{"id":68784,"date":"2026-04-27T06:04:07","date_gmt":"2026-04-27T09:04:07","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=68784"},"modified":"2026-04-27T06:04:07","modified_gmt":"2026-04-27T09:04:07","slug":"maioria-dos-homens-e-toxica-estudo-internacional-diz-que-nao-especialistas-avaliam-se-resultado-vale-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=68784","title":{"rendered":"Maioria dos homens \u00e9 t\u00f3xica? Estudo internacional diz que n\u00e3o; especialistas avaliam se resultado vale para o Brasil"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/Lo1V5Dem07Wp4mSsQAnOfFYuWx4=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/v\/M\/GJjyV2Th2WlplBUkLq5g\/57a7644d-c293-4612-9fac-933308e7084b.jpg\"><br \/>     A maioria dos homens \u00e9 t\u00f3xica?<br \/>\nA maioria dos homens \u00e9 realmente &#8220;t\u00f3xica&#8221;? Um estudo da Universidade de Auckland, na Nova Zel\u00e2ndia, com mais de 15 mil participantes, diz que n\u00e3o. A pesquisa revelou que 89,2% dos homens apresentam n\u00edveis baixos ou moderados de tra\u00e7os problem\u00e1ticos.<br \/>\n&#x27a1;&#xfe0f; O termo \u201chomem t\u00f3xico\u201d se popularizou e se tornou parte do vocabul\u00e1rio popular. Nas redes sociais, milhares de v\u00eddeos com essa tag trazem conte\u00fados que explicam sinais que podem indicar que um homem tem uma inclina\u00e7\u00e3o a ser machista, mis\u00f3gino ou violento.<br \/>\nA ci\u00eancia j\u00e1 vinha tentando entender o que \u00e9 o homem t\u00f3xico, e uma pesquisa apontou uma checklist que poderia colocar ou retirar homens dessa \u201ccategoria\u201d. Agora, pesquisadores entrevistaram mais de 15 mil homens para entender: a maioria \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 t\u00f3xica?<br \/>\n&#x27a1;&#xfe0f; Diferente do que muitos poderiam imaginar, a pesquisa aponta que n\u00e3o. Na verdade, a maioria dos homens entrevistados estava fora dessa categoria.<br \/>\nA pesquisa vem sendo replicada nas redes sociais, mas o que especialistas ouvidos pelo g1 explicam \u00e9 que os dados s\u00e3o importantes, mas \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o o abismo social entre a Nova Zel\u00e2ndia, onde o estudo foi feito, e o Brasil.<br \/>\nAqui, o pa\u00eds vem batendo recordes de viol\u00eancia contra a mulher, e a maioria dos homens acha que h\u00e1 muita cobran\u00e7a sobre eles para a igualdade entre os g\u00eaneros.<br \/>\nO tema &#8216;homem t\u00f3xico&#8217; \u00e9 usado como tag nas redes sociais em v\u00eddeos que descrevem comportamentos machistas e mis\u00f3genos<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\nHomens n\u00e3o s\u00e3o t\u00f3xicos?<br \/>\nA pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Auckland, na Nova Zel\u00e2ndia, analisou diferentes dimens\u00f5es de atitudes associadas \u00e0 masculinidade \u2014 incluindo agressividade, controle emocional, vis\u00f5es sobre mulheres e normas de g\u00eanero. A partir disso, os participantes foram divididos em cinco perfis.<br \/>\nO que eles descobriram:<br \/>\nO perfil \u201cat\u00f3xico\u201d, que n\u00e3o tem nenhum tra\u00e7o t\u00f3xico, representava o maior grupo. Cerca de 35% dos homens da pesquisa estavam nele e apresentavam os menores n\u00edveis de comportamentos considerados problem\u00e1ticos.<br \/>\nO grupo mais extremo, denominado \u201ct\u00f3xico hostil\u201d, teve os menores \u00edndices, representando apenas 3,2% dos entrevistados.