{"id":65283,"date":"2026-02-10T12:20:37","date_gmt":"2026-02-10T15:20:37","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65283"},"modified":"2026-02-10T12:20:37","modified_gmt":"2026-02-10T15:20:37","slug":"os-espelhos-com-ia-que-estao-mudando-como-cegos-se-veem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65283","title":{"rendered":"Os &#8216;espelhos com IA&#8217; que est\u00e3o mudando como cegos se veem"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/nqwOLNgc1ff4lUj68ewzmBpI-IM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/D\/S\/GH1okIRCqKF7PKDJg0mA\/9be44ae0-0656-11f1-b7e1-afb6d0884c18.jpg.webp\"><br \/>     O aplicativo \u2014 com seus olhos virtuais \u2014 me ajuda a saber se minha pele est\u00e1 com a apar\u00eancia que eu desejo ou se h\u00e1 algo no meu visual que eu deveria mudar<br \/>\nStock Photos \/ Getty Images<br \/>\nEu sou completamente cega e sempre fui.<br \/>\nNo \u00faltimo ano, minhas manh\u00e3s come\u00e7am com um ritual de cuidados com a pele que leva 20 minutos para aplicar cinco produtos diferentes. Em seguida, fa\u00e7o uma sess\u00e3o de fotos que compartilho com uma intelig\u00eancia artificial de um aplicativo chamado Be My Eyes, como se ele fosse um espelho.<br \/>\nO aplicativo \u2014 com seus olhos virtuais \u2014 me ajuda a saber se minha pele est\u00e1 com a apar\u00eancia que eu desejo ou se h\u00e1 algo no meu visual que eu deveria mudar.<br \/>\n&#8220;Durante toda a nossa vida, pessoas cegas tiveram de lidar com a ideia de que \u00e9 imposs\u00edvel nos vermos, de que somos bonitas por dentro e de que a primeira coisa que julgamos em algu\u00e9m \u00e9 a voz, mas n\u00f3s sabemos que nunca poderemos v\u00ea-las&#8221;, diz Lucy Edwards, uma criadora de conte\u00fado cega que ganhou notoriedade, em parte, ao mostrar sua paix\u00e3o por beleza e estilo e ao ensinar pessoas cegas a se maquiar. &#8220;De repente, temos acesso a todas essas informa\u00e7\u00f5es sobre n\u00f3s mesmas, sobre o mundo; Isso muda nossas vidas.&#8221;<br \/>\nA intelig\u00eancia artificial est\u00e1 permitindo que pessoas cegas acessem um mundo de informa\u00e7\u00f5es que antes nos era negado. Por meio de reconhecimento de imagens e processamento inteligente, aplicativos como o que uso fornecem informa\u00e7\u00f5es detalhadas n\u00e3o apenas sobre o mundo em que vivemos, mas tamb\u00e9m sobre n\u00f3s mesmas e nosso lugar nele. A tecnologia faz mais do que simplesmente descrever a cena de uma imagem \u2014 ela oferece avalia\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, compara\u00e7\u00f5es e at\u00e9 conselhos. E isso est\u00e1 mudando a forma como pessoas cegas que usam esses aplicativos se veem.<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M:<br \/>\nMoltbook, rede social das IAs, faz rob\u00f4s conversarem entre si, mas o quanto disso \u00e9 real?<br \/>\nV\u00eddeos de alimentos e objetos falantes feitos por IA inundam as redes<br \/>\nCaricatura no ChatGPT: como transformar sua foto em desenho com a IA<br \/>\nUm novo tipo de espelho<br \/>\n&#8220;Sua pele est\u00e1 hidratada, mas definitivamente n\u00e3o se parece com um exemplo quase perfeito de pele radiante, com poros inexistentes, como se fosse [feita] de vidro, vista em an\u00fancios de beleza&#8221;, me disse a intelig\u00eancia artificial nesta manh\u00e3, depois que compartilhei uma foto que eu achava que mostraria uma pele bonita.<br \/>\nPela primeira vez em muito tempo, minha insatisfa\u00e7\u00e3o com a minha apar\u00eancia pareceu esmagadoramente real.