{"id":68895,"date":"2026-04-29T12:01:21","date_gmt":"2026-04-29T15:01:21","guid":{"rendered":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=68895"},"modified":"2026-04-29T12:01:21","modified_gmt":"2026-04-29T15:01:21","slug":"nao-foi-so-pao-e-mel-recorde-na-maratona-envolveu-intestino-treinado-para-absorver-alto-volume-de-carboidratos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crajubaremacao.com.br\/?p=68895","title":{"rendered":"N\u00e3o foi s\u00f3 p\u00e3o e mel: recorde na maratona envolveu intestino treinado para absorver alto volume de carboidratos"},"content":{"rendered":"<div><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/8PCXTt-TCb1G9F9dsV9RYjedVDM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/0\/l\/3CrooNRMyemPlvtcljdQ\/montagem-horizontal-1200px.jpg\"><br \/>     N\u00e3o foi s\u00f3 p\u00e3o e mel: recorde na maratona envolveu intestino treinado para absorver alto volume de carboidratos<br \/>\nREUTERS\/Matthew Childs \/ Adobe Stock<br \/>\nO queniano Sebastian Sawe entrou para a hist\u00f3ria ao completar a Maratona de Londres em 1h59min30s, tornando-se o primeiro a correr 42 km em menos de duas horas em uma prova oficial. O que chamou aten\u00e7\u00e3o foi a refei\u00e7\u00e3o pr\u00e9-largada: duas fatias de p\u00e3o, mel e ch\u00e1. Mas isso, isoladamente, n\u00e3o explica o feito.<br \/>\nPor tr\u00e1s do recorde, houve uma estrat\u00e9gia nutricional sofisticada, baseada em alto consumo de carboidratos antes e durante a prova, uso de tecnologias para melhorar a absor\u00e7\u00e3o intestinal, suplementa\u00e7\u00e3o planejada ao longo do percurso e at\u00e9 um t\u00eanis de 97 gramas com placa de carbono.<br \/>\nDurante a corrida, Sawe ingeriu cerca de 230 gramas de carboidratos \u2014 valor bem acima das recomenda\u00e7\u00f5es tradicionais. A reposi\u00e7\u00e3o foi feita a cada 5 km, com g\u00e9is, bebidas, cafe\u00edna e um hidrogel desenvolvido para facilitar a absor\u00e7\u00e3o sem causar desconforto gastrointestinal.<br \/>\nNos dias anteriores, ele j\u00e1 vinha consumindo bebidas ricas em carboidratos para maximizar os estoques de glicog\u00eanio. Antes da largada, ingeriu bicarbonato. Tamb\u00e9m tomou um gel energ\u00e9tico antes de come\u00e7ar e outro com cafe\u00edna na metade do percurso.<br \/>\nO pr\u00f3prio acompanhamento cient\u00edfico do atleta mostrou, por meio de rastreamento com carbono-13 na respira\u00e7\u00e3o, que ele chegou a utilizar quase 100 gramas de carboidrato por hora por volta do km 30 \u2014 um limite considerado pr\u00f3ximo do m\u00e1ximo que o corpo humano consegue sustentar hoje.<br \/>\nV\u00eddeos em alta no g1<br \/>\nO que realmente sustenta quase duas horas nesse ritmo<br \/>\nNutricionistas explicaram ao g1 que o p\u00e3o e o mel funcionam porque s\u00e3o carboidratos simples, de r\u00e1pida absor\u00e7\u00e3o, que evitam desconfortos g\u00e1stricos. Mas isso s\u00f3 \u00e9 suficiente porque o atleta j\u00e1 largou com os estoques cheios.<br \/>\nUm maratonista de elite pode ter entre 400 g e 800 g de glicog\u00eanio armazenados entre m\u00fasculos e f\u00edgado. Esse estoque \u00e9 resultado da alimenta\u00e7\u00e3o dos dias anteriores e n\u00e3o da refei\u00e7\u00e3o leve da manh\u00e3, explica o nutricionista Eduardo Reis, membro do departamento cient\u00edfico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutri\u00e7\u00e3o Esportiva (ABNE).<br \/>\nDurante a prova, a ingest\u00e3o cont\u00ednua de carboidratos \u00e9 decisiva para manter a glicose no sangue, retardar a fadiga e poupar parte do glicog\u00eanio muscular.<br \/>\nEspecialistas destacam que, sem essa combina\u00e7\u00e3o &#8211; de estoques elevados e ingest\u00e3o durante a corrida &#8211; uma refei\u00e7\u00e3o leve isolada aumentaria o risco de quebra.<br \/>\nSegundo o Reis, a estrat\u00e9gia adotada por Sawe prioriza o esvaziamento g\u00e1strico eficiente aliado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da glicemia.<br \/>\n\u201cPara um atleta que corre a quase 21 km\/h, o conforto gastrointestinal \u00e9 t\u00e3o importante quanto a energia dispon\u00edvel\u201d, afirma.