<br \/>\nPara identificar o grupo mais problem\u00e1tico, os pesquisadores analisaram respostas ligadas a oito indicadores. Os homens classificados como \u201chostis\u201d se destacaram por combinar pontua\u00e7\u00f5es altas em temas como:<br \/>\ncren\u00e7a de que mulheres buscam controlar os homens;<br \/>\nvaloriza\u00e7\u00e3o da agressividade e da domina\u00e7\u00e3o;<br \/>\ndificuldade extrema de expressar vulnerabilidade;<br \/>\nrejei\u00e7\u00e3o a tra\u00e7os considerados femininos e maior preconceito;<br \/>\ntend\u00eancia a comportamentos de controle em rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas;<br \/>\nbaixa capacidade de lidar com emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cDizer que homens s\u00e3o t\u00f3xicos \u00e9 uma forma solta de avaliar o momento que estamos vivendo. Se queremos uma mudan\u00e7a de comportamento, n\u00e3o tenho certeza se usar o termo como se usa, de forma ampla, como um r\u00f3tulo para os homens, seja \u00fatil\u201d, explica Deborah Hill Cone, autora do estudo.<br \/>\nEntre os dois extremos encontrados na pesquisa, ficaram perfis considerados intermedi\u00e1rios, com homens que podem apresentar algum n\u00edvel de sexismo ou vis\u00f5es tradicionais de g\u00eanero, mas sem tra\u00e7os de hostilidade ou agressividade elevada.<br \/>\nForam eles:<br \/>\nModerados Tolerantes a LGBT (27,2%): N\u00edveis baixos a moderados de tra\u00e7os tradicionais, mas com alta aceita\u00e7\u00e3o da diversidade.<br \/>\nModerados Anti-LGBT (26,6%): Perfil semelhante ao anterior, por\u00e9m com maior preconceito sexual. Ainda assim, com poucos tra\u00e7os de agressividade relacionada.<br \/>\nT\u00f3xicos Benevolentes (7,6%): Homens que apresentam um sexismo &#8220;paternalista&#8221;, acreditando que as mulheres devem ser protegidas e se manter em pap\u00e9is sociais restritos. Ainda assim, com pouco \u00edndice de agressividade.<br \/>\nIsso vale para o Brasil?<br \/>\nO que Hill e a pesquisadora brasileira sobre g\u00eanero e doutora em psicologia Ana Maria Bercht explicam \u00e9 que n\u00e3o.<br \/>\n&#x27a1;&#xfe0f;  A ideia da pesquisa \u00e9 ter um norte, mas \u00e9 preciso entender que existe um abismo social entre o Brasil e a Nova Zel\u00e2ndia.<br \/>\nO pa\u00eds est\u00e1 nas primeiras posi\u00e7\u00f5es de rankings mundiais de paridade de g\u00eanero, enquanto o Brasil segue na 70\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n imposs\u00edvel que esses dados sejam aplicados ao Brasil, que tem a viol\u00eancia contra mulheres vivida como uma epidemia. O resultado da Nova Zel\u00e2ndia reflete uma trajet\u00f3ria de pol\u00edticas p\u00fablicas que colocaram as mulheres em p\u00e9 de igualdade com os homens no pa\u00eds. Hoje, l\u00e1, elas s\u00e3o vistas como pessoas individuais, e n\u00e3o como algu\u00e9m que deve ser submissa a seus maridos.<br \/>\nHill, autora do estudo, refor\u00e7a que a pesquisa traz uma an\u00e1lise importante sobre o qu\u00e3o distorcidas podem ser essas \u201cetiquetas sociais\u201d criadas, mas que isso precisa ser analisado levando em conta o cen\u00e1rio do pa\u00eds.<br \/>\n\u201cPodem existir diferen\u00e7as transculturais significativas se a pesquisa fosse replicada em outro contexto cultural, como o caso do Brasil\u201d, diz.<br \/>\nE por que o cen\u00e1rio no Brasil \u00e9 t\u00e3o diferente?