{"id":65521,"date":"2026-02-15T06:02:14","date_gmt":"2026-02-15T09:02:14","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65521"},"modified":"2026-02-15T06:02:14","modified_gmt":"2026-02-15T09:02:14","slug":"barulho-pouco-sono-e-alcool-em-excesso-combinacao-pode-levar-o-cerebro-ao-limite-da-exaustao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65521","title":{"rendered":"Barulho, pouco sono e \u00e1lcool em excesso: combina\u00e7\u00e3o pode levar o c\u00e9rebro ao limite da exaust\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/iqK0oSBsrqqKc62wXD3GNnuNOEk=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/P\/1\/J8SWSJTdWmzvXjmVBoqQ\/whatsapp-image-2026-02-12-at-16.33.59.jpeg\"><br \/>     Multid\u00e3o acompanha abertura do carnaval do Recife 2026, no Marco Zero<br \/>\nLeo Caldas\/g1<br \/>\nO Carnaval \u00e9 sin\u00f4nimo de m\u00fasica alta, madrugada estendida e brindes repetidos. Para o c\u00e9rebro, por\u00e9m, a soma desses est\u00edmulos pode significar sobrecarga. A exposi\u00e7\u00e3o prolongada a sons intensos, a priva\u00e7\u00e3o de sono e o consumo excessivo de \u00e1lcool atuam em \u00e1reas centrais do sistema nervoso e, quando combinados, potencializam riscos que v\u00e3o de perda auditiva a altera\u00e7\u00f5es cognitivas e comportamentais.<br \/>\nO neurocirurgi\u00e3o Helder Picarelli, do Instituto do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo (Icesp) e p\u00f3s-doutor pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), explica que o impacto come\u00e7a pelo ouvido, mas n\u00e3o termina nele.<br \/>\n&#8220;Uma conversa comum gira em torno de 60 decib\u00e9is, n\u00edvel considerado seguro. J\u00e1 blocos e shows podem ultrapassar 100 decib\u00e9is \u2014intensidade que reduz drasticamente o tempo de toler\u00e2ncia do organismo&#8221;, diz.<br \/>\nSegundo ele, sons elevados e prolongados lesam as c\u00e9lulas ciliadas da c\u00f3clea, estruturas respons\u00e1veis por transformar vibra\u00e7\u00f5es em impulsos el\u00e9tricos para o c\u00e9rebro. O dano pode resultar em perda auditiva, dificuldade de discriminar sons e zumbido persistente. Em n\u00edveis ainda mais altos \u2014como explos\u00f5es ou fogos muito pr\u00f3ximos\u2014 a les\u00e3o pode ser imediata e irrevers\u00edvel.<br \/>\nG1 &#8211; transmiss\u00e3o ao vivo Globo SP &#8211; Transmiss\u00e3o Carnaval 2026<br \/>\nExcesso ativa circuitos ligados ao estresse<br \/>\nEmbora o ru\u00eddo n\u00e3o cause, de forma direta, uma les\u00e3o cerebral estrutural, ele interfere no funcionamento do sistema nervoso. O est\u00edmulo intenso mant\u00e9m o c\u00e9rebro em estado de alerta, dificulta o sono, altera o humor e aumenta a fadiga mental. Pessoas com maior sensibilidade sensorial, como indiv\u00edduos no espectro autista, tendem a sofrer ainda mais com sons agudos e repetitivos.<br \/>\nNeurologista da BP \u2013 A Benefic\u00eancia Portuguesa de S\u00e3o Paulo, Guilherme Olival complementa que o excesso de est\u00edmulo auditivo ativa circuitos ligados ao estresse. O c\u00e9rebro interpreta a intensidade sonora como amea\u00e7a, elevando a libera\u00e7\u00e3o de cortisol, horm\u00f4nio relacionado \u00e0 resposta de alerta.<br \/>\nO resultado pode ser irritabilidade, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o de esgotamento cognitivo.