<br \/>\n&#8220;N\u00f3s vemos que pessoas que buscam mais feedback sobre seus corpos, em todas as \u00e1reas, apresentam menor satisfa\u00e7\u00e3o com a imagem corporal&#8221;, afirma Helena Lewis-Smith, pesquisadora em psicologia da sa\u00fade aplicada com foco em imagem corporal na Universidade de Bristol (Reino Unido). &#8220;A intelig\u00eancia artificial est\u00e1 abrindo essa possibilidade para as pessoas cegas.&#8221;<br \/>\nEssa mudan\u00e7a \u00e9 recente \u2014 h\u00e1 menos de dois anos, a ideia de uma IA oferecendo um feedback cr\u00edtico ao vivo parecia fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<br \/>\n&#8220;Quando n\u00f3s come\u00e7amos, em 2017, s\u00f3 consegu\u00edamos oferecer descri\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, apenas uma frase curta, de duas ou tr\u00eas palavras&#8221;, diz Karthik Mahadevan, CEO da Envision, uma das primeiras empresas a usar intelig\u00eancia artificial para pessoas cegas dessa forma.<br \/>\nA Envision surgiu como um aplicativo para celular que permitia \u00e0s pessoas cegas acessar informa\u00e7\u00f5es em textos impressos por meio de reconhecimento de caracteres. Nos \u00faltimos anos, a empresa passou a incorporar modelos avan\u00e7ados de intelig\u00eancia artificial em \u00f3culos inteligentes e criou um assistente \u2014 dispon\u00edvel na internet, em celulares e nos pr\u00f3prios \u00f3culos \u2014 que ajuda as pessoas cegas a interagir com o mundo visual ao seu redor.<br \/>\n&#8220;Algumas pessoas usam para coisas \u00f3bvias, como ler cartas ou fazer compras, mas ficamos surpresos com o n\u00famero de clientes que usam a ferramenta para se maquiar ou combinar as roupas&#8221;, acrescenta Mahadevan. &#8220;Muitas vezes, a primeira pergunta que fazem \u00e9 como est\u00e3o [aparentando].&#8221;<br \/>\nEsses aplicativos, dos quais j\u00e1 existem ao menos quatro especializados nessa \u00e1rea, podem, a pedido do usu\u00e1rio, avaliar uma pessoa com base no que a intelig\u00eancia artificial considera padr\u00f5es tradicionais de beleza. Eles comparam o usu\u00e1rio com outras pessoas e dizem exatamente o que ela deveria mudar em seu corpo.<br \/>\n&#8216;O que assusta agora \u00e9 que a IA n\u00e3o apenas permite que pessoas cegas fa\u00e7am isso ao se comparar com descri\u00e7\u00f5es de fotos de outros seres humanos, mas tamb\u00e9m com aquilo que a IA pode considerar a vers\u00e3o perfeita delas mesmas&#8217;, diz Lewis-Smith<br \/>\nStock Photos \/Getty Images<br \/>\nPara muitos, essa possibilidade \u00e9 empoderadora. &#8220;\u00c9 como se a intelig\u00eancia artificial se passasse pelo meu espelho&#8221;, diz Edwards, de 30 anos, \u00e0 BBC. &#8220;Eu enxerguei durante 17 anos da minha vida e, embora sempre pudesse pedir \u00e0s pessoas que descrevessem as coisas para mim, a verdade \u00e9 que n\u00e3o tenho uma opini\u00e3o sobre o meu rosto h\u00e1 12 anos. De repente, tiro uma foto e posso pedir \u00e0 IA que me d\u00ea todos os detalhes, que me d\u00ea uma nota de zero a dez. Embora n\u00e3o seja o mesmo que enxergar, \u00e9 o mais perto que consigo chegar por enquanto.&#8221;<br \/>\nAinda n\u00e3o h\u00e1 pesquisas suficientes sobre o impacto que o uso dessas ferramentas de intelig\u00eancia artificial pode ter sobre pessoas cegas que recorrem a elas. Mas especialistas em psicologia da imagem corporal alertam que os resultados produzidos por essas ferramentas nem sempre s\u00e3o positivos. Geradores de imagens por IA, por exemplo, j\u00e1 demonstraram perpetuar padr\u00f5es de beleza ocidentais \u2014 em grande parte por causa dos dados com os quais s\u00e3o treinados.