{"id":65170,"date":"2026-02-08T06:05:48","date_gmt":"2026-02-08T09:05:48","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65170"},"modified":"2026-02-08T06:05:48","modified_gmt":"2026-02-08T09:05:48","slug":"homens-desenvolvem-doencas-do-coracao-ate-10-anos-antes-das-mulheres-risco-cresce-a-partir-dos-35","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65170","title":{"rendered":"Homens desenvolvem doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o at\u00e9 10 anos antes das mulheres; risco cresce a partir dos 35"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/bj3_t6xj3C0G1A7aJkqgOAI586A=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/4\/R\/ups2h5R1eCZ5V7bCDtww\/young-man-feeling-sick-holding-his-chest-pain-while-drinking-tea-living-room-1-.jpg\"><br \/>     O risco das doen\u00e7as cardiovasculares<br \/>\nHomens come\u00e7am a desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares anos antes das mulheres \u2014e essa diferen\u00e7a surge mais cedo do que se imaginava. Um estudo que acompanhou mais de 5 mil pessoas por mais de 30 anos mostra que o risco passa a divergir por volta dos 35 anos, sobretudo por causa da doen\u00e7a coronariana, relacionada ao entupimento das art\u00e9rias que irrigam o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA pesquisa foi publicada na semana passada no Journal of the American Heart Association e analisou dados do estudo CARDIA (Coronary Artery Risk Development in Young Adults), uma das maiores coortes de acompanhamento de adultos desde a juventude nos Estados Unidos. Os participantes tinham entre 18 e 30 anos quando entraram no estudo, nos anos 1980, e foram seguidos at\u00e9 a meia-idade.<br \/>\nAo longo desse per\u00edodo, os pesquisadores observaram que os homens desenvolveram doen\u00e7as cardiovasculares, em m\u00e9dia, sete anos antes das mulheres. Quando o foco se restringe \u00e0 doen\u00e7a coronariana \u2014principal causa de infarto\u2014 a diferen\u00e7a aumenta: o in\u00edcio ocorre cerca de dez anos mais cedo nos homens.<br \/>\nMais do que confirmar um padr\u00e3o j\u00e1 conhecido, o estudo detalha quando essa diferen\u00e7a aparece. As curvas de eventos cardiovasculares come\u00e7am a se separar de forma consistente a partir dos 35 anos, e seguem se distanciando ao longo da vida adulta.<br \/>\nSegundo os autores, esse achado permanece mesmo ap\u00f3s o ajuste para fatores cl\u00e1ssicos de risco, como press\u00e3o alta, colesterol elevado, glicemia e h\u00e1bitos de vida \u2014o que sugere que a diferen\u00e7a entre homens e mulheres n\u00e3o \u00e9 explicada apenas por esses fatores.<br \/>\nPadr\u00e3o antigo, dados contempor\u00e2neos<br \/>\nPara especialistas ouvidos pelo g1, os resultados refor\u00e7am um conhecimento hist\u00f3rico da cardiologia, mas com uma base mais s\u00f3lida e atual.<br \/>\n\u201cO estudo refor\u00e7a um dado epidemiol\u00f3gico que a gente j\u00e1 conhecia, de que os homens desenvolvem doen\u00e7as cardiovasculares de forma mais precoce. A import\u00e2ncia aqui \u00e9 confirmar isso em uma coorte contempor\u00e2nea, acompanhada desde a juventude\u201d, explica Henrique Trombini Pinesi, m\u00e9dico-pesquisador da Unidade Cl\u00ednica de Aterosclerose do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor) e cardiologista da Cl\u00ednica Sartor.<br \/>\nO trabalho tamb\u00e9m ajuda a esclarecer por que a diferen\u00e7a entre os sexos \u00e9 mais marcada na doen\u00e7a coronariana do que em outros tipos de problemas cardiovasculares. Para acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo, n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa entre homens e mulheres nas idades analisadas. J\u00e1 a insufici\u00eancia card\u00edaca s\u00f3 passou a divergir em idades mais avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>Freepik<br \/>\nO papel dos horm\u00f4nios<br \/>\nA prote\u00e7\u00e3o feminina observada nas primeiras d\u00e9cadas da vida adulta est\u00e1 ligada, em grande parte, \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios sexuais.<br \/>\n\u201cDurante o per\u00edodo f\u00e9rtil, a mulher apresenta uma melhora do perfil do colesterol e uma prote\u00e7\u00e3o dos vasos sangu\u00edneos por conta dos horm\u00f4nios femininos. Com a menopausa, essa prote\u00e7\u00e3o diminui e o risco cardiovascular aumenta, at\u00e9 se aproximar do observado nos homens\u201d, afirma Pinesi.