{"id":67579,"date":"2026-04-01T06:01:21","date_gmt":"2026-04-01T09:01:21","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=67579"},"modified":"2026-04-01T06:01:21","modified_gmt":"2026-04-01T09:01:21","slug":"mentira-compulsiva-existe-o-que-a-ciencia-ja-sabe-sobre-a-mitomania-e-por-que-ela-vai-alem-de-mentir-demais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=67579","title":{"rendered":"Mentira compulsiva existe? O que a ci\u00eancia j\u00e1 sabe sobre a mitomania e por que ela vai al\u00e9m de \u2018mentir demais\u2019"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/h7wNc2HuoNFbuDZRL7ZP4DZDfmo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/B\/b\/ebb0GsSASL9bcVAcj3cw\/adobestock-221824975.jpeg\"><br \/>     Mentira: at\u00e9 que ponto \u00e9 saud\u00e1vel?<br \/>\nAdobeStock<br \/>\nA maioria das pessoas mente pouco ou nada no dia a dia \u2014e um grupo pequeno concentra grande parte das mentiras. \u00c9 o que mostram estudos sobre comportamento humano, como o levantamento conduzido por pesquisadores da Texas Woman\u2019s University e da Angelo State University, publicado na revista Current Psychology.<br \/>\nEm parte desses casos, por\u00e9m, a mentira deixa de ser pontual e passa a ser frequente, persistente e dif\u00edcil de controlar \u2014um padr\u00e3o que especialistas descrevem como mentira compulsiva (ou mitomania).<br \/>\nEmbora o termo seja conhecido h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, ele n\u00e3o aparece como um diagn\u00f3stico formal nos principais manuais de psiquiatria. Ainda assim, a literatura cient\u00edfica e a pr\u00e1tica cl\u00ednica reconhecem o fen\u00f4meno como um comportamento que pode causar sofrimento psicol\u00f3gico e preju\u00edzos nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<br \/>\nMentira comum x compulsiva: qual a diferen\u00e7a<br \/>\nA principal diferen\u00e7a entre mentir ocasionalmente e apresentar um padr\u00e3o patol\u00f3gico est\u00e1 na inten\u00e7\u00e3o e no controle sobre o comportamento.<br \/>\nSegundo o psicanalista Christian Dunker, professor titular em psican\u00e1lise e psicopatologia do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, a mentira comum \u00e9 um ato dirigido.<br \/>\n\u201cA mentira presume um desejo de enganar o outro, uma intencionalidade. Ela \u00e9 contextual, tem um objetivo claro\u201d, afirma.<br \/>\nJ\u00e1 na mentira compulsiva, esse controle se perde.<br \/>\n\u201cA ideia de uma patologia da mentira implica uma esp\u00e9cie de coer\u00e7\u00e3o. A pessoa n\u00e3o consegue n\u00e3o mentir\u201d, explica Dunker.<br \/>\nNesse caso, a mentira deixa de ser estrat\u00e9gica e passa a ocorrer de forma repetitiva, muitas vezes sem ganho evidente.<br \/>\nA psic\u00f3loga cl\u00ednica Marilene Kehdi explica que, enquanto a mentira comum costuma ter um objetivo \u2014como evitar puni\u00e7\u00e3o ou obter vantagem\u2014, a mitomania \u00e9 marcada por mentiras frequentes e desnecess\u00e1rias, muitas vezes sem benef\u00edcio claro.<\/p>\n<p>Freepik<br \/>\nQuando a mentira vira um problema<br \/>\nA ci\u00eancia ainda n\u00e3o reconhece a mitomania como um transtorno isolado. Mesmo assim, estudos recentes v\u00eam tentando caracterizar melhor o comportamento.<br \/>\nUma das propostas mais aceitas \u00e9 que a mentira patol\u00f3gica envolve um padr\u00e3o cr\u00f4nico, persistente e generalizado, associado a sofrimento psicol\u00f3gico e preju\u00edzo no funcionamento social \u2014crit\u00e9rios semelhantes aos usados para definir outros transtornos mentais.<br \/>\nPesquisas tamb\u00e9m mostram que o comportamento segue um padr\u00e3o ao longo da vida: mentir \u00e9 mais comum na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, quando est\u00e1 ligado ao desenvolvimento cognitivo e social, e tende a diminuir na vida adulta.<br \/>\nQuando essa redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece \u2014ou quando a pessoa mant\u00e9m n\u00edveis elevados de mentira ao longo do tempo\u2014, o padr\u00e3o passa a ser considerado at\u00edpico e pode indicar maior risco de problemas futuros.