{"id":65823,"date":"2026-02-21T18:01:39","date_gmt":"2026-02-21T21:01:39","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65823"},"modified":"2026-02-21T18:01:39","modified_gmt":"2026-02-21T21:01:39","slug":"mulheres-sao-mais-empaticas-que-os-homens-o-que-diz-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=65823","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o mais emp\u00e1ticas que os homens? O que diz a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/kpmeCvZA6Qk5kvtGDQlGo1o2glg=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/x\/5\/5bxWEIQLG20tRyF1ZsAQ\/cb1d7500-0c48-11f1-9972-d3f265c101c6.jpg.webp\"><br \/>     Pesquisas cient\u00edficas est\u00e3o desafiando estere\u00f3tipos de g\u00eanero antigos sobre empatia, e abrindo novas formas de pensar a masculinidade<br \/>\nGetty Images\/ Javier Hirschfeld\/ BBC<br \/>\nQuando mulheres realizavam grandes feitos, presumia-se, de forma equivocada, que &#8220;n\u00e3o eram mulheres que praticavam aquelas grandes a\u00e7\u00f5es, mas sim homens de saias!&#8221;, escreveu a fil\u00f3sofa Mary Astell, em 1705.<br \/>\nAt\u00e9 a rainha Elizabeth 1\u00aa disse, em frase que se tornaria c\u00e9lebre, que um dia governaria o pa\u00eds como um rei, apesar de ter o corpo de uma &#8220;mulher fr\u00e1gil&#8221;, como se governar fosse um caminho exclusivamente masculino.<br \/>\nEmbora esses exemplos sejam do passado, ainda persistem preconceitos de g\u00eanero sutis sobre o que significa ser uma pessoa bem-sucedida e poderosa.<br \/>\nDe modo geral, n\u00f3s ainda descrevemos caracter\u00edsticas como a empatia como naturalmente femininas, e tra\u00e7os como domin\u00e2ncia e assertividade, como masculinos. Mesmo quando demonstram o mesmo comportamento, os homens s\u00e3o vistos como assertivos, e as mulheres, como agressivas.<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<br \/>\nUma caracter\u00edstica frequentemente associada ao g\u00eanero feminino \u00e9 a empatia. Sup\u00f5e-se que as mulheres s\u00e3o emp\u00e1ticas por natureza, enquanto os homens que demonstram mais empatia costumam ser considerados fracos.<br \/>\nMas por que isso ocorre? Ser\u00e1 verdade que as mulheres s\u00e3o naturalmente mais emp\u00e1ticas do que os homens, ou somos socializadas para o sermos?<br \/>\nEstere\u00f3tipos de g\u00eanero como esses t\u00eam consequ\u00eancias claras na forma como educamos os nossos filhos, na cultura do ambiente de trabalho e na lideran\u00e7a. Mas o que \u00e9 menos vis\u00edvel \u00e9 a precocidade com que esses preconceitos come\u00e7am e o fato de os estere\u00f3tipos refor\u00e7arem as nossas expectativas, impondo restri\u00e7\u00f5es significativas sobre a forma como esperamos que os outros se comportem.<br \/>\nOs horm\u00f4nios por tr\u00e1s da empatia<br \/>\nA empatia envolve tanto a capacidade de compreender os pensamentos e sentimentos dos outros quanto a de responder de forma adequada. Tamb\u00e9m pode ser entendida em termos de empatia cognitiva \u2014 a habilidade de reconhecer emo\u00e7\u00f5es e adotar a perspectiva alheia \u2014 e de empatia afetiva ou emocional, quando reagimos emocionalmente aos pensamentos e sentimentos de algu\u00e9m.<br \/>\nOs cientistas utilizam diversos m\u00e9todos para medir empiricamente a empatia, incluindo question\u00e1rios e tarefas experimentais.<br \/>\nE h\u00e1 muito se observa que, em m\u00e9dia, as mulheres tendem a obter pontua\u00e7\u00f5es consistentemente mais altas do que os homens.