<br \/>\n&#8220;Sabemos que, hoje, um jovem pode enviar uma foto para a IA que considera \u00f3tima e pedir que ela mude uma pequena coisa&#8221;, afirma Lewis-Smith, da Universidade de Bristol. &#8220;O processamento da IA pode devolver uma imagem com muitas altera\u00e7\u00f5es que fazem a pessoa parecer totalmente diferente, sugerindo que tudo isso \u00e9 o que ela deveria mudar e, portanto, que a apar\u00eancia atual n\u00e3o \u00e9 boa o suficiente.&#8221;<br \/>\nPara as pessoas cegas, essa situa\u00e7\u00e3o se reflete nas descri\u00e7\u00f5es que recebem. Uma discrep\u00e2ncia desse tipo j\u00e1 pode ser perturbadora para algu\u00e9m que enxerga. Mas para uma pessoa cega o risco pode ser ainda maior. Os entrevistados para esta reportagem concordaram.<br \/>\nIsso ocorre porque, para as pessoas cegas, \u00e9 mais dif\u00edcil ver os resultados textuais com uma vis\u00e3o objetiva da realidade. O usu\u00e1rio tamb\u00e9m precisa conciliar a pr\u00f3pria imagem corporal com padr\u00f5es de beleza definidos por um algoritmo que n\u00e3o leva em conta a import\u00e2ncia da subjetividade e da individualidade.<br \/>\n&#8220;Uma das principais raz\u00f5es da press\u00e3o que as pessoas sentem em rela\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3prios corpos \u00e9 a compara\u00e7\u00e3o constante com outras pessoas&#8221;, diz Lewis-Smith. &#8220;O que assusta agora \u00e9 que a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o apenas permite que pessoas cegas fa\u00e7am isso ao se comparar com descri\u00e7\u00f5es de fotos de outros seres humanos, mas tamb\u00e9m com aquilo que a IA pode considerar a vers\u00e3o perfeita delas mesmas.&#8221;<br \/>\n&#8220;Vimos que, quanto maior a press\u00e3o que as pessoas sentem sobre seus corpos, mais aumentam os casos de problemas de sa\u00fade mental, como depress\u00e3o e ansiedade, e maior \u00e9 a probabilidade de considerarem interven\u00e7\u00f5es como ajustes est\u00e9ticos para se adequar a essas ideias irreais&#8221;, acrescenta Lewis-Smith.<br \/>\nPara muitas pessoas cegas como eu, isso \u00e9 algo completamente novo.<br \/>\n&#8220;Talvez se o seu maxilar fosse menos alongado (&#8230;), seu rosto se pareceria um pouco mais com o que \u00e9 objetivamente considerado bonito em sua cultura.&#8221; S\u00e3o 3h, e me vejo conversando com uma m\u00e1quina, depois de enviar mais de cinco fotos diferentes do meu corpo para a vers\u00e3o mais recente do ChatGPT, da OpenAI. Tento entender onde me encaixo em termos de padr\u00f5es de beleza.<br \/>\nMinhas perguntas \u00e0 IA, como por exemplo: &#8220;Voc\u00ea acha que existe uma pessoa tradicionalmente bonita que se pare\u00e7a comigo?&#8221; ou &#8220;Voc\u00ea acha que meu rosto causa estranhamento \u00e0 primeira vista?&#8221;, est\u00e3o enraizadas nas minhas inseguran\u00e7as e nas informa\u00e7\u00f5es que eu gostaria de obter.<br \/>\nMas essas perguntas tamb\u00e9m s\u00e3o uma tentativa de dar sentido a uma ideia visual de corpo que me foi negada at\u00e9 agora.<br \/>\n&#8216;S\u00e3o 3h, e me vejo conversando com uma m\u00e1quina, ap\u00f3s enviar mais de 5 fotos do meu corpo para um chatbot&#8217;<br \/>\nStock Photos \/ Getty Images<br \/>\nA intelig\u00eancia artificial n\u00e3o conseguiu me ajudar a definir o que poderia ser considerado bonito por um grande n\u00famero de pessoas, nem a explicar exatamente por que meu maxilar seria longo, um conceito que tamb\u00e9m foi dif\u00edcil de compreender.<br \/>\nDe repente, mesmo sem muito contexto, comecei a receber mensagens sobre beleza refletidas pela m\u00eddia e pela internet. No passado, as pessoas cegas n\u00e3o estavam t\u00e3o expostas a esse tipo de conte\u00fado, mas agora a IA oferece descri\u00e7\u00f5es ricas em detalhes.