{"id":68806,"date":"2026-04-27T18:03:23","date_gmt":"2026-04-27T21:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=68806"},"modified":"2026-04-27T18:03:23","modified_gmt":"2026-04-27T21:03:23","slug":"a-arma-secreta-do-novo-recordista-mundial-da-maratona-para-correr-abaixo-de-2-horas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=68806","title":{"rendered":"A arma secreta do novo recordista mundial da maratona para correr abaixo de 2 horas"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/QGYAlY9ELQgEMuz0h_N3ea1JHEY=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/2\/q\/B6Z7lQQSaOhraGjgQfqw\/sawe.png\"><br \/>     O momento da vit\u00f3ria &#8211; e do recorde &#8211; de Sabastian Sawe<br \/>\nAFP via Getty Images\/BBC Brasil<br \/>\nSabastian Sawe fez hist\u00f3ria na hist\u00f3ria da maratona ao se tornar o primeiro atleta a correr oficialmente a prova abaixo de duas horas durante uma competi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO queniano de 30 anos cruzou a linha de chegada para vencer em 1:59:30 \u2013 isso \u00e9 mais de um minuto mais r\u00e1pido que o recorde anterior de Kelvin Kiptum, de 2:00:35, estabelecido em 2023. Kiptum morreu em 2024 em um acidente de carro aos 24 anos.<br \/>\nEliud Kipchoge, tamb\u00e9m do Qu\u00eania, tornou-se o primeiro homem a correr uma maratona em menos de duas horas em 2019, mas o feito n\u00e3o era eleg\u00edvel para recorde, pois foi realizado sob condi\u00e7\u00f5es controladas e n\u00e3o em uma prova competitiva.<br \/>\nDe forma extraordin\u00e1ria, o et\u00edope Yomif Kejelcha, que terminou em segundo lugar, atr\u00e1s de Sawe em Londres, tamb\u00e9m registrou um tempo abaixo de duas horas (1:59:41).<br \/>\nV\u00eddeos em alta no g1<br \/>\nNo mesmo evento, a et\u00edope Tigst Assefa melhorou seu pr\u00f3prio recorde mundial na prova feminina ao cruzar a linha em 2:15:41.<br \/>\nEnt\u00e3o, como os atletas do leste da \u00c1frica em geral \u2013 e do Qu\u00eania e da Eti\u00f3pia em particular \u2013 passaram a dominar a elite das corridas de longa dist\u00e2ncia?<br \/>\nSawe se tornou o primeiro ser humano a correr oficialmente uma maratona abaixo de duas horas<br \/>\nAFP via Getty Images\/BBC Brasil<br \/>\nCorrendo nas altitudes do leste da \u00c1frica<br \/>\nComo em muitos outros esportes, as corridas de longa dist\u00e2ncia se beneficiaram de melhorias nos regimes de treinamento, nutri\u00e7\u00e3o e equipamentos \u2014 marcadamente os t\u00eanis mais leves e de alta tecnologia que t\u00eam sido associados a desempenhos mais r\u00e1pidos nos \u00faltimos sete anos.<br \/>\nO recorde mundial masculino de maratona, por exemplo, caiu mais de quatro minutos nos \u00faltimos 20 anos, e uma taxa similar se v\u00ea tamb\u00e9m entre as mulheres.<br \/>\nMas h\u00e1 poucos esportes em que o dom\u00ednio do topo pertence a poucos pa\u00edses de uma mesma regi\u00e3o.<br \/>\nNos \u00faltimos cinco Jogos Ol\u00edmpicos, atletas quenianos e et\u00edopes venceram a maioria das medalhas em provas de corrida a partir dos 800m.<br \/>\nNa maratona masculina, apenas dois dos 20 tempos mais r\u00e1pidos de todos os tempos n\u00e3o foram registrados por um corredor queniano ou et\u00edope \u2014 na maratona feminina, 18 das 20 corredoras mais r\u00e1pidas tamb\u00e9m s\u00e3o desses dois pa\u00edses.<br \/>\nUm fator crucial na equa\u00e7\u00e3o vencedora est\u00e1 ligado a uma regi\u00e3o montanhosa no leste da \u00c1frica conhecida como Vale do Rift. A maioria dos corredores de elite tanto do Qu\u00eania quanto da Eti\u00f3pia \u00e9 origin\u00e1ria de l\u00e1.<br \/>\nEstudos cient\u00edficos mostraram que corredores que vivem em cidades e vilarejos situados bem acima do n\u00edvel do mar \u2014 especialmente os nascidos l\u00e1 \u2014 desenvolvem cora\u00e7\u00f5es e pulm\u00f5es mais fortes ao treinar regularmente em grandes altitudes e com n\u00edveis mais baixos de oxig\u00eanio.