<br \/>\nSimon Baron-Cohen, psic\u00f3logo cl\u00ednico da Universidade de Cambridge (Reino Unido), argumenta que isso ocorre porque o c\u00e9rebro feminino \u00e9 &#8220;predominantemente programado para a empatia&#8221;, o que tornaria as mulheres especialmente aptas para as fun\u00e7\u00f5es de cuidado, enquanto o c\u00e9rebro masculino seria &#8220;predominantemente programado para compreender e construir sistemas&#8221;.<br \/>\nA empatia parece ser algo que aprendemos ao longo do desenvolvimento e, portanto, \u00e9 moldada pelo ambiente social em que estamos inseridos<br \/>\nAlamy\/ Javier Hirschfeld\/ BBC<br \/>\nEmbora fatores sociais claramente influenciem a empatia, afirma Baron-Cohen, seu trabalho sugere que a exposi\u00e7\u00e3o a horm\u00f4nios no \u00fatero desempenha um papel no desenvolvimento social.<br \/>\nUm estudo conduzido por ele em 2006, com mais de 200 crian\u00e7as de 6 a 9 anos, constatou que os n\u00edveis de testosterona no l\u00edquido amni\u00f3tico durante a gesta\u00e7\u00e3o \u2014 mais elevados em fetos do sexo masculino do que do sexo feminino \u2014 est\u00e3o diretamente correlacionados ao desempenho das crian\u00e7as em testes cognitivos de sistematiza\u00e7\u00e3o, definida como a capacidade de analisar regras ou padr\u00f5es. De fato, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 testosterona no \u00fatero se mostrou um preditor mais forte do desempenho nos testes do que o sexo da crian\u00e7a isoladamente.<br \/>\nUm estudo semelhante, publicado em 2007, tamb\u00e9m mostrou que a exposi\u00e7\u00e3o fetal \u00e0 testosterona estava inversamente correlacionada \u00e0s pontua\u00e7\u00f5es em testes de empatia.<br \/>\n&#8220;O que est\u00e1 claro \u00e9 que algo como a empatia ou a sistematiza\u00e7\u00e3o resulta de uma combina\u00e7\u00e3o complexa de fatores biol\u00f3gicos e sociais&#8221;, afirma Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge.<br \/>\nA empatia est\u00e1 nos genes?<br \/>\nMuitos outros pesquisadores, como a neurocientista brit\u00e2nica Gina Rippon, consideram problem\u00e1tica essa teoria hormonal. &#8220;A ideia de que todas as mulheres s\u00e3o naturalmente mais emp\u00e1ticas faz parte da persist\u00eancia do chamado &#8216;mito do c\u00e9rebro feminino'&#8221;, diz Rippon. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso lembrar, acrescenta, que o c\u00e9rebro de crian\u00e7as pequenas \u00e9 &#8220;altamente responsivo a influ\u00eancias externas&#8221;.<br \/>\nEm um estudo considerado paradigm\u00e1tico, que identificou diferen\u00e7as de g\u00eanero em tarefas de empatia, as discrep\u00e2ncias n\u00e3o foram grandes: as mulheres apresentaram maior empatia em 36 dos 57 pa\u00edses analisados, mas em 21 pa\u00edses as pontua\u00e7\u00f5es foram muito semelhantes, e os autores afirmaram que &#8220;n\u00e3o podem determinar causalidade&#8221;.<br \/>\nEmbora as mulheres, em m\u00e9dia, obtenham pontua\u00e7\u00f5es ligeiramente mais altas em estudos sobre empatia, a varia\u00e7\u00e3o dentro de cada g\u00eanero \u00e9 muito maior do que a varia\u00e7\u00e3o entre eles. &#8220;Se voc\u00ea observar a distribui\u00e7\u00e3o das pontua\u00e7\u00f5es de empatia nas popula\u00e7\u00f5es masculina e feminina, ela \u00e9 enorme&#8221;, afirma Rippon.<br \/>\nCostuma-se dizer que as meninas e as mulheres s\u00e3o mais atentas \u00e0s express\u00f5es faciais dos outros, uma habilidade considerada central para a empatia, mas os resultados s\u00e3o inconclusivos, e pesquisas recentes indicam que essa prefer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 inata.