{"id":66765,"date":"2026-03-14T18:03:10","date_gmt":"2026-03-14T21:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=66765"},"modified":"2026-03-14T18:03:10","modified_gmt":"2026-03-14T21:03:10","slug":"ela-passava-16-horas-no-instagram-agora-um-juri-vai-decidir-se-a-meta-e-o-google-tem-culpa-nisso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=66765","title":{"rendered":"Ela passava 16 horas no Instagram. Agora, um j\u00fari vai decidir se a Meta e o Google t\u00eam culpa nisso"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/_UBDGmMdTrJDVFEg6-yTLqTFG9w=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/b\/V\/AA6TpaScmVtNqAhTQdNA\/2026-02-18t163808z-1629958723-rc2gojax1yfx-rtrmadp-3-socialmedia-trial.jpg\"><br \/>     Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos \u00e0 morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles<br \/>\nEthan Swope\/Getty Images\/AFP<br \/>\nKaley ficava no Instagram at\u00e9 pegar no sono. Ela acordava no meio da noite para conferir as notifica\u00e7\u00f5es. Abria o aplicativo assim que acordava. Um dia, passou 16 horas nessa rede social.<br \/>\n&#8220;Parei de interagir com minha fam\u00edlia porque passava todo o meu tempo nas redes sociais&#8221;, relatou Kaley a um j\u00fari em Los Angeles, nos EUA, durante um processo hist\u00f3rico contra a Meta e o Google, duas das maiores empresas do mundo.<br \/>\nO TikTok e o Snapchat, que tamb\u00e9m foram citados no processo original, fizeram um acordo extrajudicial.<br \/>\nConhecida apenas por seu primeiro nome ou pelas iniciais KGM, para proteger sua privacidade, a hist\u00f3ria de Kaley se tornou o caso exemplar para mais de 2 mil processos semelhantes que buscam responsabilizar as empresas de redes sociais pelos supostos danos \u00e0 sa\u00fade mental de seus usu\u00e1rios mais jovens.<br \/>\nEsse \u00e9 o primeiro julgamento do tipo, e ele \u00e9 acompanhado de perto por especialistas jur\u00eddicos e pais que acreditam que seus filhos foram prejudicados, at\u00e9 mesmo levados ao suic\u00eddio, por causa das redes sociais.<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<br \/>\nLori Schott passou v\u00e1rios dias de olho no julgamento em Los Angeles, apesar de n\u00e3o ter participado do processo.<br \/>\nSua filha Annalee tirou a pr\u00f3pria vida aos 18 anos, uma trag\u00e9dia que Schott atribui \u00e0 forma como o Instagram a exp\u00f4s a conte\u00fados psicologicamente prejudiciais, apesar de a empresa supostamente saber o que essas postagens poderiam causar aos jovens.<br \/>\n&#8220;Eles esconderam as evid\u00eancias que tinham. Sabiam que era viciante. Nos deram uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a&#8221;, disse Schott, descrevendo \u00e0 BBC o que aprendeu com o julgamento. &#8220;A equipe de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas deles parecia apenas tentar nos convencer de que o mundo era um mar de rosas.&#8221;<br \/>\nAlto risco<br \/>\nO cerne desse caso reside em saber se Kaley era viciada em redes sociais \u2014 e se as empresas de redes sociais projetaram as plataformas justamente para serem viciantes.<br \/>\nCaso isso se confirme, o j\u00fari precisar\u00e1 decidir o que as empresas devem a jovens como Kaley, que podem ter sido prejudicadas por causa disso.<br \/>\nO que est\u00e1 em jogo neste julgamento, para a Meta, o Google e outras plataformas de redes sociais, \u00e9 muito importante.<br \/>\nA maioria das quest\u00f5es legais do caso, principalmente a de que as plataformas de redes sociais s\u00e3o viciantes para jovens usu\u00e1rios e foram projetadas intencionalmente para serem assim, s\u00e3o &#8220;completamente in\u00e9ditas&#8221;, como afirmou a ju\u00edza Carolyn Kuhl diversas vezes ao longo do julgamento.<br \/>\nO resultado pode ser t\u00e3o potencialmente controverso que o pr\u00f3prio Mark Zuckerberg, bilion\u00e1rio cofundador e CEO da Meta, propriet\u00e1ria do Instagram, Facebook e WhatsApp, compareceu pessoalmente para defender as suas plataformas.