{"id":67467,"date":"2026-03-30T05:08:47","date_gmt":"2026-03-30T08:08:47","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=67467"},"modified":"2026-03-30T05:08:47","modified_gmt":"2026-03-30T08:08:47","slug":"margem-da-palavra-promove-encontro-litero-musical-com-ana-e-marlui-miranda-no-mes-de-aniversario-da-bece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=67467","title":{"rendered":"Margem da Palavra promove encontro l\u00edtero-musical com Ana e Marlui Miranda no m\u00eas de anivers\u00e1rio da Bece"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: center\"><em>A\u00e7\u00e3o integrada entre CDMAC e Bece, programa Margem da Palavra acontece mensalmente no minianfiteatro do Drag\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Na segunda edi\u00e7\u00e3o do programa Margem da Palavra, o Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) e a Biblioteca P\u00fablica Estadual do Cear\u00e1 (Bece) trazem ao palco do minianfiteatro do Drag\u00e3o, pr\u00f3ximo dia 31 de mar\u00e7o, ter\u00e7a-feira, a romancista Ana Miranda e a musicista e pesquisadora Marlui Miranda, duas irm\u00e3s nascidas na Praia de Iracema, em Fortaleza, que correram mundo reverberando suas artes.<\/p>\n<p>Em uma conversa movida por ancestralidades, as irm\u00e3s v\u00e3o mostrar o caminho que percorreram entre o \u201cquarto m\u00e1gico\u201d da inf\u00e2ncia e a plenitude da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica: Marlui, na m\u00fasica ind\u00edgena; Ana, em sua literatura de ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Com uma voz que ecoa dos murm\u00farios da floresta, Marlui vai cantar; e Ana vai ler p\u00e1ginas do romance Yuxin, alma, ponto culminante do enlace entre as duas viv\u00eancias. A segunda edi\u00e7\u00e3o do programa Margem da Palavra integra a programa\u00e7\u00e3o do m\u00eas de anivers\u00e1rio da Biblioteca P\u00fablica Estadual do Cear\u00e1 \u2013 Bece, que comemora 159 anos.<\/p>\n<p>Em Yuxin, Ana Miranda inventa o mundo poss\u00edvel de uma jovem ind\u00edgena \u2013 uma \u201coutra\u201d brasileira. A a\u00e7\u00e3o do livro decorre em 1919, no interior das matas densas do Acre. Ao mesmo tempo em que experimenta os conflitos de seu pr\u00f3prio cotidiano, a protagonista vive na fronteira de um mundo externo assustador, que assedia sua cultura com padres catequizadores e brancos interessados nos ganhos que podem ser obtidos com a explora\u00e7\u00e3o da floresta \u2013 de que fazem parte, como elemento natural, os ind\u00edgenas com sua cultura.<\/p>\n<p>Ao fazer ecoar a fala da indiazinha Yuxin, Ana Miranda tamb\u00e9m se refere \u00e0 yuxin \u2013 substantivo de sentido complexo que se pode traduzir como \u201calma\u201d. Ou seja, por meio da linguagem-alma da indiazinha emerge a alma da floresta. A compositora e int\u00e9rprete Marlui Miranda traduziu Yuxin em m\u00fasica em seu CD YUXIN, Alma, composto e produzido especialmente para acompanhar o livro. Afetivo, \u00edntimo e mel\u00f3dico a um s\u00f3 tempo, o evento l\u00edtero-musical foi batizado pela pr\u00f3pria Ana Miranda: Duas irm\u00e3s, 500 anos de conversa.<\/p>\n<p>Quem media o encontro de Ana e Marlui Miranda \u00e9 a jornalista, escritora e pesquisadora Eleuda de Carvalho.<\/p>\n<h3>Margem da Palavra<\/h3>\n<p>O programa Margem da Palavra, a\u00e7\u00e3o integrada entre Centro Drag\u00e3o do Mar e Bece, prop\u00f5e encontros mensais em torno da literatura e da oralidade, unindo ditos e escritos como estrat\u00e9gia de amplia\u00e7\u00e3o das possibilidades de leitura do mundo, a partir da intersec\u00e7\u00e3o da palavra com outras linguagens. O encontro da cultura livresca com a tradi\u00e7\u00e3o oral se d\u00e1 mensalmente, no Minianfiteatro do Drag\u00e3o, justamente o espa\u00e7o localizado entre os dois equipamentos parceiros e vizinhos, uma \u201cterceira margem do rio\u201d de uso comum, esp\u00e9cie de \u00e1gora contempor\u00e2nea dedicada \u00e0 escuta e conflu\u00eancia de vozes.<\/p>\n<p>Com total abertura para arranjos diversos, o programa Margem da Palavra acolhe aulas p\u00fablicas, rodas de conversa, lan\u00e7amentos liter\u00e1rios, debates, performances e\/ou eventos l\u00edtero-musicais, ganhando forma a partir do alinhamento entre as equipes do CDMAC e da Bece, que definem os temas e as duplas convidadas. Assim, a palavra escrita ou falada atua como elo entre o simb\u00f3lico e o pol\u00edtico, o individual e o coletivo, estimulando reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre mem\u00f3ria, ancestralidade, territ\u00f3rio, resist\u00eancia e reinven\u00e7\u00e3o do cotidiano.