{"id":64298,"date":"2026-01-20T06:25:04","date_gmt":"2026-01-20T09:25:04","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=64298"},"modified":"2026-01-20T06:25:04","modified_gmt":"2026-01-20T09:25:04","slug":"sono-em-u-a-curva-perigosa-que-liga-poucas-e-muitas-horas-de-sono-a-doencas-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=64298","title":{"rendered":"&#8216;Sono em U&#8217;: a curva perigosa que liga poucas (e muitas) horas de sono a doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/z-PnmDlA-B6OfbyefFZeSye4PZ0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/k\/t\/m4nIvsTr2Ob7BWP0BGvA\/adobestock-280351444-1-.jpeg\"><br \/>     g1 em 1 minuto: Falta de sono \u00e9 o que mais reduz a expectativa de vida depois do cigarro<br \/>\nDormir pouco faz mal ao cora\u00e7\u00e3o \u2014isso a ci\u00eancia j\u00e1 reconhece h\u00e1 anos. O que vem ficando cada vez mais claro \u00e9 que dormir demais tamb\u00e9m pode ser um sinal de risco.<br \/>\nEstudos populacionais e pesquisas com exames de imagem mostram que a rela\u00e7\u00e3o entre sono e sa\u00fade cardiovascular segue uma curva em \u201cU\u201d: o risco de infarto, AVC e outras doen\u00e7as cresce tanto entre quem dorme pouco quanto entre quem dorme em excesso.<br \/>\nNo ponto mais baixo dessa curva, onde o risco \u00e9 menor, aparecem de forma consistente as pessoas que dormem entre 7 e 8 horas por noite. \u00c9 nesse intervalo que o organismo consegue manter melhor controle da press\u00e3o arterial, do metabolismo da glicose, da inflama\u00e7\u00e3o e do funcionamento das art\u00e9rias.<br \/>\nCardiologista do Hospital Quali Ipanema e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Jo\u00e3o Luiz Frighetto explica que o impacto do sono sobre o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 direto, mas cumulativo.<br \/>\n\u201cDormir mal aumenta o risco cardiovascular porque se associa a hipertens\u00e3o, diabetes e obesidade. Esses fatores acabam se somando ao longo dos anos\u201d, afirma.<br \/>\nExcesso de telas e falta de rotina s\u00e3o apontados como os maiores desafios para dormir bem, segundo especialistas<br \/>\nAdobe Stock<br \/>\nSono entrou de vez na preven\u00e7\u00e3o cardiovascular<br \/>\nDurante d\u00e9cadas, dieta e atividade f\u00edsica dominaram o debate sobre preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o. Esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar nos anos 2000, quando grandes estudos populacionais passaram a mostrar que a m\u00e1 qualidade do sono se associava a maior risco de hipertens\u00e3o, infarto, AVC e arritmias.<br \/>\nProfessora livre-docente de Cardiologia pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Fatima Dumas Cintra explica que um marco importante foi um estudo publicado em 2005 que acompanhou pacientes com apneia obstrutiva do sono ao longo do tempo.<br \/>\n\u201cOs autores demonstraram que indiv\u00edduos com apneia n\u00e3o tratada apresentavam maior incid\u00eancia de eventos cardiovasculares fatais e n\u00e3o fatais, como infarto e AVC\u201d, detalha.<br \/>\nA consolida\u00e7\u00e3o desse conhecimento levou, em 2022, \u00e0 inclus\u00e3o do sono como um dos pilares da sa\u00fade cardiovascular no conceito Life\u2019s Essential 8, da American Heart Association \u2014ao lado de alimenta\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica, controle da press\u00e3o, do colesterol, da glicemia, do peso e do tabagismo.<\/p>\n<p>Adobe Stock<br \/>\nDormir pouco: um ataque silencioso \u00e0s art\u00e9rias<br \/>\nDormir menos de seis horas por noite provoca uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas que sobrecarregam o sistema cardiovascular. H\u00e1 aumento da atividade do sistema nervoso simp\u00e1tico, maior libera\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios do estresse, eleva\u00e7\u00e3o sustentada da press\u00e3o arterial e pior controle do a\u00e7\u00facar no sangue.<br \/>\nEsses mecanismos ajudam a explicar os achados de um estudo publicado em 2019 no Journal of the American College of Cardiology, que identificou maior presen\u00e7a de aterosclerose subcl\u00ednica \u2014placas de gordura nas art\u00e9rias antes do surgimento de sintomas\u2014 em pessoas que dormiam pouco, mesmo sendo aparentemente saud\u00e1veis.<br \/>\nPara Elzo Mattar, cardiologista e coordenador geral da Sociedade de Cardiologia do Estado de S\u00e3o Paulo (Socesp), o problema \u00e9 que esses danos costumam evoluir de forma silenciosa.<br \/>\n\u201cO sono curto pode elevar press\u00e3o, inflama\u00e7\u00e3o e alterar o metabolismo mesmo em pessoas jovens. Os efeitos n\u00e3o aparecem de imediato, mas se acumulam ao longo dos anos\u201d, diz.