<br \/>\nNesse contexto, o uso de protetores auriculares n\u00e3o protege apenas a audi\u00e7\u00e3o. Ao reduzir o est\u00edmulo sonoro, diminui tamb\u00e9m a ativa\u00e7\u00e3o desses circuitos de estresse, funcionando como uma barreira indireta contra a sobrecarga neural.<br \/>\nFoli\u00f5es se beijam sob a chuva durante cortejo do bloco Bantant\u00e3 Folia, nas imedia\u00e7\u00f5es do Metr\u00f4 Butant\u00e3<br \/>\nWALMOR CARVALHO\/FOTOARENA\/ESTAD\u00c3O CONTE\u00daDO<br \/>\nNoites em claro fazem o c\u00e9rebro perder o freio<br \/>\nSe o barulho mant\u00e9m o c\u00e9rebro em alerta, a priva\u00e7\u00e3o de sono impede que ele se recupere. A primeira regi\u00e3o a sofrer com uma noite mal dormida \u00e9 o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, respons\u00e1vel por julgamento, planejamento e controle de impulsos. Em seguida, \u00e1reas ligadas \u00e0 mem\u00f3ria, como o hipocampo, tamb\u00e9m passam a funcionar de forma menos eficiente.<br \/>\nOlival explica que, ap\u00f3s 24 horas acordado, o desempenho cognitivo pode se aproximar do observado em algu\u00e9m sob efeito significativo de \u00e1lcool, com preju\u00edzo da aten\u00e7\u00e3o e da capacidade de rea\u00e7\u00e3o.<br \/>\nBiologicamente, h\u00e1 aumento do cortisol, desregula\u00e7\u00e3o de neurotransmissores e maior ativa\u00e7\u00e3o da am\u00edgdala, estrutura associada \u00e0s respostas emocionais.<br \/>\nA priva\u00e7\u00e3o repetida gera o que os especialistas chamam de \u201cd\u00edvida de sono\u201d. Uma boa noite pode aliviar a sensa\u00e7\u00e3o subjetiva de cansa\u00e7o, mas as fun\u00e7\u00f5es executivas demoram dias para se normalizar.<br \/>\nEm casos prolongados \u201448 ou 72 horas sem dormir\u2014 o c\u00e9rebro pode apresentar alucina\u00e7\u00f5es, crises convulsivas e epis\u00f3dios de \u201capag\u00e3o\u201d como mecanismo de prote\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPicarelli ressalta que cada pessoa tem um limiar individual, mas, de modo geral, adultos precisam de cerca de 8 horas de sono por noite para manter desempenho adequado. Dormir menos por v\u00e1rios dias consecutivos compromete mem\u00f3ria, racioc\u00ednio e reflexos \u2014cen\u00e1rio que se repete com frequ\u00eancia ap\u00f3s a maratona de blocos.<br \/>\nConcentra\u00e7\u00e3o da sa\u00edda do bloco de Bell Marques<br \/>\nJackson Martins \/Agfpontes<br \/>\n\u00c1lcool: primeiro desliga o freio, depois o motor<br \/>\nO \u00e1lcool atua como depressor do sistema nervoso central. Inicialmente, inibe neur\u00f4nios respons\u00e1veis pelo controle inibit\u00f3rio, o que explica a sensa\u00e7\u00e3o de euforia e desinibi\u00e7\u00e3o nas primeiras doses. \u00c0 medida que a concentra\u00e7\u00e3o aumenta, regi\u00f5es como o cerebelo (ligado \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o motora) e o hipocampo (essencial para a forma\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias) passam a ser afetadas.<br \/>\n\u00c9 nesse est\u00e1gio que surgem fala arrastada, desequil\u00edbrio e os chamados \u201capag\u00f5es\u201d, quando per\u00edodos inteiros deixam de ser registrados na mem\u00f3ria. Em n\u00edveis mais elevados, pode haver depress\u00e3o respirat\u00f3ria e coma alco\u00f3lico.<br \/>\nOs efeitos variam conforme a velocidade de ingest\u00e3o, a presen\u00e7a de alimento no est\u00f4mago, o metabolismo individual e a concentra\u00e7\u00e3o da bebida.