{"id":65503,"date":"2026-02-14T18:09:55","date_gmt":"2026-02-14T21:09:55","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65503"},"modified":"2026-02-14T18:09:55","modified_gmt":"2026-02-14T21:09:55","slug":"a-ciencia-das-almas-gemeas-existe-mesmo-alguem-que-foi-feito-para-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65503","title":{"rendered":"A ci\u00eancia das almas g\u00eameas: existe mesmo algu\u00e9m que &#8216;foi feito para voc\u00ea&#8217;?"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/XtmN-lv5toU-_FEmjYk1RcRbfJo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/a\/0\/iJzpAZQ7OFI7VFH2iyiQ\/bbc-alma-gemea1.webp\"><br \/>     Como um casal pode construir sua pr\u00f3pria &#8216;pessoa certa&#8217;?<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nEm datas associadas ao amor \u2014 como 14 de fevereiro, considerado o Dia dos Namorados em v\u00e1rios pa\u00edses \u2014 surge a tenta\u00e7\u00e3o de acreditar que, em algum lugar, existe &#8220;a pessoa certa&#8221;: a alma g\u00eamea, o par perfeito, algu\u00e9m com quem voc\u00ea estava destinado a ficar.<br \/>\nAo longo da hist\u00f3ria, os seres humanos sempre se sentiram atra\u00eddos pela ideia de que o amor n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3rio. Na Gr\u00e9cia antiga, Plat\u00e3o imaginou que j\u00e1 fomos seres completos, com quatro bra\u00e7os, quatro pernas e dois rostos, t\u00e3o radiantes que Zeus nos dividiu ao meio. Desde ent\u00e3o, cada metade vagueia pela Terra em busca da outra metade, um mito que deu \u00e0 no\u00e7\u00e3o moderna de alma g\u00eamea sua origem po\u00e9tica e a promessa de que, em algum lugar, algu\u00e9m nos far\u00e1 sentir completos.<br \/>\nNa Idade M\u00e9dia, os trovadores e as lendas arturianas transformaram esse anseio no chamado &#8220;amor cort\u00eas&#8221;, uma devo\u00e7\u00e3o intensa e muitas vezes proibida, como a de Lancelot por Guinevere, na qual o cavaleiro demonstrava seu valor por meio do sacrif\u00edcio pessoal por uma amada que talvez jamais pudesse declarar publicamente.<br \/>\nPlat\u00e3o (\u00e0 esquerda) imaginou que os seres humanos eram originalmente completos, com quatro bra\u00e7os, quatro pernas e dois rostos, at\u00e9 serem divididos por Zeus (\u00e0 direita), passando ent\u00e3o a buscar sua outra metade<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nNo Renascimento, autores como William Shakespeare (1564-1616) falavam em &#8220;amantes marcados pelas estrelas&#8221;, casais unidos por uma conex\u00e3o avassaladora, mas separados por fam\u00edlia, circunst\u00e2ncias ou destino, como se o pr\u00f3prio universo escrevesse a hist\u00f3ria de amor e, ao mesmo tempo, impedisse um final feliz.<br \/>\nEm tempos mais recentes, Hollywood e os romances venderam hist\u00f3rias de amor dignas de contos de fadas.<br \/>\nMas o que diz a ci\u00eancia mais recente sobre as almas g\u00eameas? Existe, de fato, algu\u00e9m especial destinado a cada um de n\u00f3s?<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<br \/>\nComo nos apaixonamos pela &#8216;pessoa certa&#8217;<br \/>\nViren Swami, professor de psicologia social na Anglia Ruskin University (ARU), em Cambridge (Reino Unido), afirma que a compreens\u00e3o contempor\u00e2nea europeia do amor rom\u00e2ntico remonta \u00e0 Idade M\u00e9dia e \u00e0s narrativas de Camelot, Lancelot, Guinevere e os cavaleiros da T\u00e1vola Redonda, que se espalharam pelo continente.<br \/>\n&#8220;Essas hist\u00f3rias foram as primeiras a difundir a ideia de que voc\u00ea deve escolher um \u00fanico indiv\u00edduo como companheiro, e que esse companheiro \u00e9 para a vida toda&#8221;, diz. &#8220;Antes disso, em grande parte da Europa, voc\u00ea podia amar quantas pessoas quisesse, e o amor era mais fluido, muitas vezes n\u00e3o centrado no sexo.&#8221;<br \/>\nCom o tempo, afirma Swami, \u00e0 medida que as pessoas foram deslocadas de comunidades agr\u00edcolas e a industrializa\u00e7\u00e3o desfez v\u00ednculos tradicionais, os indiv\u00edduos passaram a se sentir &#8220;alienados&#8221;. &#8220;Eles come\u00e7am a procurar uma \u00fanica pessoa que os salve, que os resgate da mis\u00e9ria de suas vidas.