{"id":67519,"date":"2026-03-31T06:01:29","date_gmt":"2026-03-31T09:01:29","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=67519"},"modified":"2026-03-31T06:01:29","modified_gmt":"2026-03-31T09:01:29","slug":"por-que-o-sono-fica-mais-superficial-a-medida-que-envelhecemos-e-como-isso-afeta-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=67519","title":{"rendered":"Por que o sono fica mais superficial \u00e0 medida que envelhecemos, e como isso afeta a sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/S_ksiojfIjZma3fCEUw6ddQrppc=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/x\/4\/WP31OMQlACHLV3F64ECg\/adobestock-464353813-1-.jpeg\"><br \/>     Sono fica mais superficial \u00e0 medida que envelhecemos.<br \/>\nAdobe Stock<br \/>\nCom o passar dos anos, \u00e9 normal perceber que nosso sono muda. Dormimos menos horas, acordamos mais vezes durante a noite e temos mais dificuldade para pegar no sono. Na verdade, existe uma ideia generalizada de que os idosos precisam de menos descanso noturno.<br \/>\nMas as evid\u00eancias cient\u00edficas sugerem que o problema n\u00e3o \u00e9 uma menor necessidade, mas uma menor capacidade de gerar um sono profundo e cont\u00ednuo. O c\u00e9rebro envelhecido continua precisando descansar, mas tem mais dificuldade para faz\u00ea-lo bem. Ele continua \u201cdormindo\u201d, mas de forma mais superficial. \u00c9 como se o interruptor que mant\u00e9m o sono est\u00e1vel perdesse firmeza com o passar do tempo.<br \/>\nVEJA TAMB\u00c9M:<br \/>\nVoc\u00ea dorme bem? Por que o sono pode ser aliado (ou vil\u00e3o) do cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nO que ocorre no c\u00e9rebro<br \/>\nUm dos principais fatores para o pior descanso com o avan\u00e7o da idade \u00e9 a perda de estabilidade do sistema que regula o sono e a vig\u00edlia. No c\u00e9rebro jovem, esse sistema funciona como um interruptor firme: ou estamos acordados ou estamos dormindo.<br \/>\n\u00c0 medida que envelhecemos, alguns neur\u00f4nios respons\u00e1veis por promover e manter o sono v\u00e3o se perdendo, e outros que sustentam a vig\u00edlia tamb\u00e9m se enfraquecem. Como consequ\u00eancia, o c\u00e9rebro muda de estado com maior facilidade, o que favorece um sono mais leve e fragmentado.<br \/>\nA isso se soma o envelhecimento do rel\u00f3gio biol\u00f3gico. O n\u00facleo supraquiasm\u00e1tico, um grupo de neur\u00f4nios que coordena os ritmos circadianos de todo o organismo, continua funcionando, mas o dia se torna mais curto e seu \u201cfim\u201d se antecipa. Al\u00e9m disso, seu sinal se torna menos intenso.<br \/>\nIsso faz com que os idosos tendam a adormecer e acordar mais cedo, e explica por que o sono noturno \u00e9 menos consolidado e mais sens\u00edvel a est\u00edmulos externos, ao mesmo tempo em que aumenta a sonol\u00eancia durante o dia. O c\u00e9rebro recebe um sinal menos claro de quando deve dormir e quando deve permanecer acordado.<br \/>\nLEIA MAIS:<br \/>\nSete em cada dez adolescentes dormem mal; celular \u00e0 noite \u00e9 o maior desafio, diz m\u00e9dico<br \/>\nL\u00e2mpada LED fria suprime at\u00e9 8 vezes mais melatonina que incandescente; modelo ajust\u00e1vel reduz impacto<br \/>\nOutra mudan\u00e7a importante afeta a chamada press\u00e3o do sono, que se acumula ao longo do dia e nos leva a dormir \u00e0 noite, e que depende em parte de uma subst\u00e2ncia conhecida como adenosina. Com o envelhecimento, o c\u00e9rebro continua acumulando cansa\u00e7o, mas responde pior a esse sinal. Embora a necessidade de dormir continue existindo, \u00e9 mais dif\u00edcil traduzi-la em um sono profundo e cont\u00ednuo.<br \/>\nAl\u00e9m disso, esse sono profundo, fundamental para a recupera\u00e7\u00e3o cerebral, tamb\u00e9m \u00e9 diretamente afetado pelas mudan\u00e7as estruturais do c\u00e9rebro. Essa fase do sono \u00e9 gerada principalmente nas regi\u00f5es frontais, que com a idade perdem espessura e conex\u00f5es.