<br \/>\nFoi a primeira vez que ele prestou um depoimento do tipo diante de um tribunal, apesar de sua empresa ter sido processada centenas de vezes no passado.<br \/>\nSe o j\u00fari decidir a favor de Kaley, isso abalaria d\u00e9cadas de precedentes legais e culturais que trataram as plataformas como meros reposit\u00f3rios da natureza humana.<br \/>\nIsso tamb\u00e9m abriria caminho para poss\u00edveis acordos hist\u00f3ricos a serem pagos por empresas como a Meta.<br \/>\nMilhares de outros casos semelhantes ao de Kaley, que atualmente tramitam no sistema judicial dos EUA, ser\u00e3o inevitavelmente influenciados pelo resultado deste  julgamento in\u00e9dito.<br \/>\nMesmo que o j\u00fari de Los Angeles n\u00e3o considere a Meta ou o Google culpados no caso de Kaley, a press\u00e3o p\u00fablica e pol\u00edtica contra as grandes empresas de tecnologia tem aumentado nos \u00faltimos anos.<br \/>\nEssas empresas, em geral, n\u00e3o t\u00eam responsabilidade legal em rela\u00e7\u00e3o aos seus usu\u00e1rios, mas uma onda de adolescentes diagnosticados com s\u00e9rios problemas de sa\u00fade mental e um aumento nos epis\u00f3dios de suic\u00eddios entre crian\u00e7as levaram pais e governos a come\u00e7ar a proibir o uso de m\u00eddias sociais para os mais jovens.<br \/>\nEles dizem que as plataformas exp\u00f5em as crian\u00e7as a tudo, desde padr\u00f5es de beleza inating\u00edveis at\u00e9 predadores sexuais.<br \/>\nAaron Ping tamb\u00e9m tem acompanhado o julgamento de perto.<br \/>\nSeu filho, Avery, tirou a pr\u00f3pria vida aos 16 anos. Ele descreveu \u00e0 BBC a hist\u00f3ria de um menino que passou de um &#8220;companheiro de aventuras&#8221; a algu\u00e9m com quem frequentemente brigava por causa do uso excessivo do YouTube.<br \/>\n&#8220;Elaboramos um acordo sobre o tempo de tela com os orientadores da escola, e definimos o que ele precisava fazer para obter a quantidade de tempo de tela permitida&#8221;, disse Ping.<br \/>\nA Meta e o YouTube n\u00e3o responderam a um pedido da BBC por um posicionamento a respeito das experi\u00eancias de Schott e Ping.<br \/>\nKaley explicou no tribunal que come\u00e7ou a usar o YouTube aos seis anos. Aos nove, ela tinha uma conta no Instagram.<br \/>\nA Meta afirma proibir o acesso de usu\u00e1rios menores de 13 anos a qualquer uma de suas plataformas, enquanto o YouTube oferece vers\u00f5es diferentes de sua plataforma para crian\u00e7as, como o YouTube Kids.<br \/>\nKaley logo criou dezenas de contas em ambas as plataformas, numa tentativa de gerar curtidas e intera\u00e7\u00f5es com o conte\u00fado que publicava \u2014 selfies no Instagram e v\u00eddeos cantando no YouTube.  Ela queria se sentir querida e valorizada.<br \/>\nQuando n\u00e3o publicava o pr\u00f3prio conte\u00fado, ela passava horas no Instagram e no YouTube consumindo v\u00eddeos e fotos de outras pessoas.<br \/>\nEla come\u00e7ou a sair menos de casa e a ter dificuldade para interagir com outras pessoas presencialmente.<br \/>\nQuando tinha cerca de 10 anos, Kaley se lembra de ter os primeiros sentimentos de ansiedade e depress\u00e3o, transtornos que seriam diagnosticados anos depois por um profissional da sa\u00fade.<br \/>\nEla tamb\u00e9m come\u00e7ou a ficar obcecada com a apar\u00eancia f\u00edsica e passou a usar filtros do Instagram que alteravam o rosto e o corpo, em busca de um nariz menor, olhos maiores, maquiagem&#8230;<br \/>\nDesde ent\u00e3o, Kaley foi diagnosticada com dismorfia corporal, uma condi\u00e7\u00e3o em que as pessoas se preocupam excessivamente com a apar\u00eancia f\u00edsica e n\u00e3o se enxergam como os outros as veem.<br \/>\nQuestionada por seu advogado, Mark Lanier, se ela havia sofrido com esses sentimentos antes de estar nas redes sociais, Kaley relatou que &#8220;n\u00e3o, n\u00e3o sofria&#8221;.<br \/>\nPais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos \u00e0 morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles<br \/>\nDaniel Cole\/Reuters<br \/>\nUso problem\u00e1tico ou depend\u00eancia?