<br \/>\nIsso, \u00e9 claro, n\u00e3o \u00e9 uma garantia de sucesso. H\u00e1 pa\u00edses com pessoas vivendo em grandes altitudes, como Nepal e Bol\u00edvia, que n\u00e3o conseguiram alcan\u00e7ar o mesmo impacto no cen\u00e1rio global. O que parece realmente diferenciar os quenianos e et\u00edopes \u00e9 tamb\u00e9m como a corrida est\u00e1 enraizada na vida cotidiana desses pa\u00edses h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA maioria dos corredores quenianos e et\u00edopes do presente e do passado que tiveram sucesso \u00e9 origin\u00e1ria da regi\u00e3o montanhosa do Vale do Rift<br \/>\nAFP\/via BBC<br \/>\nCultura e objetivos<br \/>\nA urbaniza\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou consideravelmente na \u00c1frica desde os dias em que o lend\u00e1rio corredor et\u00edope Haile Gebreselassie era crian\u00e7a e a norma era percorrer longas dist\u00e2ncias a p\u00e9. Mas correr pelas ruas continua sendo culturalmente relevante na Eti\u00f3pia e no Qu\u00eania.<br \/>\nMarc Roig, ex-corredor de elite espanhol que viveu e trabalhou no Qu\u00eania por v\u00e1rios anos, conta que teve que &#8220;baixar a bola&#8221; quando falava com pessoas da regi\u00e3o sobre os tempos que marcava em uma corrida.<br \/>\n&#8220;Eu n\u00e3o digo mais l\u00e1 que sou um corredor&#8221;, brinca Roig.<br \/>\nO espanhol supervisiona atualmente um projeto de desenvolvimento de talentos na cidade de Iten, cerca de 260 km ao norte da capital Nair\u00f3bi e a 2.400 metros acima do n\u00edvel do mar. Iten \u00e9 conhecida localmente como &#8220;o lar dos campe\u00f5es&#8221;, pois \u00e9 o ber\u00e7o de muitos corredores quenianos de elite do presente e do passado, incluindo medalhistas ol\u00edmpicos.<br \/>\nTer lendas por perto e v\u00ea-las percorrer as ruas como meros mortais, diz Roig, ajuda os mais jovens a vislumbrar uma carreira no atletismo. E o mesmo vale para a perspectiva de ganhar dinheiro com isso em um pa\u00eds e em um continente onde a pobreza ainda \u00e9 um problema, especialmente nas \u00e1reas rurais.<br \/>\n&#8220;Assim como crian\u00e7as mais pobres no Brasil e na Argentina sonham com uma carreira no futebol, os quenianos veem no atletismo uma chance de ganhar a vida, e s\u00e3o inspirados por ter tantos modelos por perto&#8221;, argumenta Roig.<br \/>\nBrasileiro \u00e9 chamado de &#8216;her\u00f3i da Maratona de Boston&#8217; ao carregar corredor nos EUA<br \/>\nAbaixo de 2 horas: j\u00e1 aconteceu<br \/>\nPesquise &#8220;maratona de 2 horas&#8221; no Google e voc\u00ea encontrar\u00e1 a not\u00edcia de que o bicampe\u00e3o ol\u00edmpico da maratona Eliud Kipchoge conseguiu percorrer a dist\u00e2ncia em 1:59:40 em 2019, em um evento especialmente organizado em Viena.<br \/>\nEle j\u00e1 tinha feito uma tentativa anterior promovida pela gigante americana de artigos esportivos Nike dois anos antes, em um circuito de F\u00f3rmula 1 na cidade italiana de Monza, mas n\u00e3o conseguiu.<br \/>\nNo entanto, nenhum desses tempos \u00e9 reconhecido pela World Athletics, o \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo do atletismo, porque foram obtidos em condi\u00e7\u00f5es fora de uma competi\u00e7\u00e3o normal. Kipchoge, por exemplo, foi ajudado por um grupo de corredores de elite que se revezavam para ditar o ritmo e corriam ao seu lado, exercendo um efeito de &#8220;puxar&#8221; o desempenho.<br \/>\nO queniano at\u00e9 contou com entregas de bebidas por bicicletas, em vez de usar os tradicionais pontos fixos ao longo do percurso como acontece em corridas regulares.<br \/>\nKipchoge n\u00e3o pareceu incomodado com o asterisco ao lado de sua marca, especialmente depois de ter recebido, segundo relatos, uma quantia na casa do milh\u00e3o pelo feito, assim como Andrew Jones, o cientista esportivo brit\u00e2nico que trabalhou com o queniano em ambos os projetos.