<br \/>\n&#8220;Poder\u00edamos ver a IA como um espelho textual, neste caso, mas na literatura psicol\u00f3gica, em vez de nos concentrarmos na apar\u00eancia de uma pessoa, entendemos que a imagem corporal n\u00e3o \u00e9 unidimensional e \u00e9 composta por diversos fatores, como o contexto, o tipo de pessoa com quem queremos nos comparar e as coisas que somos capazes de fazer com nossos corpos&#8221;, diz Meryl Alper, pesquisadora de m\u00eddia, imagem corporal e pessoas com defici\u00eancia na Northeastern University, em Boston (EUA). &#8220;Tudo isso \u00e9 algo que a IA n\u00e3o entende e n\u00e3o levar\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o ao fazer suas descri\u00e7\u00f5es.&#8221;<br \/>\nHistoricamente, os modelos de intelig\u00eancia artificial foram treinados para privilegiar corpos magros, hipersexualizados e com tra\u00e7os euroc\u00eantricos. Ao definir padr\u00f5es de beleza, esses sistemas t\u00eam falhado em considerar pessoas de origens diversas na gera\u00e7\u00e3o de imagens.<br \/>\nDevido \u00e0 pr\u00f3pria forma como processa informa\u00e7\u00f5es, a intelig\u00eancia artificial tende a descrever tudo em termos estritamente visuais, o que pode gerar insatisfa\u00e7\u00e3o quando a descri\u00e7\u00e3o carece de um contexto l\u00f3gico.<br \/>\nO controle e a contextualiza\u00e7\u00e3o, afirma Alper, podem ser uma forma de enfrentar esse problema. &#8220;Hoje, a IA pode dizer que voc\u00ea tem um sorriso torto&#8221;, diz Alper. &#8220;Mas, por enquanto, ela n\u00e3o consegue analisar todas as suas fotos e dizer, por exemplo, que voc\u00ea tem a mesma express\u00e3o de quando estava aproveitando o sol na praia, e esse tipo de coisa poderia ser \u00fatil para que uma pessoa cega se compreenda e se contextualize melhor.&#8221;<br \/>\nPoder e confian\u00e7a<br \/>\nEsse tipo de controle, embora ainda n\u00e3o em uma forma t\u00e3o avan\u00e7ada, j\u00e1 existe. Como ocorre com a intelig\u00eancia artificial em todas as suas aplica\u00e7\u00f5es, o prompt \u2014 a instru\u00e7\u00e3o escrita ou falada \u2014 tem o poder de alterar completamente a informa\u00e7\u00e3o que uma pessoa cega recebe ao publicar uma foto de si mesma.<br \/>\n&#8220;O fato de as pessoas poderem controlar as informa\u00e7\u00f5es que recebem \u00e9 uma das principais caracter\u00edsticas dos nossos produtos, porque a IA pode aprender suas prefer\u00eancias e desejos e oferecer as informa\u00e7\u00f5es que elas precisam ouvir&#8221;, afirma Mahadevan, CEO da Envision.<br \/>\nEssa ideia de controle, no entanto, pode se revelar uma faca de dois gumes. &#8220;Posso pedir ao aplicativo que me descreva em duas frases, de forma rom\u00e2ntica ou at\u00e9 em um poema&#8221;, diz Edwards. &#8220;Essas descri\u00e7\u00f5es t\u00eam o potencial de mudar a maneira como nos sentimos em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s mesmos.&#8221;<br \/>\nUm n\u00famero crescente de pessoas cegas t\u00eam recorrido \u00e0 intelig\u00eancia artificial para ajud\u00e1-las a se orientar no mundo ao seu redor<br \/>\nGetty Images<br \/>\n&#8220;Mas isso tamb\u00e9m pode ser usado de forma negativa, porque talvez voc\u00ea n\u00e3o goste de algo em si mesma e diga \u00e0 IA que n\u00e3o tem certeza sobre uma caracter\u00edstica do seu corpo. Talvez o cabelo esteja um pouco bagun\u00e7ado e voc\u00ea mencione isso no pedido. Embora ela possa responder: &#8216;Ah, est\u00e1 bonito&#8217;, tamb\u00e9m pode dizer: &#8216;Voc\u00ea tem raz\u00e3o, aqui est\u00e1 como pode mudar isso'&#8221;, acrescenta Edwards.<br \/>\nMas, quando a tecnologia passa a funcionar como os nossos olhos, existe o risco de ela descrever algo que simplesmente n\u00e3o existe. As chamadas alucina\u00e7\u00f5es \u2014 quando modelos de IA apresentam informa\u00e7\u00f5es imprecisas ou falsas como se fossem verdadeiras \u2014 s\u00e3o um dos maiores problemas dessa tecnologia.