<br \/>\nA Meta defende que os problemas de sa\u00fade mental de Kaley decorrem de sua vida pessoal e cria\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o podem ser atribu\u00eddos ao uso do Instagram.<br \/>\nAdam Mosseri, chefe do Instagram, testemunhou no tribunal que mesmo 16 horas de uso da rede social n\u00e3o pareceram a ele um v\u00edcio ou uma depend\u00eancia.<br \/>\nEm vez disso, Mosseri referiu-se a algu\u00e9m que passasse quase um dia inteiro nas redes sociais como algo &#8220;problem\u00e1tico&#8221;.<br \/>\nQuando Mark Zuckerberg testemunhou, ap\u00f3s ser escoltado para o tribunal cercado por quatro seguran\u00e7as pessoais, ele repetiu v\u00e1rias vezes que sua empresa sempre teve uma pol\u00edtica que proibia usu\u00e1rios menores de 13 anos.<br \/>\nQuestionado sobre v\u00e1rios documentos internos da empresa fornecidos como parte do processo, nos quais executivos da Meta discutiam os milh\u00f5es de crian\u00e7as que usam o Instagram e o Facebook, e at\u00e9 elogiavam e planejavam aumentar o uso entre crian\u00e7as, Zuckerberg pareceu ficar frustrado.<br \/>\nO CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, chega ao Tribunal de Los Angeles.<br \/>\nREUTERS\/Mike Blake<br \/>\n&#8220;N\u00e3o vejo por que isso \u00e9 t\u00e3o complicado&#8221;, disse o bilion\u00e1rio em um dado momento.<br \/>\n&#8220;Tem sido nossa pol\u00edtica consistente que eles [menores de 13 anos] n\u00e3o s\u00e3o permitidos e tentamos remov\u00ea-los. N\u00e3o somos perfeitos&#8221;, complementou ele.<br \/>\nOs advogados de Kaley pressionaram Zuckerberg sobre a alega\u00e7\u00e3o de que o \u00fanico objetivo da Meta era criar plataformas \u00fateis \u2014 algo que, segundo eles, naturalmente leva a um maior uso das redes sociais.<br \/>\nLanier disse que a depend\u00eancia tamb\u00e9m leva as pessoas a usarem algo com mais frequ\u00eancia, e Zuckerberg pareceu, por um momento, n\u00e3o saber o que dizer.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o sei o que dizer sobre isso&#8221;, disse o CEO da Meta.  &#8220;Acho que pode ser verdade, mas n\u00e3o sei se se aplica. Estou tentando construir um servi\u00e7o.&#8221;<br \/>\nO foco dos advogados de Kaley no v\u00edcio em redes sociais pode ser um argumento dif\u00edcil de sustentar, j\u00e1 que a condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe oficialmente nos manuais de Medicina.<br \/>\nQuando os advogados da Meta conversaram com uma terapeuta que havia tratado Kaley, ela admitiu nunca ter diagnosticado sua paciente com depend\u00eancia em redes sociais.<br \/>\nOs argumentos da Meta se concentraram principalmente na vida familiar de Kaley, e \u00e0s vezes fazem refer\u00eancia \u00e0s pr\u00f3prias postagens dela no Instagram, ao mostrar uma garota que lidava com pais inst\u00e1veis, cr\u00edticos de sua apar\u00eancia e, por vezes, abusivos emocional, verbal e fisicamente.<br \/>\nA principal quest\u00e3o levantada pela empresa perante o j\u00fari foi que os problemas de sa\u00fade mental de Kaley n\u00e3o s\u00e3o claramente causados \u200b\u200bpelo uso das redes sociais, e muitos outros fatores tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pela hist\u00f3ria de vida dela.<br \/>\nHoje, Kaley relata ter um relacionamento amoroso com a m\u00e3e e que trabalha enquanto segue os estudos.<br \/>\nEla ainda continua a usar as redes sociais \u2014 e at\u00e9 admitiu ao tribunal que estaria interessada em seguir uma carreira de gest\u00e3o de m\u00eddias sociais.<br \/>\nPor\u00e9m, quando perguntada se sua vida seria melhor se ela nunca tivesse usado plataformas como o Instagram, a resposta de Kaley foi curta: &#8220;Sim.&#8221;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos \u00e0 morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles Ethan Swope\/Getty Images\/AFP Kaley ficava no Instagram at\u00e9 pegar no sono. 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