&#8221;<br \/>\nViren Swami afirma que as ideias atuais sobre amor rom\u00e2ntico remontam a narrativas medievais europeias, como as de Lancelot e Guinevere<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nOs aplicativos de relacionamento de hoje transformam essa narrativa em algoritmo, o que Swami chama de &#8220;consumo de relacionamentos&#8221; (relation-shopping, em ingl\u00eas). A busca por uma alma g\u00eamea acaba se tornando o oposto do que se procura. &#8220;Para muitas pessoas, \u00e9 uma experi\u00eancia sem alma&#8221;, diz Swami.<br \/>\n&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 comprando um parceiro\u2026 passando possivelmente por dezenas de perfis at\u00e9 chegar a um ponto em que pensa: preciso parar&#8221;, afirma.<br \/>\nA pessoa certa<br \/>\nJason Carroll, professor de estudos sobre casamento e fam\u00edlia na Brigham Young University, em Provo, Utah (EUA), demonstra compreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao anseio pela &#8220;pessoa certa&#8221;.<br \/>\n&#8220;Somos criaturas movidas pelo apego&#8221;, diz. &#8220;Desejamos esse v\u00ednculo.&#8221; No entanto, em suas aulas, Carroll afirma aos estudantes que \u00e9 preciso abandonar a ideia de alma g\u00eamea, sem abrir m\u00e3o do desejo de encontrar a &#8220;pessoa certa&#8221;.<br \/>\nPode soar contradit\u00f3rio, mas, para Carroll, trata-se da diferen\u00e7a entre destino e constru\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Uma alma g\u00eamea \u00e9 simplesmente encontrada. J\u00e1 est\u00e1 pronta. Mas &#8216;a pessoa certa&#8217; \u00e9 algo que duas pessoas constroem juntas ao longo dos anos, se adaptando, pedindo desculpas e, \u00e0s vezes, cerrando os dentes&#8221;, afirma.<br \/>\nA armadilha da alma g\u00eamea<br \/>\nO argumento de Carroll, da Brigham Young University, se apoia em d\u00e9cadas de pesquisas reunidas em seu relat\u00f3rio &#8220;The Soulmate Trap&#8221; (&#8220;A armadilha da alma g\u00eamea&#8221;). Boa parte desses estudos distingue o que psic\u00f3logos chamam de &#8220;cren\u00e7as no destino&#8221; \u2014 a ideia de que o relacionamento certo deve ser f\u00e1cil e natural \u2014 das &#8220;cren\u00e7as de crescimento&#8221;, que enfatizam o que os parceiros podem fazer para que a rela\u00e7\u00e3o funcione.<br \/>\nEm uma s\u00e9rie de estudos amplamente citados, conduzidos no fim dos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000 pelo professor C. Raymond Knee, da Universidade de Houston (EUA), pesquisadores constataram que pessoas que acreditavam que relacionamentos eram &#8220;feitos para acontecer&#8221; tinham maior probabilidade de questionar seu compromisso ap\u00f3s conflitos. J\u00e1 aquelas com uma vis\u00e3o orientada para o crescimento tendiam a manter maior comprometimento, mesmo em dias de discuss\u00e3o.<br \/>\nSegundo Carroll, quem adota a perspectiva de crescimento tamb\u00e9m deseja algo especial, mas reconhece que haver\u00e1 dificuldades. &#8220;Essas pessoas perguntam\u2026 o que podem fazer para melhorar a rela\u00e7\u00e3o, promover avan\u00e7os e crescer juntos?&#8221;<br \/>\nPesquisas mostram que pessoas que acreditam que o relacionamento se constr\u00f3i com esfor\u00e7o ainda querem algo especial, mas sabem que haver\u00e1 dificuldades<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nNa vis\u00e3o de Carroll, a cren\u00e7a na alma g\u00eamea \u00e9 uma armadilha \u2014 n\u00e3o pelo romantismo em si, mas pela expectativa de que o amor nunca deve ser dif\u00edcil. A parte mais &#8220;profunda&#8221; de um relacionamento duradouro, afirma, n\u00e3o \u00e9 a intensidade digna de cinema, mas ter &#8220;lugar na primeira fila n\u00e3o apenas para as qualidades do outro, mas tamb\u00e9m para os seus desafios e suas fragilidades&#8221;.<br \/>\n&#8220;\u00c9 um espa\u00e7o bastante sagrado&#8221;, diz. &#8220;S\u00f3 conhecemos essas coisas porque a outra pessoa nos permitiu estar ali.