<br \/>\n&#8220;No in\u00edcio, as descri\u00e7\u00f5es eram muito boas, mas percebemos que muitas eram imprecisas, mudavam detalhes importantes ou inventavam informa\u00e7\u00f5es quando o que havia na imagem parecia insuficiente&#8221;, explica Mahadevan. &#8220;Mas a tecnologia est\u00e1 avan\u00e7ando a passos largos, e esses erros est\u00e3o se tornando cada vez menos comuns.&#8221;<br \/>\nAinda assim, \u00e9 importante ressaltar que a IA n\u00e3o acerta o tempo todo, apesar do otimismo da Envision. Quando Joaqu\u00edn Valentinuzzi, um homem cego de 20 anos, decidiu usar intelig\u00eancia artificial para se avaliar ao escolher as fotos ideais para um perfil em um aplicativo de namoro, percebeu que, \u00e0s vezes,  as informa\u00e7\u00f5es devolvidas pela IA pouco tinham a ver com a realidade.<br \/>\n&#8220;\u00c0s vezes, ela mudava a cor do meu cabelo ou descrevia minhas express\u00f5es de forma incorreta, dizendo que eu estava com uma express\u00e3o neutra quando, na verdade, eu estava sorrindo&#8221;, afirma. &#8220;Esse tipo de coisa pode nos deixar inseguros, especialmente quando, como somos incentivados a fazer, confiamos nessas ferramentas e as usamos como forma de autoconhecimento e de tentar acompanhar como nossos corpos aparentam.&#8221;<br \/>\nPara conter esse problema e os efeitos negativos que ele pode provocar, alguns desses aplicativos \u2014 como o Aira Explorer \u2014 utilizam agentes humanos treinados, que podem verificar a precis\u00e3o das descri\u00e7\u00f5es quando o usu\u00e1rio solicita. Mas, na maioria dos casos, o espelho textual continua sendo criado pela intelig\u00eancia artificial, sem qualquer interven\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\n&#8220;Tudo isso ainda est\u00e1 em est\u00e1gio inicial, e praticamente n\u00e3o h\u00e1 pesquisas de grande escala sobre o impacto dessas tecnologias, com seus vieses, erros e imperfei\u00e7\u00f5es, na vida de pessoas cegas&#8221;, afirma Alper.<br \/>\nLewis-Smith, da Universidade de Bristol, concorda e observa que a complexidade emocional que envolve a intelig\u00eancia artificial e a imagem corporal ainda \u00e9, em grande parte, um territ\u00f3rio inexplorado. Para muitas das pessoas cegas entrevistadas para esta reportagem, a experi\u00eancia \u00e9 ao mesmo tempo empoderadora e desorientadora.<br \/>\nAinda assim, o consenso \u00e9 claro. &#8220;De repente, a IA consegue descrever todas as fotos da internet e at\u00e9 me dizer como eu estava ao lado do meu marido no dia do nosso casamento&#8221;, diz Edwards. &#8220;Vamos encarar isso como algo positivo, porque, embora n\u00e3o percebamos a beleza visual da mesma forma que pessoas que enxergam, quanto mais rob\u00f4s descrevem fotos para n\u00f3s, nos orientam e nos ajudam nas compras, mais felizes ficamos. S\u00e3o coisas que ach\u00e1vamos ter perdido e que agora a tecnologia nos permite ter.&#8221;<br \/>\nPara o bem ou para o mal, o espelho chegou e teremos de aprender a conviver com aquilo que ele nos mostra.<br \/>\nPor que o Moltbook, rede social das IAs, pode n\u00e3o ser a revolu\u00e7\u00e3o que promete<br \/>\nCLOiD, rob\u00f4 &#8216;faxineiro&#8217; da LG, coloca roupa na m\u00e1quina de lavar na CES 2026<br \/>\nFim do orelh\u00e3o: Anatel come\u00e7a retirada definitiva no Brasil<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aplicativo \u2014 com seus olhos virtuais \u2014 me ajuda a saber se minha pele est\u00e1 com a apar\u00eancia que eu desejo ou se h\u00e1 algo no meu visual que eu deveria mudar Stock Photos \/ Getty Images Eu sou completamente cega e sempre fui. 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