<br \/>\nPara os especialistas, essa \u00e9 uma quest\u00e3o cultural, em que, no Brasil, a mulher ainda \u00e9 vista como um anexo do homem, e n\u00e3o em sua individualidade.<br \/>\nPara Bercht, isso tem rela\u00e7\u00e3o com mudan\u00e7as sociais tardias: No Brasil, tem menos de 100 anos que a mulher tem o direito ao voto, a ser eleita e ao trabalho formal. Isso tudo s\u00f3 aconteceu no pa\u00eds nos anos 30. E foi s\u00f3 nos anos 70 que a mulher recebeu o direito de se divorciar.<br \/>\nPara que um homem entenda uma mulher como pessoa, ele precisa v\u00ea-la nos mesmos espa\u00e7os que ele, com o mesmo poder de decis\u00e3o, pautando as discuss\u00f5es. Isso demorou para nos ser permitido no Brasil e ainda est\u00e1 longe de ser equilibrado. As mulheres ainda ganham menos no mercado e n\u00e3o somos nem mesmo a metade dos que nos representam nas esferas de poder.<br \/>\n\u00c9 a partir desse hist\u00f3rico que a mulher \u00e9 vista na sociedade. E, ainda que algumas dessas conquistas tenham quase 100 anos, dados recentes refor\u00e7am essa percep\u00e7\u00e3o de que o Brasil ainda caminha a passos lentos na igualdade de g\u00eanero.<br \/>\nUma pesquisa feita  pela Ipsos em parceria com o Instituto Global de Lideran\u00e7a Feminina do King&#8217;s College London mostra que no pa\u00eds:<br \/>\n70% dos brasileiros sentem que est\u00e1 sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade (a m\u00e9dia global \u00e9 de 46%).<br \/>\n21% concordam que a mulher deve obedecer ao marido.<br \/>\n16% dos homens acreditam que cuidar dos filhos torna o homem &#8220;menos masculino&#8221;.<br \/>\nPara Hill e Bercht esse contexto que traduz a viol\u00eancia quase epid\u00eamica que mulheres vem sofrendo no pa\u00eds e que ainda n\u00e3o afastam uma parcela importante dos homens de uma postura de viol\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Vivemos uma viol\u00eancia quase epid\u00eamica contra mulheres. Ainda n\u00e3o somos vistas no pa\u00eds de forma individual e livres.  Muitos homens brasileiros sequer entendem a viol\u00eancia como tal. Pesquisas recentes mostram que autores de viol\u00eancia dom\u00e9stica, mesmo ap\u00f3s serem condenados, justificam seus atos culpando a v\u00edtima ou o ci\u00fame, demonstrando uma forte desresponsabiliza\u00e7\u00e3o masculina&#8221;, explica Bercht.<br \/>\nA misoginia n\u00e3o passa batido nem mesmo nas redes sociais. Ela se reflete nas trends recentes, que trazem dicas de como homens devem tratar mulheres, com conte\u00fados mis\u00f3ginos que acumulam milh\u00f5es de seguidores. Al\u00e9m da incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia.<br \/>\nRecentemente, o Senado aprovou o projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo e prev\u00ea penas maiores para crimes de \u00f3dio contra mulheres. A vota\u00e7\u00e3o na Casa foi un\u00e2nime, mas o consenso encontrou resist\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados, onde parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o fazem cr\u00edticas e prometem trabalhar para barrar o avan\u00e7o do projeto. Por\u00e9m, at\u00e9 agora, o projeto n\u00e3o saiu do papel.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos homens \u00e9 t\u00f3xica? A maioria dos homens \u00e9 realmente &#8220;t\u00f3xica&#8221;? Um estudo da Universidade de Auckland, na Nova Zel\u00e2ndia, com mais de 15 mil participantes, diz que n\u00e3o. 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