&#8221;<br \/>\nPara Carroll, quando o amor \u00e9 tratado como destino, as pessoas tendem a se mostrar menos dispostas a realizar o trabalho discreto que sustenta a rela\u00e7\u00e3o. Segundo ele, a &#8220;armadilha da alma g\u00eamea&#8221; torna muito mais dif\u00edcil lidar com o primeiro grande obst\u00e1culo.<br \/>\n&#8220;Na primeira dificuldade, o pensamento imediato \u00e9: &#8216;Eu achava que voc\u00ea era minha alma g\u00eamea. Talvez n\u00e3o seja, porque as almas g\u00eameas n\u00e3o deveriam passar por isso'&#8221;, afirma. &#8220;Mas, se um relacionamento vai durar, ele nunca ser\u00e1 apenas uma descida suave.&#8221;<br \/>\nQu\u00edmica ou trauma?<br \/>\nVicki Pavitt, coach de relacionamentos em Londres (Reino Unido), costuma atender pessoas que acreditaram ter encontrado a alma g\u00eamea e depois perceberam que o conto de fadas vinha acompanhado de manipula\u00e7\u00e3o emocional, instabilidade e ansiedade constante.<br \/>\n&#8220;Quando h\u00e1 uma qu\u00edmica muito forte e aquela fa\u00edsca, acho que \u00e0s vezes isso significa reabrir padr\u00f5es antigos e pouco saud\u00e1veis, como antigas feridas emocionais&#8221;, afirma. &#8220;Uma pessoa inconsistente, que alterna entre proximidade e distanciamento, pode fazer voc\u00ea pensar &#8216;mal posso esperar para v\u00ea-la de novo&#8217;, mas o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que ela gera tanta ansiedade que isso faz voc\u00ea querer ainda mais.&#8221;<br \/>\nPavitt diz que o que interpretamos como destino pode ser, na verdade, uma rea\u00e7\u00e3o do nosso sistema nervoso ao reconhecer algo que j\u00e1 nos causou dor no passado e tenta &#8220;consertar&#8221; essa experi\u00eancia, um padr\u00e3o que terapeutas chamam de v\u00ednculo traum\u00e1tico.<br \/>\nSegundo Pavitt, esse v\u00ednculo pode parecer amor e levar pessoas a se sentirem magneticamente atra\u00eddas por din\u00e2micas pouco saud\u00e1veis, n\u00e3o por serem compat\u00edveis, mas por serem familiares.<br \/>\nUm estudo frequentemente citado \u00e9 o dos psic\u00f3logos canadenses Donald Dutton e Susan Painter. Em pesquisa publicada em 1993, quando atuavam na Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica (Canad\u00e1), eles acompanharam 75 mulheres ap\u00f3s deixarem parceiros abusivos.<br \/>\nA equipe avaliou o grau de apego que as mulheres ainda sentiam pelos ex-companheiros e comparou esses dados com o tipo de rela\u00e7\u00e3o que haviam vivido.<br \/>\nEles constataram que os v\u00ednculos mais fortes n\u00e3o estavam entre as mulheres que sofreram abuso cont\u00ednuo, mas entre aquelas cujos parceiros alternavam entre charme e crueldade.<br \/>\nPavitt afirma que o que parece destino pode, \u00e0s vezes, ser um v\u00ednculo traum\u00e1tico<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nDutton e Painter argumentam que o v\u00ednculo traum\u00e1tico ajuda a explicar por que algumas pessoas se sentem atra\u00eddas de volta a rela\u00e7\u00f5es que, objetivamente, lhes fazem mal \u2014 n\u00e3o por serem saud\u00e1veis, mas porque a combina\u00e7\u00e3o de perigo e afeto lhes \u00e9 familiar.<br \/>\n\u00c9 essa distin\u00e7\u00e3o que Pavitt busca explorar em seus atendimentos. &#8220;\u00c9 sobre discernir se a qu\u00edmica que voc\u00ea sente indica compatibilidade ou se \u00e9 apenas uma sensa\u00e7\u00e3o familiar de ansiedade&#8221;, explica.<br \/>\n&#8220;Na minha pr\u00e1tica, nunca falo em almas g\u00eameas&#8221;, afirma. &#8220;N\u00e3o acredito que exista uma \u00fanica pessoa para cada um de n\u00f3s\u2026 mas acredito que podemos nos tornar &#8216;a pessoa certa&#8217; para algu\u00e9m.&#8221;<br \/>\nQu\u00edmica real<br \/>\nSe negar a exist\u00eancia de uma alma g\u00eamea soa pouco rom\u00e2ntico, a biologia da atra\u00e7\u00e3o aponta na mesma dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs contraceptivos hormonais podem alterar de forma sutil a maneira como os parceiros se sentem um pelo outro. Pesquisas sugerem que as p\u00edlulas que reduzem as varia\u00e7\u00f5es naturais da fertilidade ao longo do ciclo menstrual tamb\u00e9m podem atenuar mudan\u00e7as na atra\u00e7\u00e3o que normalmente ocorrem nesse per\u00edodo, o que pode influenciar a escolha inicial de um parceiro.