<\/p>\n<p>\u201cA programa\u00e7\u00e3o acolhe nomes de diferentes campos dos saberes, da oralidade \u00e0 academia, da literatura \u00e0 composi\u00e7\u00e3o, das po\u00e9ticas \u00e0s visualidades, em encontros que colocam a palavra em movimento, atravessando corpos, sons, imagens e territ\u00f3rios. A parceria com a Bece \u00e9 especialmente importante para potencializarmos p\u00fablicos, repert\u00f3rios e redes, com a palavra atravessando o Drag\u00e3o do Mar e a Biblioteca, mas tamb\u00e9m avan\u00e7ando sobre outras margens e outros mundos\u201d, destaca Camila Rodrigues, superintendente do Centro Drag\u00e3o do Mar.<\/p>\n<p>\u201cA literatura e a palavra, em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es, ocupar\u00e3o a centralidade dos encontros, promovendo conex\u00f5es com outras linguagens art\u00edsticas, territ\u00f3rios e saberes diversos. O novo programa \u00e9 mais uma a\u00e7\u00e3o que fortalece a integra\u00e7\u00e3o da rede p\u00fablica de espa\u00e7os e equipamentos culturais do Estado do Cear\u00e1\u201d, refor\u00e7a Suzete Nunes, superintendente da Bece.<\/p>\n<h3>As convidadas<\/h3>\n<p><strong>Ana Miranda<\/strong><\/p>\n<p>Romancista de linguagem e fabula\u00e7\u00e3o, Ana Miranda nasceu em Fortaleza, Cear\u00e1, em 1951. Seu primeiro romance, Boca do Inferno (1989), foi vencedor do Jabuti de Revela\u00e7\u00e3o e inclu\u00eddo no c\u00e2non dos cem maiores livros em l\u00edngua portuguesa do s\u00e9culo XX (O Globo, 05\/09\/1998). Publicou mais de trinta livros, pela Companhia das Letras, Dantes, Record, Armaz\u00e9m da Cultura. Recebeu pr\u00eamios da Academia Brasileira de Letras (Dias &amp; Dias, 2003; e Musa Praguejadora, 2014); Jabutis em Romance (Dias &amp; Dias, 2003) e Biografia (Xica da Silva, a Cinderela Negra, 2017, segundo lugar); o trof\u00e9u Sereia de Ouro (2008); o Green Prize of the Americas (Yuxin, 2010); a comenda Ordem do M\u00e9rito Cultural do Governo Brasileiro (2017); o t\u00edtulo de Doutora Honoris Causa da UFC (2018), e outras honrarias. Foi escritora visitante em Stanford (1996 e 2014), Yale, Darthmouth, Tor Vergata (Roma); representou o Brasil na Uni\u00e3o Latina, em Roma e Paris, de 1999 a 2003. Sua obra \u00e9 tema de estudos em Literatura, Lingu\u00edstica, Hist\u00f3ria e Psicologia, no Brasil e no exterior. Seus livros foram traduzidos para cerca de vinte l\u00ednguas por tradutores como Giovanni Pontiero e publicados por algumas das melhores editoras, como a Harvill, na Inglaterra (1992), Viking Penguin nos Estados Unidos (1991), ou a Rizzoli na It\u00e1lia. O romance Desmundo (1996) ganhou vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica (2003) dirigida por Alain Fresnot. Depois de cerca de cinquenta anos morando no Rio, em Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo, Ana Miranda voltou a viver no Cear\u00e1, sua terra natal.<\/p>\n<p><strong>Marlui Miranda<\/strong><\/p>\n<p>Com doutorado em Musicologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA-USP), onde defendeu a tese \u201cO Novo Tradicional: Transporta\u00e7\u00f5es Sens\u00edveis das Musicalidades Ind\u00edgenas no Brasil\u201d, Marlui Miranda \u00e9 cantora, compositora e pesquisadora. Desde 1977 atua como int\u00e9rprete da m\u00fasica ind\u00edgena no Brasil, estudando suas tradi\u00e7\u00f5es e cultura musical. Apresentou-se, gravou e realizou tourn\u00e9es no Brasil e exterior com Nan\u00e1 Vasconcellos, Rodolfo Stroeter, Orquestra Jazz Sinf\u00f4nica, Orquestra Experimental de Repert\u00f3rio, Camerata Antiqua de Curitiba, Coral Sinf\u00f4nico do Estado, Manu Lafer, Caito Marcondes, Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Gilberto Gil, John Surman, Jack DeJohnette, entre outros. Criou trilhas para filmes brasileiros de longa-metragem, document\u00e1rios, ballet e pe\u00e7as de teatro. Recebeu o Pr\u00eamio Chico Mendes de Meio Ambiente (2005) e a medalha do M\u00e9rito Cultural do MINC \u2013 Minist\u00e9rio da Cultura (2002) pelo extenso trabalho em defesa da m\u00fasica dos