<br \/>\nPor que dormir demais tamb\u00e9m entra na curva de risco<br \/>\nSe dormir pouco faz mal, dormir demais n\u00e3o significa, necessariamente, prote\u00e7\u00e3o. Uma meta-an\u00e1lise publicada em 2022 na revista Frontiers in Cardiovascular Medicine, que reuniu dados de cerca de 3,8 milh\u00f5es de participantes, mostrou que o sono prolongado \u2014acima de nove horas por noite\u2014 tamb\u00e9m se associa a maior risco de doen\u00e7as cardiovasculares e cerebrovasculares, quando comparado ao intervalo de 7 a 8 horas.<br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o dos especialistas, esse excesso raramente \u00e9 a causa direta do problema. \u201cNa maioria das vezes, dormir demais \u00e9 um marcador de outras condi\u00e7\u00f5es, como depress\u00e3o, sedentarismo, inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ou dist\u00farbios do sono, especialmente a apneia\u201d, explica Fatima.<br \/>\nOs estudos apontam alguns caminhos mais concretos para essa associa\u00e7\u00e3o. Um deles \u00e9 a maior preval\u00eancia de apneia obstrutiva do sono entre pessoas que dormem muitas horas.<br \/>\nNesses casos, o sono \u00e9 longo, mas n\u00e3o \u00e9 reparador: h\u00e1 m\u00faltiplas interrup\u00e7\u00f5es da respira\u00e7\u00e3o, quedas repetidas de oxigena\u00e7\u00e3o, picos de press\u00e3o arterial e ativa\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria durante a noite \u2014mecanismos diretamente ligados ao risco cardiovascular.<br \/>\nOutra explica\u00e7\u00e3o consistente \u00e9 o v\u00ednculo entre sono prolongado e inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. Pesquisas observacionais mostram que pessoas que dormem mais de nove horas tendem a apresentar n\u00edveis mais elevados de marcadores inflamat\u00f3rios, como prote\u00edna C-reativa, inflama\u00e7\u00e3o que contribui para a disfun\u00e7\u00e3o endotelial e o avan\u00e7o da aterosclerose.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o sono excessivo aparece com mais frequ\u00eancia em indiv\u00edduos com menor n\u00edvel de atividade f\u00edsica, maior fragilidade cl\u00ednica e mais doen\u00e7as cr\u00f4nicas, fatores que, isoladamente, j\u00e1 aumentam o risco de eventos cardiovasculares.<br \/>\nEm idosos, por exemplo, dormir muito pode refletir perda de autonomia, sarcopenia e pior condi\u00e7\u00e3o cardiometab\u00f3lica.<br \/>\nH\u00e1 ainda evid\u00eancias de associa\u00e7\u00e3o entre sono prolongado e altera\u00e7\u00f5es do sistema nervoso aut\u00f4nomo, com maior predomin\u00e2ncia do t\u00f4nus parassimp\u00e1tico, o que pode favorecer arritmias, como a fibrila\u00e7\u00e3o atrial, especialmente em popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis \u2014um fen\u00f4meno descrito em estudos observacionais sobre sono e ritmo card\u00edaco.<\/p>\n<p>Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nQualidade e regularidade tamb\u00e9m contam<br \/>\nA ci\u00eancia do sono vem mostrando que n\u00e3o basta olhar apenas para o n\u00famero de horas dormidas. A fragmenta\u00e7\u00e3o do sono \u2014acordar v\u00e1rias vezes \u00e0 noite\u2014 pode ser t\u00e3o prejudicial quanto dormir pouco.<br \/>\nCardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Card\u00edacas, Cristiano Pisani explica que cada despertar noturno provoca um pequeno \u201cchoque\u201d no sistema cardiovascular.<br \/>\n\u201cH\u00e1 surtos repetidos de ativa\u00e7\u00e3o do sistema nervoso simp\u00e1tico, com aumento da frequ\u00eancia card\u00edaca e da press\u00e3o. A longo prazo, isso se associa a hipertens\u00e3o e arritmias, como a fibrila\u00e7\u00e3o atrial\u201d, afirma.<br \/>\nAl\u00e9m disso, dormir e acordar em hor\u00e1rios muito irregulares desorganiza o ritmo circadiano  \u2014o rel\u00f3gio biol\u00f3gico\u2014 e se associa a maior inflama\u00e7\u00e3o e pior controle da press\u00e3o arterial, mesmo em quem dorme um n\u00famero aparentemente adequado de horas.<br \/>\nOs especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes em dizer que problemas persistentes de sono n\u00e3o devem ser normalizados. Ronco alto, pausas respirat\u00f3rias durante a noite, sonol\u00eancia excessiva durante o dia, cansa\u00e7o ao acordar e ins\u00f4nia frequente s\u00e3o sinais de alerta.<br \/>\n\u201cNessas situa\u00e7\u00f5es, investigar o sono pode fazer diferen\u00e7a real na preven\u00e7\u00e3o de infarto e AVC\u201d, diz Elzo Mattar.<br \/>\nChecklist b\u00e1sico de sono saud\u00e1vel para o cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nDormir, em m\u00e9dia, de 7 a 9 horas por noite.<br \/>\nManter hor\u00e1rios regulares para dormir e acordar.<br \/>\nEvitar telas, cafe\u00edna e \u00e1lcool \u00e0 noite.<br \/>\nDormir em ambiente escuro, silencioso e confort\u00e1vel.<br \/>\nProcurar avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica em caso de ronco, apneia ou sonol\u00eancia excessiva.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>g1 em 1 minuto: Falta de sono \u00e9 o que mais reduz a expectativa de vida depois do cigarro Dormir pouco faz mal ao cora\u00e7\u00e3o \u2014isso a ci\u00eancia j\u00e1 reconhece h\u00e1 anos. 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