<br \/>\nUm amplo estudo feito com 365 casais heterossexuais constatou que a satisfa\u00e7\u00e3o sexual das mulheres era maior quando seu status atual em rela\u00e7\u00e3o ao uso de contraceptivos coincidia com o que tinham quando escolheram o parceiro. O dado sugere que mudan\u00e7as no uso da p\u00edlula podem alterar a forma como o parceiro \u00e9 percebido. Os efeitos s\u00e3o pequenos, mas podem ajudar a explicar mudan\u00e7as sutis na qu\u00edmica do casal ao longo do tempo.<br \/>\nSe os horm\u00f4nios e os contraceptivos podem influenciar quem parece ser &#8220;a pessoa certa&#8221;, torna-se mais dif\u00edcil sustentar a ideia de um \u00fanico par predestinado \u2014 e \u00e9 a\u00ed que entram os matem\u00e1ticos.<br \/>\nA pessoa certa, mas n\u00e3o a \u00fanica<br \/>\nA psicologia e a biologia oferecem uma forma de pensar sobre &#8220;a pessoa certa&#8221;; a matem\u00e1tica, outra.<br \/>\nGreg Leo, economista da Universidade Vanderbilt, em Nashville, Tennessee (EUA), desenvolveu um algoritmo de compatibilidade que indica que uma pessoa pode ter n\u00e3o apenas &#8220;uma&#8221;, mas v\u00e1rias poss\u00edveis &#8220;pessoas certas&#8221;.<br \/>\nNo artigo &#8220;Matching Soulmates&#8221; (Almas G\u00eameas Compat\u00edveis, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado no peri\u00f3dico Public Economic Theory, todos os participantes integram um ambiente simulado de encontros, no qual milhares de perfis digitais se avaliam mutuamente. O algoritmo identifica &#8220;almas g\u00eameas de primeira ordem&#8221;: pares que se escolhem em uma correspond\u00eancia est\u00e1vel. Em seguida, remove esses pares e repete o processo com os restantes, gerando &#8220;almas g\u00eameas de segunda ordem&#8221;, e assim sucessivamente.<br \/>\nNas simula\u00e7\u00f5es de Leo, era extremamente raro que duas pessoas se escolhessem mutuamente como primeira op\u00e7\u00e3o. No entanto, muitos participantes apareciam como segunda ou terceira escolha um do outro. Nesse modelo, um casal \u00e9 considerado bem-sucedido quando cada um est\u00e1 entre as primeiras posi\u00e7\u00f5es da lista do outro e nenhum dos dois encontra algu\u00e9m que ambos prefiram mais.<br \/>\nPode parecer apenas exerc\u00edcio estat\u00edstico, mas o algoritmo do amor sugere que existem muitos parceiros poss\u00edveis \u2014 n\u00e3o apenas &#8220;a pessoa certa&#8221;.<br \/>\nValorize os pequenos gestos<br \/>\nMas como um casal pode construir sua pr\u00f3pria &#8220;pessoa certa&#8221;?<br \/>\nJacqui Gabb, professora de sociologia e estudos da intimidade na The Open University (Reino Unido), investigou essa quest\u00e3o no projeto Enduring Love (Amor Eterno, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado na revista Sociology em 2015.<br \/>\nO estudo entrevistou cerca de 5.000 pessoas e depois acompanhou 50 casais em detalhes minuciosos, por vezes invasivos, combinando dados estat\u00edsticos com di\u00e1rios, entrevistas e &#8220;mapas emocionais&#8221; do cotidiano dom\u00e9stico.<br \/>\nQuando perguntou o que fazia as pessoas se sentirem valorizadas, n\u00e3o surgiram pedidos de casamento ao p\u00f4r do sol ou viagens-surpresa a Paris.<br \/>\nAs respostas inclu\u00edram &#8220;presentes inesperados, gestos atenciosos e a gentileza de levar uma x\u00edcara de ch\u00e1 na cama&#8221;. Aquecer o carro numa manh\u00e3 fria. Colher flores silvestres e coloc\u00e1-las num vaso. Compartilhar um sorriso discreto numa festa.<br \/>\nEm termos quantitativos, esses &#8220;atos cotidianos de aten\u00e7\u00e3o&#8221;, como ela os define, se mostraram mais significativos do que grandes gestos rom\u00e2nticos.<br \/>\nNa pesquisa, 22% das m\u00e3es e 20% das mulheres sem filhos apontaram pequenos gestos como um dos dois principais fatores que as faziam se sentir valorizadas \u2014 mais do que sa\u00eddas sofisticadas ou presentes caros.