<br \/>\nComo resultado, as ondas cerebrais lentas que caracterizam o sono profundo tornam-se mais fracas e menos frequentes \u2014 especialmente no in\u00edcio da noite \u2014, quando antes eram mais abundantes.<br \/>\nDurante o sono, o c\u00e9rebro tamb\u00e9m emite sinais breves que ajudam a consolidar as mem\u00f3rias do dia. Com o envelhecimento, esses sinais diminuem e se coordenam pior com o sono profundo. Isso contribui para que a aprendizagem e a mem\u00f3ria se tornem menos eficientes, mesmo em idosos saud\u00e1veis.<br \/>\nPor fim, o envelhecimento afeta as conex\u00f5es que permitem que as diferentes regi\u00f5es do c\u00e9rebro trabalhem de forma sincronizada durante a noite. Embora os neur\u00f4nios que geram o sono continuem presentes, seus sinais se propagam com menos efic\u00e1cia. O resultado \u00e9 um sono menos profundo, mais fragmentado e menos reparador.<br \/>\n\u00c9 importante destacar que, embora o sono do idoso saud\u00e1vel seja mais fr\u00e1gil, essas mudan\u00e7as n\u00e3o implicam necessariamente em problemas cognitivos, mas s\u00e3o consideradas parte natural do envelhecimento fisiol\u00f3gico do c\u00e9rebro.<br \/>\nNem tudo \u00e9 biologia<br \/>\nA essas mudan\u00e7as biol\u00f3gicas somam-se fatores n\u00e3o estritamente cerebrais que influenciam de forma decisiva o sono do idoso e que, muitas vezes, interagem com os mecanismos neurobiol\u00f3gicos j\u00e1 descritos. A perda de rotinas di\u00e1rias, como hor\u00e1rios de trabalho regulares, atividade f\u00edsica estruturada ou exposi\u00e7\u00e3o constante \u00e0 luz natural, enfraquece os sinais externos que ajudam a sincronizar o rel\u00f3gio biol\u00f3gico, ampliando a fragmenta\u00e7\u00e3o do sono.<br \/>\nNesta fase da vida, s\u00e3o mais frequentes dist\u00farbios do sono como a ins\u00f4nia e a apneia obstrutiva do sono, que v\u00e3o fragment\u00e1-lo. Ao mesmo tempo, uma maior incid\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como dor persistente, doen\u00e7as cardiovasculares ou respirat\u00f3rias e dist\u00farbios do humor, provoca despertares noturnos adicionais e reduz a continuidade do descanso.<br \/>\nA isso se soma o uso frequente de medicamentos que, embora necess\u00e1rios, podem alterar a arquitetura do sono: desde hipn\u00f3ticos e ansiol\u00edticos que modificam o sono profundo, at\u00e9 antidepressivos, betabloqueadores ou diur\u00e9ticos que interferem no in\u00edcio, na estabilidade ou na continuidade do sono.<br \/>\nEm conjunto, esses fatores atuam como moduladores que, por si s\u00f3s, n\u00e3o explicam o envelhecimento do sono, mas podem intensific\u00e1-lo e torn\u00e1-lo clinicamente relevante quando se sobrep\u00f5em a um c\u00e9rebro j\u00e1 mais vulner\u00e1vel.<br \/>\nQuando o sono deixa de ser \u201cnormal\u201d: deteriora\u00e7\u00e3o cognitiva e dem\u00eancia<br \/>\nNos \u00faltimos anos, tem-se acumulado evid\u00eancias crescentes sobre os efeitos nocivos da priva\u00e7\u00e3o do sono e dos dist\u00farbios do sono na sa\u00fade cerebral. Dormir mal n\u00e3o est\u00e1 associado apenas a um pior desempenho cognitivo a curto prazo, mas tamb\u00e9m a um maior risco de deteriora\u00e7\u00e3o cognitiva e dem\u00eancia a longo prazo.<br \/>\nEsse interesse crescente colocou em foco o sono dos idosos, uma fase da vida em que o descanso muda de forma quase universal. Mas um dos maiores desafios atuais \u00e9 tra\u00e7ar uma linha clara entre as altera\u00e7\u00f5es do sono que fazem parte do envelhecimento normal, sem consequ\u00eancias f\u00edsicas ou mentais negativas, e aquelas que podem constituir uma manifesta\u00e7\u00e3o precoce de processos neurodegenerativos ainda subcl\u00ednicos.<br \/>\nDiante de uma pessoa que, com a idade, come\u00e7a a perceber uma piora nas caracter\u00edsticas do seu sono (mais despertares, sono mais superficial, etc.), n\u00e3o existem biomarcadores que permitam determinar se essas s\u00e3o mudan\u00e7as normais e esperadas com a idade ou se, de fato, trata-se de uma manifesta\u00e7\u00e3o de processos neurodegenerativos.