d<br \/>\nAinda assim, cinco anos ap\u00f3s a primeira dose aplicada no Brasil, o saldo cient\u00edfico \u00e9 real:<br \/>\n \u201cA pandemia n\u00e3o inventou o RNA mensageiro\u201d, diz Naime. \u201cMas mostrou que ele estava pronto. E, a partir dali, a ci\u00eancia das vacinas nunca mais voltou ao ponto de partida.\u201d<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vacina para prevenir c\u00e2ncer de pulm\u00e3o inicia estudos em humanos Em 17 de janeiro de 2021, uma enfermeira foi vacinada em S\u00e3o Paulo e entrou para a hist\u00f3ria como a primeira pessoa a receber uma dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil &#8211;\u00e0 \u00e9poca, um imunizante de tecnologia tradicional. 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