{"id":66283,"date":"2026-03-04T06:05:45","date_gmt":"2026-03-04T09:05:45","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=66283"},"modified":"2026-03-04T06:05:45","modified_gmt":"2026-03-04T09:05:45","slug":"cientistas-descobrem-que-sistema-imune-rouba-dna-de-celulas-que-estao-morrendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=66283","title":{"rendered":"Cientistas descobrem que sistema imune \u2018rouba\u2019 DNA de c\u00e9lulas que est\u00e3o morrendo"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/CF3qez13slin2TdaWIW-j1GybKY=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/f\/s\/NwGO5GQeyRaYKETgj99Q\/mao-com-lupus.jpg\"><br \/>     Descoberta traz respostas sobre doen\u00e7as como o l\u00fapus<br \/>\nBanco de imagens<br \/>\nCientistas descobriram um fen\u00f4meno at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido no corpo humano: estruturas do sistema imune conseguem invadir o n\u00facleo de tecidos em colapso e extrair seu DNA. Esse material gen\u00e9tico, uma vez internalizado, ativa um poderoso alarme inflamat\u00f3rio.<br \/>\nO mecanismo foi descrito por pesquisadores em estudo publicado na revista cient\u00edfica Nature Communications. Os autores deram um nome ao processo: nucleocitose.<br \/>\nA descoberta ajuda a explicar como o pr\u00f3prio DNA do corpo pode desencadear inflama\u00e7\u00e3o \u2014algo que intriga a ci\u00eancia h\u00e1 anos, especialmente em doen\u00e7as autoimunes.<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<br \/>\nO que os cientistas descobriram<br \/>\nAt\u00e9 hoje, os cientistas sabiam que o sistema imune tem sensores capazes de identificar DNA estranho dentro das c\u00e9lulas, como o material gen\u00e9tico de um v\u00edrus. Quando isso acontece, a c\u00e9lula entende que est\u00e1 sob ataque e aciona um mecanismo de defesa. Esse mecanismo leva \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de interferon, uma subst\u00e2ncia que funciona como um sinal de alerta e ajuda o corpo a combater infec\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&#x27a1;&#xfe0f; A d\u00favida era outra: como o DNA do pr\u00f3prio corpo \u2014liberado quando uma estrutura est\u00e1 morrendo\u2014 poderia ativar esse mesmo alarme?<br \/>\nO estudo mostrou que os macr\u00f3fagos, um tipo de c\u00e9lula de defesa, fazem algo inesperado. Em vez de apenas engolir restos celulares, eles podem estender estruturas parecidas com \u201cbra\u00e7os\u201d e alcan\u00e7ar diretamente o n\u00facleo da estrutura em colapso. Ali, retiram fragmentos de DNA.<br \/>\nUma vez dentro do macr\u00f3fago, esse material gen\u00e9tico ativa o mesmo sensor usado para detectar v\u00edrus. O resultado \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de interferon e o disparo de uma resposta inflamat\u00f3ria.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 fagocitose<br \/>\nO processo \u00e9 diferente da fagocitose, mecanismo cl\u00e1ssico em que a c\u00e9lula de defesa engole completamente a c\u00e9lula morta.<br \/>\nNa nucleocitose:<br \/>\nA c\u00e9lula imune se conecta ao n\u00facleo da c\u00e9lula moribunda.<br \/>\nEstruturas protrusivas penetram no n\u00facleo.<br \/>\nO DNA \u00e9 extra\u00eddo.<br \/>\nA c\u00e9lula de defesa ativa a via inflamat\u00f3ria.<br \/>\nOs pesquisadores conseguiram filmar o fen\u00f4meno em tempo real.<br \/>\nO papel da hidroxicloroquina<br \/>\nOutro resultado chamou aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores: A hidroxicloroquina \u2014medicamento usado no tratamento de doen\u00e7as autoimunes como l\u00fapus e artrite reumatoide\u2014 foi capaz de provocar esse fen\u00f4meno em laborat\u00f3rio.<br \/>\nSegundo o estudo, a droga interfere no funcionamento dos lisossomos, estruturas que atuam como o \u201csistema de reciclagem\u201d da c\u00e9lula. Quando essas estruturas deixam de funcionar adequadamente, a c\u00e9lula entra em colapso e come\u00e7a a morrer.