<br \/>\nBebidas destiladas, com teor alco\u00f3lico acima de 40%, elevam rapidamente a quantidade de \u00e1lcool no sangue.<br \/>\nO consumo repetido em grandes quantidades \u2014o chamado binge drinking\u2014 pode gerar efeito cumulativo. Ao longo dos anos, o uso frequente est\u00e1 associado \u00e0 atrofia cerebral, preju\u00edzo cognitivo, neuropatias perif\u00e9ricas e defici\u00eancia de vitaminas do complexo B, al\u00e9m de danos hep\u00e1ticos graves, como cirrose.<br \/>\nBloco do Urso em 2025, em Santa Rita do Sapuca\u00ed (MG)<br \/>\nBloco do Urso\/Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nA combina\u00e7\u00e3o que multiplica riscos<br \/>\nSeparadamente, barulho intenso, falta de sono e \u00e1lcool j\u00e1 comprometem o desempenho cerebral. Juntos, os efeitos se potencializam.<br \/>\nA priva\u00e7\u00e3o de sono reduz o controle inibit\u00f3rio; o \u00e1lcool enfraquece ainda mais esse sistema. O resultado \u00e9 maior impulsividade, pior avalia\u00e7\u00e3o de risco e aumento da probabilidade de acidentes, conflitos e comportamentos perigosos.<br \/>\nA mistura com energ\u00e9ticos pode mascarar a sonol\u00eancia, mas n\u00e3o reduz o preju\u00edzo cognitivo. Ao contr\u00e1rio, prolonga o tempo de exposi\u00e7\u00e3o ao \u00e1lcool e pode aumentar o risco de arritmias e convuls\u00f5es em pessoas predispostas.<br \/>\nIndiv\u00edduos com enxaqueca, epilepsia, transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (TDAH) ou transtornos de ansiedade formam um grupo ainda mais vulner\u00e1vel. Altera\u00e7\u00f5es de sono e est\u00edmulos intensos s\u00e3o gatilhos conhecidos para crises, especialmente em quem j\u00e1 tem diagn\u00f3stico neurol\u00f3gico pr\u00e9vio.<br \/>\nQuando procurar ajuda<br \/>\nAp\u00f3s o Carnaval, alguns sinais exigem avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<br \/>\nZumbido persistente (avaliar com otorrinolaringologista com urg\u00eancia).<br \/>\nConfus\u00e3o mental.<br \/>\nAmn\u00e9sia prolongada.<br \/>\nDesorienta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDor de cabe\u00e7a s\u00fabita e intensa.<br \/>\nConvuls\u00f5es.<br \/>\nFraqueza em um lado do corpo.<br \/>\nPerda visual.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel curtir sem sobrecarregar?<br \/>\nOs especialistas refor\u00e7am que o c\u00e9rebro responde positivamente a est\u00edmulos prazerosos, como m\u00fasica e dan\u00e7a. O problema est\u00e1 no excesso e na aus\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAlgumas medidas simples ajudam a proteger o sistema nervoso durante o Carnaval:<br \/>\nDormir de 6 a 8 horas sempre que poss\u00edvel.<br \/>\nIntercalar momentos de descanso entre os blocos e eventos.<br \/>\nManter hidrata\u00e7\u00e3o adequada ao longo do dia.<br \/>\nEvitar misturar \u00e1lcool com energ\u00e9ticos.<br \/>\nUsar prote\u00e7\u00e3o auditiva em ambientes com som muito alto.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Multid\u00e3o acompanha abertura do carnaval do Recife 2026, no Marco Zero Leo Caldas\/g1 O Carnaval \u00e9 sin\u00f4nimo de m\u00fasica alta, madrugada estendida e brindes repetidos. Para o c\u00e9rebro, por\u00e9m, a soma desses est\u00edmulos pode significar sobrecarga. 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