<br \/>\n&#8220;Pessoalmente, n\u00e3o me importo se a marca n\u00e3o \u00e9 oficial. Todos os envolvidos com o esporte queriam saber se correr abaixo de duas horas era poss\u00edvel, e provamos que era&#8221;, disse o acad\u00eamico da Universidade de Exeter \u00e0 BBC.<br \/>\n&#8220;Mesmo com o ambiente controlado, Kipchoge ainda precisou de uma performance extraordin\u00e1ria para que aquele tempo fosse alcan\u00e7ado.&#8221;<br \/>\nUm castigo para o corpo<br \/>\nDizer que os tempos de maratona de elite n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de alcan\u00e7ar \u00e9 um eufemismo. Kiptum, por exemplo, cortou as ruas de Chicago em 2023 a um ritmo m\u00e9dio de aproximadamente de 2 minutos e 51 segundos por quil\u00f4metro. De acordo com os dados mais recentes da World Athletics (2019), o ritmo m\u00e9dio global do corredor amador masculino de maratona \u00e9 de 6 minutos e 43 segundos por quil\u00f4metro.<br \/>\nIsso n\u00e3o ocorre sem s\u00e9rios danos ao corpo, mesmo para um profissional, explica Jones. &#8220;\u00c9 uma longa dist\u00e2ncia a ser percorrida em alta intensidade; o corpo sofre um castigo independentemente do n\u00edvel do corredor. E h\u00e1 tamb\u00e9m uma carga mental.&#8221;<br \/>\nO desgaste sofrido por m\u00fasculos, ossos e articula\u00e7\u00f5es, aliado ao treinamento extenuante \u2014 no qual os atletas correm no m\u00ednimo 160 km por semana \u2014 explica por que corredores de elite n\u00e3o podem participar de mais do que algumas corridas por ano.<br \/>\nSawe foi uma &#8216;surpresa do Vale do Rift&#8217;?<br \/>\nEmbora Kipchoge fosse um candidato \u00f3bvio para uma corrida abaixo de duas horas, especialistas que falaram com a BBC anteriormente n\u00e3o haviam descartado outra &#8220;surpresa do Vale do Rift&#8221; como Kiptum, que estabeleceu o recorde mundial em 2023 em sua terceira corrida.<br \/>\n&#8220;Esse corredor pode j\u00e1 estar l\u00e1 no Vale do Rift, pois h\u00e1 tantos corredores talentosos por l\u00e1 que ainda n\u00e3o conhecemos&#8221;, disse \u00e0 BBC em 2024 o comentarista de atletismo queniano e ex-corredor Martin Keino.<br \/>\nE Sawe certamente fez isso: a corrida em Londres foi apenas a quarta corrida na carreira de maratona do atleta de 31 anos, que tamb\u00e9m nasceu no Vale do Rift.<br \/>\nMas os sinais j\u00e1 estavam l\u00e1: Sawe havia vencido suas tr\u00eas corridas anteriores, mas n\u00e3o em menos de duas horas.<br \/>\nAs mulheres j\u00e1 quebraram a barreira?<br \/>\nFoi somente na d\u00e9cada de 1970 que as corredoras foram autorizadas a competir nas principais corridas de rua, como a Maratona de Nova York, e somente na d\u00e9cada de 1980 a participar das Olimp\u00edadas e de campeonatos mundiais.<br \/>\n\u00c9 justo dizer que elas n\u00e3o olharam para tr\u00e1s. O tempo mais r\u00e1pido caiu de 2 horas e 55 minutos para a marca de 2 horas e 17 minutos entre 1971 e 2002, antes de ser pulverizado pela queniana Brigid Kosei na Maratona de Chicago de 2019 (2:14:04). Esse recorde foi ent\u00e3o superado nas ruas de Berlim em setembro de 2023 por Tigist Assefa (2:11:53) \u2014 a corrida na capital alem\u00e3 contou com homens e mulheres correndo juntos.<br \/>\nDe fato, um estudo de 2015 realizado por cientistas esportivos americanos afirmou que as mulheres j\u00e1 alcan\u00e7aram sua equivalente marca &#8220;imposs\u00edvel&#8221; em 2003, quando a brit\u00e2nica Paula Radcliffe correu a Maratona de Londres em 2:15:25.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O momento da vit\u00f3ria &#8211; e do recorde &#8211; de Sabastian Sawe AFP via Getty Images\/BBC Brasil Sabastian Sawe fez hist\u00f3ria na hist\u00f3ria da maratona ao se tornar o primeiro atleta a correr oficialmente a prova abaixo de duas horas durante uma competi\u00e7\u00e3o. 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