{"id":66598,"date":"2026-03-11T06:00:34","date_gmt":"2026-03-11T09:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=66598"},"modified":"2026-03-11T06:00:34","modified_gmt":"2026-03-11T09:00:34","slug":"cientistas-criam-mini-robos-que-podem-dissolver-pedras-nos-rins-dentro-do-corpo-sem-cirurgia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=66598","title":{"rendered":"Cientistas criam &#8216;mini rob\u00f4s&#8217; que podem dissolver pedras nos rins dentro do corpo sem cirurgia"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/iPVwvnrMDgKIKCozDxVNVQc58CM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/y\/s\/OpAbDGSL2arTeDwXOE8A\/salt-shape-kidney-dark-floor.jpg\"><br \/>     Freepik<br \/>\nUm grupo de cientistas desenvolveu mini rob\u00f4s capazes de dissolver pedras nos rins dentro do pr\u00f3prio trato urin\u00e1rio, sem necessidade de cirurgia.<br \/>\nA tecnologia, descrita em um estudo publicado na revista cient\u00edfica Advanced Healthcare Materials, usa dispositivos microsc\u00f3picos guiados por campos magn\u00e9ticos para levar uma enzima at\u00e9 o local do c\u00e1lculo. Ali, ela altera a qu\u00edmica da urina e cria condi\u00e7\u00f5es para que a pedra comece a se dissolver.<br \/>\nEm testes de laborat\u00f3rio, o m\u00e9todo conseguiu reduzir cerca de 30% da massa de c\u00e1lculos de \u00e1cido \u00farico em cinco dias.<br \/>\nEmbora a t\u00e9cnica ainda esteja em fase experimental, os pesquisadores afirmam que ela pode abrir caminho para tratamentos menos invasivos, especialmente para pessoas que formam pedras nos rins com frequ\u00eancia ou que n\u00e3o podem se submeter a cirurgia.<br \/>\nComo os rob\u00f4s dissolvem a pedra<br \/>\nNem todas as pedras nos rins s\u00e3o iguais. Em cerca de 13% dos casos, elas s\u00e3o formadas principalmente por \u00e1cido \u00farico, subst\u00e2ncia que se cristaliza quando a urina est\u00e1 muito \u00e1cida.<br \/>\nPor isso, uma das estrat\u00e9gias m\u00e9dicas usadas nesses casos \u00e9 aumentar o pH da urina \u2014ou seja, torn\u00e1-la menos \u00e1cida. Quando isso acontece, os cristais de \u00e1cido \u00farico podem come\u00e7ar a se dissolver.<br \/>\n\u00c9 justamente esse processo que os mini rob\u00f4s tentam provocar de forma localizada dentro do trato urin\u00e1rio.<br \/>\n&#x2139;&#xfe0f; Cada rob\u00f4 carrega uma enzima chamada urease. Quando ela entra em contato com a ureia \u2014subst\u00e2ncia naturalmente presente na urina\u2014, ocorre uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que libera am\u00f4nia e di\u00f3xido de carbono, alterando o pH do l\u00edquido.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, o processo acontece assim:<br \/>\no rob\u00f4 \u00e9 guiado at\u00e9 a pedra nos rins por campos magn\u00e9ticos externos;<br \/>\nao chegar perto do c\u00e1lculo, a urease entra em contato com a ureia presente na urina;<br \/>\na rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica libera am\u00f4nia, que torna a urina menos \u00e1cida \u2014ou seja, aumenta o pH;<br \/>\nesse ambiente mais alcalino favorece a dissolu\u00e7\u00e3o de pedras formadas por \u00e1cido \u00farico, que se desfazem mais facilmente quando o pH da urina sobe.<br \/>\nNos experimentos, os pesquisadores observaram que a urina passou de pH 6 para cerca de pH 7, faixa considerada ideal para dissolver esse tipo de c\u00e1lculo renal.<br \/>\nComo funcionam os \u201crob\u00f4s\u201d contra pedra nos rins<br \/>\nOs dispositivos t\u00eam cerca de 1 mil\u00edmetro de espessura e 12 mil\u00edmetros de comprimento, tamanho suficiente para circular pelo trato urin\u00e1rio.<br \/>\nEles s\u00e3o feitos de um material semelhante a um hidrogel \u2014parecido com gelatina\u2014 e carregam a enzima respons\u00e1vel pela rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. No interior do dispositivo h\u00e1 tamb\u00e9m um microsc\u00f3pico \u00edm\u00e3, que permite moviment\u00e1-lo com campos magn\u00e9ticos externos.