<br \/>\nEmbora seja normal que o sono se torne mais leve com a idade, algumas altera\u00e7\u00f5es v\u00e3o al\u00e9m do esperado e podem indicar um envelhecimento cerebral n\u00e3o saud\u00e1vel.<br \/>\nUm dos principais sinais de alerta \u00e9 uma fragmenta\u00e7\u00e3o acentuada e progressiva do sono, com m\u00faltiplos despertares noturnos prolongados e uma sensa\u00e7\u00e3o persistente de descanso n\u00e3o reparador, mesmo quando o tempo total na cama \u00e9 adequado. Ao contr\u00e1rio do envelhecimento normal, nesses casos o sono perde estabilidade e continuidade.<br \/>\nOutro sinal relevante \u00e9 o aparecimento ou o agravamento r\u00e1pido da sonol\u00eancia diurna excessiva, especialmente quando interfere nas atividades cotidianas ou surge de forma desproporcional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s horas dormidas. Esse padr\u00e3o sugere uma perda da capacidade do sono de cumprir sua fun\u00e7\u00e3o restauradora.<br \/>\nComo fazer a higiene do sono? Veja quais s\u00e3o os maiores inimigos de uma noite restauradora<br \/>\nDo ponto de vista neurocognitivo, \u00e9 especialmente preocupante a coexist\u00eancia de dist\u00farbios do sono com altera\u00e7\u00f5es cognitivas sutis, como dificuldades recentes de mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o ou aprendizagem, mesmo que ainda n\u00e3o atendam aos crit\u00e9rios de deteriora\u00e7\u00e3o cognitiva. Estudos indicam que essa combina\u00e7\u00e3o pode refletir processos neurodegenerativos incipientes.<br \/>\nTamb\u00e9m s\u00e3o considerados sinais de alarme altera\u00e7\u00f5es qualitativas do sono, mais do que seu simples encurtamento: desaparecimento quase completo do sono profundo, redu\u00e7\u00e3o clara do sono REM ou uma invers\u00e3o progressiva do ritmo sono-vig\u00edlia, com maior atividade noturna e sonol\u00eancia diurna. Esses padr\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o t\u00edpicos do envelhecimento saud\u00e1vel.<br \/>\nPor fim, merece aten\u00e7\u00e3o a necessidade crescente de uso de hipn\u00f3ticos ou sedativos para dormir, bem como a perda brusca de efic\u00e1cia de tratamentos que antes funcionavam. Nesses casos, o problema geralmente n\u00e3o \u00e9 apenas de ins\u00f4nia, mas de uma altera\u00e7\u00e3o subjacente dos mecanismos cerebrais do sono.<br \/>\nTodos esses sinais, por si s\u00f3s, n\u00e3o permitem diagnosticar uma doen\u00e7a neurodegenerativa, mas indicam a conveni\u00eancia de avaliar o sono como um poss\u00edvel marcador precoce de risco, especialmente quando as mudan\u00e7as s\u00e3o recentes, progressivas e associadas a altera\u00e7\u00f5es cognitivas.<br \/>\n*Elena Urrestarazu Bolumburu \u00e9 consultora cl\u00ednico no Servi\u00e7o de Neurofisiologia Cl\u00ednica na Unidade de Sono da Universidade de Navarra.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sono fica mais superficial \u00e0 medida que envelhecemos. Adobe Stock Com o passar dos anos, \u00e9 normal perceber que nosso sono muda. Dormimos menos horas, acordamos mais vezes durante a noite e temos mais dificuldade para pegar no sono. Na verdade, existe uma ideia generalizada de que os idosos precisam de menos descanso noturno. Mas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":261,"featured_media":67520,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[156],"class_list":{"0":"post-67519","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-saude"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/adobestock-464353813-1--scaled.jpeg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/67519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/261"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=67519"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/67519\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/67520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=67519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=67519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=67519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}