<br \/>\nA satisfa\u00e7\u00e3o no relacionamento, segundo os dados, n\u00e3o estava ligada principalmente a dinheiro ou a romantismo, mas ao que a pesquisadora chama de &#8220;conhecimento \u00edntimo do casal&#8221; e \u00e0 forma como ele se manifesta no cotidiano.<br \/>\nNo di\u00e1rio de um casal jovem que participou do projeto, Sumaira descreve o parceiro chegando em casa, o jantar que ela preparou, o abra\u00e7o no corredor, os dois comendo juntos \u00e0 mesa.<br \/>\n&#8220;\u00c9 perfeito&#8221;, escreve em seu di\u00e1rio de pesquisa. &#8220;S\u00f3 n\u00f3s e a comida. O que mais eu poderia querer?&#8221;<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m uma dan\u00e7a espont\u00e2nea na sala de estar, uma caminhada na grama alta em que ela sente medo do escuro, e uma foto de que o parceiro gosta tanto que a transforma em plano de fundo do celular.<br \/>\nO relato se assemelha a uma hist\u00f3ria bonita do dia a dia, n\u00e3o a um conto de fadas: n\u00e3o h\u00e1 sapatinhos de cristal, mas galochas.<br \/>\nMas Gabb ressalta que, no meio da do\u00e7ura da rela\u00e7\u00e3o, est\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es financeiras, as obriga\u00e7\u00f5es familiares e um hist\u00f3rico de depress\u00e3o que o casal aprende a enfrentar junto.<br \/>\n&#8220;A sensa\u00e7\u00e3o de alma g\u00eamea aqui n\u00e3o paira acima da vida; ela \u00e9 constru\u00edda, cent\u00edmetro a cent\u00edmetro, pela pr\u00f3pria vida, na forma como o casal enfrenta essas press\u00f5es&#8221;, afirma.<br \/>\nJantar de Dia dos Namorados<br \/>\nPara Carroll, da Brigham Young University, a ci\u00eancia n\u00e3o elimina o romantismo, mas ajuda a faz\u00ea-lo florescer, nos bons e nos maus momentos.<br \/>\n&#8220;Me sinto confort\u00e1vel com a aspira\u00e7\u00e3o de estar em um relacionamento \u00fanico e especial, desde que nos lembremos de que ele precisa ser constru\u00eddo&#8221;, diz.<br \/>\nPavitt, coach de relacionamentos em Londres, avalia que &#8220;\u00e9 v\u00e1lido, at\u00e9 \u00fatil, acreditar que existe algu\u00e9m para voc\u00ea, desde que se reconhe\u00e7a que h\u00e1 muitas pessoas com quem \u00e9 poss\u00edvel criar uma conex\u00e3o profunda e se abandone a expectativa de perfei\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\nQuanto \u00e0s almas g\u00eameas, a ci\u00eancia aponta um paradoxo: quem acaba vivendo rela\u00e7\u00f5es que parecem &#8220;destinadas a acontecer&#8221; costuma ser quem deixou de esperar pelo destino, se voltou para a pessoa imperfeita \u00e0 sua frente e, na pr\u00e1tica, perguntou: vamos construir algo juntos?<br \/>\nReportagem adicional de Florence Freeman<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como um casal pode construir sua pr\u00f3pria &#8216;pessoa certa&#8217;? Getty Images via BBC Em datas associadas ao amor \u2014 como 14 de fevereiro, considerado o Dia dos Namorados em v\u00e1rios pa\u00edses \u2014 surge a tenta\u00e7\u00e3o de acreditar que, em algum lugar, existe &#8220;a pessoa certa&#8221;: a alma g\u00eamea, o par perfeito, algu\u00e9m com quem voc\u00ea [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":261,"featured_media":65504,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[156],"class_list":{"0":"post-65503","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-saude"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bbc-alma-gemea1.webp","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/65503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/261"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=65503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/65503\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/65504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=65503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=65503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=65503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}