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, a proposta seria:<br \/>\ninserir o rob\u00f4 no sistema urin\u00e1rio por meio de um cateter fino;<br \/>\ngui\u00e1-lo com \u00edm\u00e3s externos at\u00e9 a regi\u00e3o da pedra;<br \/>\nmant\u00ea-lo pr\u00f3ximo ao c\u00e1lculo para que ele promova a rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que altera o pH da urina.<br \/>\n\u201cEles seriam introduzidos por um pequeno cateter na bexiga\u201d, explica ao g1 a engenheira biom\u00e9dica Veronika Magdanz, da Universidade de Waterloo, no Canad\u00e1, uma das autoras do estudo.<br \/>\nSegundo ela, campos magn\u00e9ticos relativamente fracos j\u00e1 seriam suficientes para posicionar os dispositivos.<br \/>\n\u201cIsso \u00e9 bastante realista, porque precisamos apenas de uma for\u00e7a magn\u00e9tica pequena para mant\u00ea-los no lugar. Os rob\u00f4s s\u00e3o muito sens\u00edveis ao campo magn\u00e9tico e tamb\u00e9m s\u00e3o flex\u00edveis, ent\u00e3o n\u00e3o causariam dor\u201d, afirma.<br \/>\nNem todas as pedras nos rins s\u00e3o iguais.<br \/>\nFreepik<br \/>\nEm quanto tempo uma pedra poderia desaparecer<br \/>\nO tempo necess\u00e1rio para dissolver um c\u00e1lculo pode variar bastante.<br \/>\n\u201cCada paciente tem pedras de tamanhos diferentes, ent\u00e3o o processo pode levar de alguns dias a algumas semanas at\u00e9 que o c\u00e1lculo se dissolva o suficiente para ser eliminado\u201d, diz Magdanz.<br \/>\nOs pesquisadores explicam que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio dissolver completamente o c\u00e1lculo: pedras menores que cerca de 4 mil\u00edmetros podem ser eliminadas naturalmente pela urina.<\/p>\n<p>Freepik<br \/>\nComo os rob\u00f4s seriam removidos do corpo<br \/>\nDepois do tratamento, os dispositivos n\u00e3o precisariam necessariamente de cirurgia para serem retirados.<br \/>\nDe acordo com a pesquisadora, eles poderiam:<br \/>\nser eliminados naturalmente pela urina, ou<br \/>\npuxados com um \u00edm\u00e3 externo.<br \/>\nO que ainda falta antes de chegar aos pacientes<br \/>\nApesar do potencial, a tecnologia ainda est\u00e1 em fase inicial. Os testes foram feitos apenas em urina sint\u00e9tica e em modelos artificiais do trato urin\u00e1rio feitos em impressoras 3D.<br \/>\nAntes de chegar a pacientes, ser\u00e1 preciso resolver v\u00e1rios desafios, como:<br \/>\ngarantir que os rob\u00f4s possam ser visualizados e guiados com precis\u00e3o dentro do corpo;<br \/>\ntestar o comportamento deles com fluxo real de urina e movimento do ureter;<br \/>\navaliar poss\u00edveis rea\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias ou imunol\u00f3gicas.<br \/>\nSegundo Magdanz, os materiais usados s\u00e3o considerados biocompat\u00edveis, mas testes em organismos vivos ainda ser\u00e3o necess\u00e1rios.<br \/>\n\u201cPrecisamos realizar estudos in vivo para verificar poss\u00edveis respostas inflamat\u00f3rias\u201d, afirma.<br \/>\nMesmo com resultados promissores, a aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica ainda deve demorar.<br \/>\n\u201cAinda depende de financiamento e aprova\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias. Provavelmente levar\u00e1 pelo menos cinco anos at\u00e9 que possamos testar em humanos\u201d, diz Magdanz.<br \/>\nSe a tecnologia se mostrar eficaz, os pesquisadores acreditam que ela poderia beneficiar especialmente pessoas que formam pedras de \u00e1cido \u00farico repetidamente ou pacientes que n\u00e3o podem se submeter a cirurgia por outras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<br \/>\nNo futuro, os rob\u00f4s tamb\u00e9m poderiam ser usados para levar medicamentos diretamente ao trato urin\u00e1rio, como antibi\u00f3ticos para tratar infec\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Freepik Um grupo de cientistas desenvolveu mini rob\u00f4s capazes de dissolver pedras nos rins dentro do pr\u00f3prio trato urin\u00e1rio, sem necessidade de cirurgia. 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