povos ind\u00edgenas. Criou m\u00fasica incidental para o filme de Hector Babenco,\u201cBrincando nos Campos do Senhor\u201d e com Lelo Nazario a trilha do filme \u201cHans Staden\u201d, de Luiz Alberto Pereira, al\u00e9m da miniss\u00e9rie \u201cDi\u00e1rios da Floresta\u201d, de Luiz Arnaldo Dias Campos. Coleciona pr\u00eamios: melhor Trilha Sonora por Hans Staden \u2013 Festival de Cinema de Bras\u00edlia \u2013 1999; Melhor CD IHU \u201cTodos os Sons\u201d, na categoria World Music, pela Academia Alem\u00e3 de Cr\u00edtica (1996); Pr\u00eamio da Cooperativa Paulista de Teatro, em 2012, pelo projeto sonoro da pe\u00e7a teatral \u201cRecusa\u201d, da Cia. Balagan de Teatro. Organizou \u201cPonte entre Povos\u201d um livro com tre\u0302s CDs encartados, um documento que registrou o reperto\u0301rio dos Wayana, Apalai, Katxuyana, Tiriyo\u0301 e Palikur do Amapa\u0301. Gravou Yuxin\u2013Alma, uma releitura musical da obra litera\u0301ria de mesmo nome, de autoria de sua irma\u0303, a escritora Ana Miranda, lanc\u0327ado pela Companhia das Letras, Selo SESC (2009).O trabalho musical mais recente \u00e9 o CD \u201cFala de Bicho, Fala de Gente\u201d, com adapta\u00e7\u00f5es da m\u00fasica do povo Juruna Yudja, lan\u00e7ado pelo Selo SESC (2014). Recebeu da C\u00e2mara de Fortaleza a medalha Lauro Maia.<\/p>\n<p><strong>Eleuda de Carvalho (Media\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>Eleuda de Carvalho \u00e9 cearense de Jaguaruana, libriana, tem 66 anos e diz que l\u00ea quadrinhos antes de saber ler, ouvindo a m\u00e3e contar para os filhos. Jornalista, radialista, pesquisadora da cultura perif\u00e9rica, professora aposentada da UFT, Letras, em Aragua\u00edna. Alguns livros in\u00e9ditos: A primeira chuva dos cajus, poemas, 1983; Cordelim de novelas da Xerazade do sert\u00e3o \u2013 estudo sobre o Romance d\u2019A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna (disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, 1996, UFC); O Contestado na moldura do Juazeiro: uma teoria da tradi\u00e7\u00e3o em romance acidental (tese, 2012, UFSC). Algumas reportagens\/cadernos especiais O POVO (1997-2007): Caminhos do Conselheiro, 1997 \u2013 pr\u00eamio ACI; Brasil 500 s\u00e9culos (2000), indicado ao Esso; Especial Armorial \u201cAriano Suassuna, 60 anos de arte\u201d (2005) e Especial Padre C\u00edcero, 2004.<\/p>\n<p><strong>Margem da Palavra<\/strong><br \/>\nData: 31 de mar\u00e7o de 2026 (ter\u00e7a-feira)<br \/>\nHor\u00e1rio: 19h<br \/>\nLocal: Minianfiteatro do Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura (CDMAC)<br \/>\nConvidadas: Ana Miranda e Marlui Miranda<br \/>\nMedia\u00e7\u00e3o: Eleuda de Carvalho<br \/>\nEntrada gratuita \/ Acess\u00edvel em Libras<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.ceara.gov.br\/2026\/03\/29\/margem-da-palavra-promove-encontro-litero-musical-com-ana-e-marlui-miranda-no-mes-de-aniversario-da-bece-2\/\">Margem da Palavra promove encontro l\u00edtero-musical com Ana e Marlui Miranda no m\u00eas de anivers\u00e1rio da Bece<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.ceara.gov.br\/\">Governo do Estado do Cear\u00e1<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7\u00e3o integrada entre CDMAC e Bece, programa Margem da Palavra acontece mensalmente no minianfiteatro do Drag\u00e3o Na segunda edi\u00e7\u00e3o do programa Margem da Palavra, o Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) e a Biblioteca P\u00fablica Estadual do Cear\u00e1 (Bece) trazem ao palco do minianfiteatro do Drag\u00e3o, pr\u00f3ximo dia 31 de mar\u00e7o, ter\u00e7a-feira, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":265,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[127,130],"class_list":{"0":"post-67467","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-regiao","7":"tag-cariri","8":"tag-ceara"},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/67467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/265"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=67467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/67467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=67467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=67467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=67467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}