<br \/>\nUma meta-an\u00e1lise publicada em 2025 examinou 31 estudos, reunindo 40 experimentos distintos, sobre como as meninas e os meninos de um m\u00eas de idade observavam os rostos dos outros, se choravam quando os outros choravam e qu\u00e3o atentos estavam \u00e0s pessoas ao redor. Em todas essas medidas, independentemente do sexo, os beb\u00eas n\u00e3o apresentaram diferen\u00e7as quanto \u00e0 consci\u00eancia social e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para compreender as emo\u00e7\u00f5es alheias.<br \/>\nUm estudo gen\u00e9tico de grande escala publicado em 2018, com mais de 46 mil participantes que responderam a um question\u00e1rio e enviaram amostras de DNA, sugeriu que os genes desempenham algum papel no grau de empatia de uma pessoa. No entanto, nenhum desses genes est\u00e1 associado ao sexo do indiv\u00edduo.<br \/>\nVarun Warrier, professor assistente de pesquisa em neurodesenvolvimento na Universidade de Cambridge (Reino Unido) e autor do estudo, afirmou \u00e0 \u00e9poca que &#8220;como apenas um d\u00e9cimo da varia\u00e7\u00e3o no grau de empatia entre indiv\u00edduos se deve \u00e0 gen\u00e9tica, \u00e9 igualmente importante compreender os fatores n\u00e3o gen\u00e9ticos&#8221;.<br \/>\nIsso indica que o ambiente em que algu\u00e9m cresce e vive tamb\u00e9m exerce influ\u00eancia.<br \/>\nA socializa\u00e7\u00e3o da empatia<br \/>\nAs mulheres tendem a demonstrar mais tra\u00e7os de empatia, n\u00e3o por serem inatos, argumentam muitos cientistas, mas porque meninas e mulheres s\u00e3o socializadas, desde muito cedo, a agir de acordo com as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es e a priorizar as necessidades dos outros. As meninas tamb\u00e9m costumam receber brinquedos que enfatizam habilidades mais delicadas e de cuidado, enquanto os meninos s\u00e3o incentivados a brincar com ferramentas e carrinhos de brinquedo.<br \/>\n&#8220;As meninas pequenas s\u00e3o ensinadas a ser gentis e a n\u00e3o ser rudes ou agressivas, e isso gradualmente passa a fazer parte de quem elas s\u00e3o&#8221;, afirma a neurocientista brit\u00e2nica Gina Rippon.<br \/>\nDiversos estudos tamb\u00e9m indicam que o poder distorce a empatia e inibe a capacidade de senti-la. No meu livro Breadwinners (Provedores, em tradu\u00e7\u00e3o livre), apresento o argumento de que, como os homens historicamente detiveram mais poder do que as mulheres \u2014 e ainda o fazem nos neg\u00f3cios e na pol\u00edtica \u2014, tendem, por isso, a experimentar n\u00edveis mais baixos de empatia.<br \/>\nPor outro lado, pesquisas mostram que pessoas em situa\u00e7\u00e3o de menor poder econ\u00f4mico s\u00e3o mais capazes de reconhecer emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\nUm estudo constatou, por exemplo, que pessoas que se percebiam como tendo &#8220;menor posi\u00e7\u00e3o subjetiva, menor renda e pertencendo a grupos culturais associados \u00e0 classe baixa&#8221; demonstraram maior habilidade para identificar emo\u00e7\u00f5es alheias. O fato de mulheres apresentarem pontua\u00e7\u00f5es mais altas em empatia pode, portanto, decorrer da necessidade de serem altamente perceptivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que det\u00eam poder, somada \u00e0 sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o relativa de menor poder.