{"id":65429,"date":"2026-02-13T06:44:07","date_gmt":"2026-02-13T09:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65429"},"modified":"2026-02-13T06:44:07","modified_gmt":"2026-02-13T09:44:07","slug":"tomar-de-2-a-3-xicaras-de-cafe-por-dia-esta-associado-a-menor-risco-de-demencia-aponta-estudo-com-131-mil-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65429","title":{"rendered":"Tomar de 2 a 3 x\u00edcaras de caf\u00e9 por dia est\u00e1 associado a menor risco de dem\u00eancia, aponta estudo com 131 mil pessoas"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/7ipL7QN1A72pzXQZ_lls5r0U6CU=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/u\/s\/QF7AynQNKjqpgbuqBgZg\/woman-holding-coffee-cup.jpg\"><br \/>     Qual \u00e9 o caf\u00e9 da manh\u00e3 ideal, considerando nossas diferen\u00e7as regionais?<br \/>\nBeber caf\u00e9 com cafe\u00edna regularmente, em quantidade moderada, foi associado a menor risco de dem\u00eancia ao longo da vida em um dos mais extensos acompanhamentos j\u00e1 realizados sobre o tema.<br \/>\nO estudo, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), analisou dados de 131.821 homens e mulheres acompanhados por at\u00e9 43 anos nos Estados Unidos.<br \/>\nOs participantes integravam duas grandes coortes prospectivas \u2014o Nurses\u2019 Health Study (mulheres) e o Health Professionals Follow-up Study (homens)\u2014 e respondiam question\u00e1rios alimentares a cada dois a quatro anos. Foram exclu\u00eddas pessoas que j\u00e1 tinham c\u00e2ncer, doen\u00e7a de Parkinson ou dem\u00eancia no in\u00edcio do acompanhamento.<br \/>\nO que o estudo descobriu<br \/>\nAo longo do acompanhamento, 11.033 participantes desenvolveram dem\u00eancia.<br \/>\nQuando os pesquisadores compararam os extremos de consumo de caf\u00e9 com cafe\u00edna, encontraram a seguinte diferen\u00e7a:<br \/>\nBaixo consumo: 330 casos de dem\u00eancia para cada 100 mil pessoas acompanhadas por ano.<br \/>\nAlto consumo: 141 casos para cada 100 mil pessoas por ano.<br \/>\nA medida \u201cpessoas-ano\u201d \u00e9 usada para padronizar o c\u00e1lculo ao longo do tempo. Em termos simples, significa quantos novos diagn\u00f3sticos surgem, em m\u00e9dia, a cada ano dentro de um grupo de 100 mil pessoas.<br \/>\nMesmo depois de considerar outros fatores que influenciam o risco de dem\u00eancia \u2014como idade, tabagismo, atividade f\u00edsica, qualidade da dieta, \u00edndice de massa corporal, hipertens\u00e3o e diabetes\u2014 a associa\u00e7\u00e3o permaneceu.<br \/>\nNa an\u00e1lise ajustada, os maiores consumidores de caf\u00e9 com cafe\u00edna apresentaram 18% menor risco de desenvolver dem\u00eancia ao longo do per\u00edodo estudado.<br \/>\nO mesmo padr\u00e3o foi observado para o ch\u00e1. J\u00e1 o caf\u00e9 descafeinado n\u00e3o apresentou associa\u00e7\u00e3o consistente com menor risco.<br \/>\ncaf\u00e9<br \/>\nFreepik<br \/>\nRela\u00e7\u00e3o em curva<br \/>\nUm dos achados mais relevantes foi a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o linear entre consumo e risco. O menor \u00edndice de dem\u00eancia foi observado entre aqueles que ingeriam cerca de 2 a 3 x\u00edcaras de caf\u00e9 por dia \u2014o equivalente aproximado a 300 mg de cafe\u00edna. Quantidades superiores n\u00e3o trouxeram benef\u00edcio adicional claro.<br \/>\nEsse formato em curva sugere um ponto \u00f3timo de efeito. Segundo o neurologista Alan Eckeli, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) de Ribeir\u00e3o Preto, o padr\u00e3o \u00e9 biologicamente plaus\u00edvel.<br \/>\n\u201cMuitas subst\u00e2ncias apresentam um ponto de satura\u00e7\u00e3o. Doses moderadas podem ter efeito anti-inflamat\u00f3rio ou metab\u00f3lico favor\u00e1vel. Acima disso, n\u00e3o necessariamente h\u00e1 ganho adicional \u2014e podem surgir fatores que neutralizam o benef\u00edcio, como piora do sono\u201d, afirma.<br \/>\nA cafe\u00edna atua como antagonista de receptores de adenosina no c\u00e9rebro e pode modular processos inflamat\u00f3rios e metab\u00f3licos ligados \u00e0 neurodegenera\u00e7\u00e3o. Ainda assim, o estudo n\u00e3o permite concluir que ela seja o \u00fanico componente respons\u00e1vel pelo efeito observado, j\u00e1 que caf\u00e9 e ch\u00e1 cont\u00eam polifen\u00f3is, antioxidantes e outras subst\u00e2ncias bioativas.<br \/>\nAssocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preven\u00e7\u00e3o<br \/>\nApesar do longo seguimento e do grande n\u00famero de participantes, o estudo \u00e9 observacional. Isso significa que identifica associa\u00e7\u00e3o estat\u00edstica, mas n\u00e3o comprova rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito.<br \/>\nProfessor de neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Renato Anghinah explica que o principal m\u00e9rito do trabalho \u00e9 mostrar consist\u00eancia ao longo de d\u00e9cadas, com medi\u00e7\u00f5es alimentares repetidas \u2014o que reduz distor\u00e7\u00f5es pontuais. Ainda assim, ele ressalta que o achado deve ser interpretado como correla\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201c\u00c9 uma correla\u00e7\u00e3o estat\u00edstica. N\u00e3o podemos afirmar que seja causa e efeito\u201d, resume.<br \/>\nUma das limita\u00e7\u00f5es \u00e9 a possibilidade de causalidade reversa. Altera\u00e7\u00f5es cerebrais associadas \u00e0 dem\u00eancia podem come\u00e7ar muitos anos antes do diagn\u00f3stico cl\u00ednico. Nesse per\u00edodo pr\u00e9-cl\u00ednico, mudan\u00e7as sutis de comportamento \u2014como reduzir o consumo de caf\u00e9\u2014 podem ocorrer sem que a pessoa saiba que est\u00e1 em processo de adoecimento, influenciando os resultados.<br \/>\nAl\u00e9m disso, mesmo com ajustes estat\u00edsticos amplos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir completamente fatores de confus\u00e3o residuais. O perfil socioecon\u00f4mico, o n\u00edvel de engajamento cognitivo e outros h\u00e1bitos de vida podem influenciar tanto o consumo de caf\u00e9 quanto o risco de dem\u00eancia.<br \/>\nOutro ponto \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o estudada: profissionais de sa\u00fade norte-americanos, em sua maioria com alto n\u00edvel educacional e acesso facilitado a cuidados m\u00e9dicos. Isso pode limitar a generaliza\u00e7\u00e3o dos resultados para outras realidades.<br \/>\nImagem de microscopia mostra placas de prote\u00edna beta-amiloide, ligadas ao Alzheimer, em tons fluorescentes no tecido cerebral.<br \/>\nWikimedia\/Dom\u00ednio P\u00fablico<br \/>\nO tamanho do efeito<br \/>\nAl\u00e9m do diagn\u00f3stico de dem\u00eancia, os pesquisadores tamb\u00e9m analisaram o desempenho cognitivo em uma parte das participantes do estudo \u2014mulheres com mais de 70 anos que foram submetidas a testes neuropsicol\u00f3gicos por telefone ao longo do acompanhamento.<br \/>\nO principal instrumento utilizado foi o Telephone Interview for Cognitive Status (TICS), uma escala padronizada que varia de 0 a 41 pontos e avalia mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o. Nesse grupo, as mulheres com maior consumo de caf\u00e9 com cafe\u00edna tiveram, em m\u00e9dia, 0,11 ponto a mais na pontua\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s que consumiam menos.<br \/>\n\u00c0 primeira vista, a diferen\u00e7a parece pequena \u2014e \u00e9 mesmo modesta. Para dar dimens\u00e3o: a queda m\u00e9dia anual esperada nesse teste \u00e9 de cerca de 0,18 ponto. Ou seja, o ganho observado equivale aproximadamente a pouco mais de meio ano de envelhecimento cognitivo.<br \/>\n\u00c9 o que contextualiza Helder Picarelli, neurocirurgi\u00e3o do Instituto do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo (Icesp) e p\u00f3s-doutor pela USP. \u00c0 reportagem, ele detalha que ganhos dessa magnitude dificilmente se traduzem em impacto funcional percept\u00edvel no cotidiano do paciente.<br \/>\nO efeito individual \u00e9 modesto. Ainda assim, redu\u00e7\u00f5es de risco na faixa de 15% a 20% podem ter relev\u00e2ncia quando analisadas em escala populacional, especialmente em um cen\u00e1rio de envelhecimento acelerado.<\/p>\n<p>Freepik<br \/>\nO que fazer com essa informa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nO consumo moderado de caf\u00e9 com cafe\u00edna parece seguro para a maioria das pessoas e esteve associado a menor risco de dem\u00eancia neste estudo. Mas isso n\u00e3o equivale a afirmar que beber caf\u00e9 previne Alzheimer.<br \/>\nA preven\u00e7\u00e3o do decl\u00ednio cognitivo continua baseada em fatores com evid\u00eancia mais consolidada: controle da press\u00e3o arterial e do diabetes, pr\u00e1tica regular de atividade f\u00edsica, est\u00edmulo intelectual, sono adequado e intera\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nO novo estudo refor\u00e7a uma hip\u00f3tese biologicamente plaus\u00edvel e sustentada por acompanhamento prolongado. Mas, como ocorre com a maior parte das pesquisas observacionais em nutri\u00e7\u00e3o e estilo de vida, a ci\u00eancia avan\u00e7a por ac\u00famulo de evid\u00eancias \u2014n\u00e3o por conclus\u00f5es definitivas a partir de um \u00fanico trabalho.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 o caf\u00e9 da manh\u00e3 ideal, considerando nossas diferen\u00e7as regionais? Beber caf\u00e9 com cafe\u00edna regularmente, em quantidade moderada, foi associado a menor risco de dem\u00eancia ao longo da vida em um dos mais extensos acompanhamentos j\u00e1 realizados sobre o tema. 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