<br \/>\nUm estudo longitudinal publicado no Journal of Adolescence aponta que cerca de 5% das pessoas mant\u00eam n\u00edveis elevados de mentira ao longo da adolesc\u00eancia at\u00e9 a vida adulta \u2014grupo associado a maior impulsividade, comportamento manipulador e risco aumentado de envolvimento com crimes e uso de subst\u00e2ncias.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a mentira compulsiva frequentemente aparece associada a outros transtornos mentais, como os de personalidade (incluindo narcisista, borderline e antissocial) e tamb\u00e9m a quadros de ansiedade e depress\u00e3o.<br \/>\nPor que algumas pessoas mentem compulsivamente<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica causa para a mitomania. O comportamento costuma ser resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores psicol\u00f3gicos, sociais e biol\u00f3gicos.<br \/>\nBaixa autoestima, necessidade intensa de aten\u00e7\u00e3o e dificuldade em lidar com frustra\u00e7\u00f5es est\u00e3o entre os fatores mais citados. Estudos tamb\u00e9m indicam que caracter\u00edsticas como impulsividade e busca por recompensa podem refor\u00e7ar o h\u00e1bito de mentir, especialmente quando a mentira gera algum ganho imediato, como aten\u00e7\u00e3o ou al\u00edvio emocional.<br \/>\nNa leitura psicanal\u00edtica, a mentira pode funcionar como uma forma de sustentar uma identidade.<br \/>\n\u201cA mentira \u00e9 uma vers\u00e3o das nossas fantasias, daquilo que gostar\u00edamos de ser. Ela pode virar uma fic\u00e7\u00e3o que domina o pr\u00f3prio sujeito\u201d, afirma Dunker.<br \/>\nEm alguns casos, a pessoa passa a construir uma narrativa sobre si mesma, como se fosse um personagem.<br \/>\n\u201cH\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o sujeito vai inventando uma narrativa imagin\u00e1ria, criando um personagem para si\u201d, diz o psicanalista.<br \/>\nA fronteira entre verdade e inven\u00e7\u00e3o<br \/>\nUm dos aspectos mais complexos da mentira compulsiva \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com a realidade.<br \/>\nDiferentemente de quadros delirantes, em que h\u00e1 perda de contato com o real, o mentiroso compulsivo geralmente sabe que est\u00e1 mentindo. Mas essa fronteira pode se tornar difusa com o tempo.<br \/>\n\u201cExiste uma zona em que fato, cren\u00e7a e fantasia se misturam. \u00c0s vezes, o pr\u00f3prio sujeito passa a duvidar do que \u00e9 verdade\u201d, explica Dunker.<br \/>\nA repeti\u00e7\u00e3o constante das hist\u00f3rias pode tornar dif\u00edcil distinguir o que foi inventado do que aconteceu de fato.<\/p>\n<p>Freepik<br \/>\nImpactos na vida pessoal e social<br \/>\nOs preju\u00edzos v\u00e3o al\u00e9m de ser desmascarado.<br \/>\nPessoas com padr\u00e3o compulsivo de mentira tendem a enfrentar perda de credibilidade, rompimento de v\u00ednculos e isolamento social, al\u00e9m de maior risco de ansiedade e depress\u00e3o.<br \/>\nEm situa\u00e7\u00f5es mais extremas, o comportamento pode levar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cvida paralela\u201d, sustentada por uma rede de hist\u00f3rias.<br \/>\n\u201cO sujeito vai passando de uma mentira para outra e constr\u00f3i uma rede inteira, \u00e0s vezes uma vida paralela\u201d, afirma Dunker.<br \/>\nTem tratamento?<br \/>\nSim, mas ele depende de avalia\u00e7\u00e3o individual.<br \/>\nComo a mitomania costuma estar associada a outros transtornos, o tratamento envolve acompanhamento psicol\u00f3gico e, em alguns casos, psiqui\u00e1trico.<br \/>\nO diagn\u00f3stico tamb\u00e9m exige cuidado, j\u00e1 que \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar a mentira ocasional de um padr\u00e3o compulsivo e persistente.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mentira: at\u00e9 que ponto \u00e9 saud\u00e1vel? 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