<br \/>\nA empatia \u00e9 um tra\u00e7o male\u00e1vel<br \/>\nO ponto central \u00e9 que a empatia pode ser aprendida, segundo Nathan Spreng, neurologista da Universidade McGill, em Montreal, Quebec (Canad\u00e1). &#8220;Quando entendemos essa ideia de uma gama de experi\u00eancias emocionais, podemos nos concentrar nisso, aprender quais s\u00e3o as emo\u00e7\u00f5es das outras pessoas e aprimorar nossa empatia&#8221;, afirmou Spreng ao The Documentary Podcast, da BBC News. &#8220;Ela n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, \u00e9 algo din\u00e2mico ao longo da vida.&#8221;<br \/>\nUm estudo neurol\u00f3gico publicado em 2023 mostrou que as ondas cerebrais de mulheres e homens reagem de maneira semelhante quando os participantes s\u00e3o expostos a imagens de express\u00f5es faciais dolorosas ou neutras. No entanto, na etapa do experimento em que os participantes responderam a question\u00e1rios avaliando o quanto se sentiam emp\u00e1ticos, os homens obtiveram, em m\u00e9dia, pontua\u00e7\u00f5es mais baixas do que as mulheres, a menos que fossem informados previamente de que teriam bom desempenho.<br \/>\nAs diferen\u00e7as de g\u00eanero na percep\u00e7\u00e3o de empatia desapareceram no grupo de homens que recebeu previamente a informa\u00e7\u00e3o de que os homens tamb\u00e9m s\u00e3o naturalmente &#8220;bons em compartilhar e cuidar dos sentimentos dos outros&#8221;.<br \/>\nEsses resultados indicam n\u00e3o apenas que experimentos baseados em autorrelato sobre empatia s\u00e3o dif\u00edceis de dissociar de uma s\u00e9rie de vieses pessoais e sociais, mas tamb\u00e9m refor\u00e7am a hip\u00f3tese de que as expectativas e as motiva\u00e7\u00f5es individuais desempenham papel central na empatia.<br \/>\nAs mulheres &#8220;tendem a vistas mais como emp\u00e1ticas quando sabem que seus n\u00edveis de empatia est\u00e3o sendo avaliados&#8221;, afirma Rippon, referindo-se a experimentos desse tipo. &#8220;\u00c9 uma caracter\u00edstica socialmente valorizada, ent\u00e3o elas querem obter pontua\u00e7\u00e3o alta.&#8221;<br \/>\nUm estudo constatou que as mulheres superaram os homens em uma tarefa que exigia inferir com precis\u00e3o os sentimentos de outra pessoa apenas quando, antes, eram convidadas a refletir sobre os pr\u00f3prios sentimentos. Quando n\u00e3o houve esse est\u00edmulo, n\u00e3o se observou diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros.<br \/>\nE, quando pesquisadores ofereceram dinheiro aos participantes para que identificassem corretamente as emo\u00e7\u00f5es alheias, a precis\u00e3o emp\u00e1tica aumentou em ambos os grupos. Os participantes aprenderam facilmente a ser emp\u00e1ticos porque havia uma recompensa associada.<br \/>\nSara Hodges, psic\u00f3loga da Universidade do Oregon (EUA) e coautora do estudo, prop\u00f5e que as mulheres podem apresentar maior precis\u00e3o emp\u00e1tica n\u00e3o por uma habilidade inata, mas porque se sentem mais motivadas por expectativas sociais.<br \/>\nEm vez de encarar a empatia como um tra\u00e7o fixo, ela defende que o conceito seja entendido como um processo que mobiliza m\u00faltiplas fontes de informa\u00e7\u00e3o, como linguagem corporal, fala, estere\u00f3tipos, experi\u00eancias pessoais e intera\u00e7\u00f5es anteriores.<br \/>\n&#8220;Quando as pessoas est\u00e3o mais motivadas a saber o que algu\u00e9m est\u00e1 pensando ou sentindo, recorrem a mais fontes para construir essa compreens\u00e3o&#8221;, afirma Hodges.