<br \/>\nNesse processo, prote\u00ednas que normalmente ficam dispersas passam a se acumular no n\u00facleo. Essa altera\u00e7\u00e3o parece sinalizar para as c\u00e9lulas de defesa que h\u00e1 algo errado.<br \/>\n&#x27a1;&#xfe0f; \u00c9 nesse momento que ocorre a nucleocitose: os macr\u00f3fagos se conectam ao n\u00facleo da c\u00e9lula moribunda, extraem seu DNA e ativam a via inflamat\u00f3ria.<br \/>\nOs autores sugerem que parte dos efeitos imunol\u00f3gicos da hidroxicloroquina pode estar ligada a esse mecanismo indireto de ativa\u00e7\u00e3o do interferon.<br \/>\nO que isso pode significar<br \/>\nA descoberta pode ter implica\u00e7\u00f5es importantes em diferentes doen\u00e7as porque todas elas envolvem, de alguma forma, ativa\u00e7\u00e3o inadequada ou exagerada do interferon.<br \/>\nNas doen\u00e7as autoimunes, como l\u00fapus, o sistema imune passa a reagir contra componentes do pr\u00f3prio corpo. Em muitos pacientes, m\u00e9dicos detectam uma \u201cassinatura de interferon\u201d \u2014ou seja, n\u00edveis elevados de genes ativados por essa mol\u00e9cula inflamat\u00f3ria.<br \/>\n&#x27a1;&#xfe0f; O que nem sempre estava claro era: de onde vinha o est\u00edmulo inicial para ativar essa via? A nucleocitose oferece uma hip\u00f3tese. Se c\u00e9lulas que est\u00e3o morrendo liberam DNA e esse material \u00e9 ativamente extra\u00eddo por macr\u00f3fagos, o pr\u00f3prio DNA do paciente pode estar alimentando a inflama\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNas inflama\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, como ocorre em algumas doen\u00e7as intestinais ou pulmonares, h\u00e1 morte celular cont\u00ednua. Quanto maior o n\u00famero de c\u00e9lulas em colapso, maior pode ser a disponibilidade de DNA nuclear para ativar o sistema imune por esse mecanismo.<br \/>\n&#x27a1;&#xfe0f; No c\u00e2ncer, o cen\u00e1rio \u00e9 amb\u00edguo. A ativa\u00e7\u00e3o da via do interferon pode ajudar o sistema imune a reconhecer e combater tumores. Por outro lado, inflama\u00e7\u00e3o persistente tamb\u00e9m pode favorecer crescimento tumoral em certos contextos. Entender como o DNA de c\u00e9lulas tumorais mortas \u00e9 processado pode ajudar a modular essa resposta.<br \/>\nJ\u00e1 nas infec\u00e7\u00f5es virais, o interferon \u00e9 essencial para conter a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Se drogas ou processos naturais induzirem nucleocitose, isso pode amplificar a resposta antiviral de forma indireta.<br \/>\nEm v\u00e1rias dessas condi\u00e7\u00f5es, pesquisadores j\u00e1 observavam essa \u201cassinatura de interferon\u201d \u2014sinais de que a via inflamat\u00f3ria estava ativa \u2014sem compreender exatamente qual era o gatilho inicial. A nucleocitose surge agora como uma poss\u00edvel pe\u00e7a desse quebra-cabe\u00e7a.<br \/>\nUm novo cap\u00edtulo na imunologia<br \/>\nO DNA n\u00e3o consegue atravessar livremente a membrana celular. Por isso, sempre foi um desafio entender como o material gen\u00e9tico liberado por c\u00e9lulas mortas poderia alcan\u00e7ar sensores internos da c\u00e9lula imune.<br \/>\nO estudo mostra que o processo n\u00e3o \u00e9 passivo. \u00c9 ativo, direcionado e envolve reorganiza\u00e7\u00e3o estrutural da c\u00e9lula de defesa.<br \/>\nAo revelar como o pr\u00f3prio DNA pode ativar o sistema imune, a descoberta abre caminho para novas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas \u2014tanto para estimular respostas antivirais quanto para controlar inflama\u00e7\u00f5es excessivas.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descoberta traz respostas sobre doen\u00e7as como o l\u00fapus Banco de imagens Cientistas descobriram um fen\u00f4meno at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido no corpo humano: estruturas do sistema imune conseguem invadir o n\u00facleo de tecidos em colapso e extrair seu DNA. Esse material gen\u00e9tico, uma vez internalizado, ativa um poderoso alarme inflamat\u00f3rio. 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