<br \/>\nRicardo Katayose, cirurgi\u00e3o cardiovascular da BP \u2013 A Benefic\u00eancia Portuguesa de S\u00e3o Paulo, destaca que essa prote\u00e7\u00e3o hormonal explica boa parte do atraso, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator envolvido.<br \/>\n\u201cO estrog\u00eanio tem a\u00e7\u00e3o antioxidante, ajuda a manter a elasticidade dos vasos e melhora o controle lip\u00eddico. Isso explica grande parte da diferen\u00e7a, mas tamb\u00e9m existe uma quest\u00e3o cultural: mulheres tendem a procurar mais o m\u00e9dico e fazer mais exames preventivos\u201d, diz.<br \/>\nO pr\u00f3prio estudo chama aten\u00e7\u00e3o para isso. Mesmo ap\u00f3s levar em conta indicadores de sa\u00fade cardiovascular ao longo da vida, a diferen\u00e7a entre os sexos persistiu \u2014sinal de que fatores biol\u00f3gicos, comportamentais e sociais se combinam.<br \/>\nA virada silenciosa aos 35 anos<br \/>\nO dado mais sens\u00edvel do estudo, segundo os especialistas, \u00e9 o momento em que o risco come\u00e7a a se separar.<br \/>\n\u201cO que mais chama a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o fato de os homens adoecerem mais cedo, mas o ponto em que essa diferen\u00e7a surge. Aos 35 anos, isso fica muito claro nos dados\u201d, afirma Katayose. \u201cEsse \u00e9 um estudo que come\u00e7ou ainda na juventude, o que d\u00e1 muita for\u00e7a a esse achado.\u201d<br \/>\nA partir dessa idade, as taxas de eventos cardiovasculares em um horizonte de dez anos passam a ser significativamente maiores entre os homens. Para os pesquisadores, isso indica que a quarta d\u00e9cada de vida \u00e9 um per\u00edodo cr\u00edtico para a preven\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSintomas de infarto s\u00e3o mais sutis em mulheres.<br \/>\nFreepik<br \/>\nPreven\u00e7\u00e3o precisa come\u00e7ar antes<br \/>\nNa pr\u00e1tica, os achados refor\u00e7am a necessidade de antecipar o olhar para o risco cardiovascular, especialmente entre homens jovens \u2014mesmo na aus\u00eancia de sintomas.<br \/>\n\u201cAntes dos 40 anos, \u00e9 fundamental medir press\u00e3o arterial, avaliar peso e \u00edndice de massa corporal, fazer exames de sangue para glicemia, colesterol total e fra\u00e7\u00f5es, triglic\u00e9rides. S\u00e3o exames simples, mas essenciais para identificar fatores de risco precocemente\u201d, orienta Pinesi.<br \/>\nO estudo refor\u00e7a uma mudan\u00e7a de postura, segundo Louis Nakayama Ohe, cardiologista e chefe da Hemodin\u00e2mica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.<br \/>\n\u201cIsso significa que investiga\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o e tratamento nos homens devem come\u00e7ar cada vez mais cedo. Mesmo pacientes jovens, que se consideram saud\u00e1veis, precisam olhar com aten\u00e7\u00e3o para seus h\u00e1bitos e fatores de risco\u201d, afirma.<br \/>\nSegundo ele, o risco deixa de ser baixo quando h\u00e1 hist\u00f3rico familiar ou m\u00faltiplos fatores associados, como hipertens\u00e3o, diabetes, colesterol elevado e tabagismo \u2014cen\u00e1rio cada vez mais comum em idades precoces.<br \/>\nCuidado para n\u00e3o minimizar o risco nas mulheres<br \/>\nOs especialistas tamb\u00e9m fazem um alerta importante: os dados n\u00e3o significam que mulheres estejam protegidas contra doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cExiste o risco de interpretar esses resultados como se mulheres n\u00e3o infartassem cedo, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Isso pode levar \u00e0 subvaloriza\u00e7\u00e3o de sintomas e ao subtratamento de fatores de risco\u201d, alerta Ohe.<br \/>\nPinesi refor\u00e7a que esse vi\u00e9s j\u00e1 foi observado em outros estudos. \u201cPor ser mulher, muitas vezes se pensa menos na possibilidade de doen\u00e7a cardiovascular. Isso pode atrasar diagn\u00f3sticos e tratamento, o que \u00e9 um erro\u201d, diz.<br \/>\nPara os pesquisadores, os resultados do estudo devem ser utilizados para que a preven\u00e7\u00e3o passe a acompanhar o desenho do risco cardiovascular, que come\u00e7a muito antes do que se imaginava at\u00e9 agora.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O risco das doen\u00e7as cardiovasculares Homens come\u00e7am a desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares anos antes das mulheres \u2014e essa diferen\u00e7a surge mais cedo do que se imaginava. 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