<br \/>\nQuando h\u00e1 recompensa financeira, a diferen\u00e7a de empatia entre homens e mulheres desaparece<br \/>\nAlamy\/ Javier Hirschfeld\/ BBC<br \/>\nAs consequ\u00eancias graves do vi\u00e9s da empatia<br \/>\nSegundo Hodges, da Universidade do Oregon, fala-se pouco sobre o fato de que a empatia n\u00e3o \u00e9 apenas uma habilidade interpessoal usada para fins positivos \u2014 ela tamb\u00e9m pode ser empregada para manipular ou explorar outras pessoas. &#8220;Por exemplo, em uma negocia\u00e7\u00e3o, se voc\u00ea conhece o limite m\u00ednimo da outra parte, \u00e9 um negociador melhor&#8221;, afirma.<br \/>\nEm \u00faltima inst\u00e2ncia, as consequ\u00eancias das expectativas em torno da empatia e de tra\u00e7os associados podem contribuir para desigualdades sociais e produzir efeitos graves tanto para as mulheres quanto para os homens.<br \/>\nAs mulheres s\u00e3o consideradas menos propensas a ter potencial de lideran\u00e7a porque ainda associamos lideran\u00e7a a domin\u00e2ncia e assertividade, caracter\u00edsticas tradicionalmente vinculadas \u00e0 masculinidade.<br \/>\nPor outro lado, quando se trata de solid\u00e3o, as mulheres tendem mais a buscar apoio em sua rede social do que os homens. O isolamento social, por sua vez, \u00e9 um fator de risco conhecido para tentativa de suic\u00eddio, cuja taxa \u00e9 significativamente mais alta entre homens.<br \/>\nFelizmente, a narrativa sobre a import\u00e2ncia das habilidades emocionais entre homens e mulheres vem mudando lentamente e inclui o reconhecimento da relev\u00e2ncia da empatia e das responsabilidades de cuidado, segundo Niall Hanlon, soci\u00f3logo da Universidade Tecnol\u00f3gica de Dublin (Irlanda).<br \/>\n&#8220;De modo geral, os homens e os meninos s\u00e3o socializados para n\u00e3o enxergar o cuidado da mesma forma que as mulheres e as meninas, como se isso n\u00e3o fizesse parte da trajet\u00f3ria de ser homem&#8221;, afirma Hanlon. &#8220;Eles se imaginam como pais, mas n\u00e3o esperam ocupar uma posi\u00e7\u00e3o principal de cuidado.&#8221;<br \/>\nMas a sociedade j\u00e1 come\u00e7a a mudar, abrindo espa\u00e7o para que mais homens assumam responsabilidades de cuidado e expressem empatia de forma mais aberta. Hoje, os homens passam mais tempo com os filhos do que no passado e afirmam desejar dedicar mais tempo \u00e0 fam\u00edlia (embora as mulheres ainda assumam a maior parte do trabalho flex\u00edvel e dos cuidados com as crian\u00e7as).<br \/>\nO esfor\u00e7o para redefinir os homens como mais cuidadosos e emp\u00e1ticos pode abrir caminho para um novo tipo de masculinidade que ajude a prevenir a solid\u00e3o, diz Hanlon, da Universidade Tecnol\u00f3gica de Dublin \u2014 uma masculinidade que enfatize interdepend\u00eancia e a empatia, em vez de um modelo baseado em indiv\u00edduos aut\u00f4nomos centrados no poder.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 muitas pesquisas que mostram que isso \u00e9 muito melhor&#8221;, afirma Hanlon. &#8220;Para homens, mulheres e crian\u00e7as.&#8221;<br \/>\nMelissa Hogenboom \u00e9 correspondente de sa\u00fade da BBC News e autora de Breadwinners (2025) e The Motherhood Complex (2021).<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas cient\u00edficas est\u00e3o desafiando estere\u00f3tipos de g\u00eanero antigos sobre empatia, e abrindo novas formas de pensar a masculinidade Getty Images\/ Javier Hirschfeld\/ BBC Quando mulheres realizavam grandes feitos, presumia-se, de forma equivocada, que &#8220;n\u00e3o eram mulheres que praticavam aquelas grandes a\u00e7\u00f5es, mas sim homens de saias!&#8221;, escreveu a fil\u00f3sofa Mary Astell, em 1705. 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