<br \/>\nQuando ocorre a quebra<br \/>\nA chamada quebra n\u00e3o tem um quil\u00f4metro exato. Ela surge da combina\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o acentuada do glicog\u00eanio; dificuldade de manter a glicose no sangue, desidrata\u00e7\u00e3o, aumento da temperatura corporal e fadiga neuromuscular, explica a doutora em Ci\u00eancias Nutricionais e Metabolismo pela Unicamp, Heloisa Castanheira Santo Andr\u00e9.<br \/>\nA estrat\u00e9gia de Sawe foi desenhada justamente para impedir que esses fatores se acumulassem.<br \/>\nO risco de queda de energia existe quando a refei\u00e7\u00e3o leve \u00e9 a \u00fanica estrat\u00e9gia e n\u00e3o h\u00e1 preparo adequado.<br \/>\nNo caso de atletas de elite, esse risco \u00e9 menor por dois fatores principais:<br \/>\nefici\u00eancia metab\u00f3lica, que permite maior uso de gordura como fonte de energia;<br \/>\nsuplementa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua durante a prova, com ingest\u00e3o de g\u00e9is e bebidas.<br \/>\n\u201cUm corredor que chega \u00e0 prova com baixos estoques de glicog\u00eanio, que n\u00e3o se alimentou bem nos dias anteriores ou que n\u00e3o consome carboidrato durante a corrida pode ter queda de rendimento. Mas, no caso de um atleta de elite, essa refei\u00e7\u00e3o leve \u00e9 combinada com uma prepara\u00e7\u00e3o nutricional anterior e com ingest\u00e3o planejada de carboidratos durante a prova\u201d, destaca Santo Andr\u00e9.<br \/>\nPor que carboidratos simples s\u00e3o centrais na estrat\u00e9gia<br \/>\nP\u00e3o e mel aparecem na hist\u00f3ria porque representam uma combina\u00e7\u00e3o eficiente de glicose e frutose, que usam transportadores diferentes no intestino e aumentam a capacidade de absor\u00e7\u00e3o de energia. Mas, na pr\u00e1tica, alimentos como arroz, banana, mingau, bebidas esportivas e g\u00e9is cumprem o mesmo papel.<br \/>\nO ponto central n\u00e3o \u00e9 o alimento em si, mas a capacidade do corpo de absorver grandes quantidades de carboidrato sem sofrer com o intestino, algo que exige adapta\u00e7\u00e3o durante os treinos, destaca Santo Andr\u00e9.<br \/>\n\u201cO p\u00e3o fornece glicose e o mel oferece glicose e frutose. Essa combina\u00e7\u00e3o utiliza diferentes transportadores no intestino, o que maximiza a absor\u00e7\u00e3o de energia sem sobrecarregar o sistema digestivo\u201d, acrescenta Reis.<br \/>\nTecnologia e fisiologia entram na conta<br \/>\nO desempenho tamb\u00e9m contou com fatores que v\u00e3o al\u00e9m da nutri\u00e7\u00e3o:<br \/>\nt\u00eanis ultraleve com placa de carbono, da linha Pro Evo da Adidas, com 97 g;<br \/>\nuso de hidrogel para melhorar a absor\u00e7\u00e3o intestinal;<br \/>\ncontrole antidoping rigoroso com testes surpresa a cada tr\u00eas dias;<br \/>\ncaracter\u00edsticas f\u00edsicas que reduzem o gasto energ\u00e9tico, como pernas longas e panturrilhas finas;<br \/>\neconomia de corrida t\u00edpica de atletas quenianos, que podem gastar at\u00e9 20% menos energia por quil\u00f4metro.<br \/>\nEssa efici\u00eancia faz com que eles usem menos glicog\u00eanio por minuto e consigam transformar melhor o carboidrato ingerido em energia \u00fatil.<br \/>\nQuanto carboidrato \u00e9 necess\u00e1rio<br \/>\nN\u00e3o existe um valor \u00fanico, mas recomenda\u00e7\u00f5es gerais indicam:<br \/>\n1 a 2 horas: cerca de 30 g por hora<br \/>\n2 a 3 horas: cerca de 60 g por hora<br \/>\nmais de 3 horas: cerca de 90 g por hora<br \/>\nSawe ultrapassou esses valores, chegando perto de 100 g por hora em parte da prova \u2014 algo poss\u00edvel apenas com treino intestinal, mistura de glicose e frutose e tecnologia de absor\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO que a hist\u00f3ria realmente mostra<br \/>\nA refei\u00e7\u00e3o leve antes da largada n\u00e3o foi o segredo. Ela foi apenas a etapa final de uma engrenagem que envolveu:<br \/>\nnutri\u00e7\u00e3o planejada por dias,<br \/>\nestoques m\u00e1ximos de glicog\u00eanio,<br \/>\ningest\u00e3o cont\u00ednua de carboidratos,<br \/>\ntecnologia para absor\u00e7\u00e3o,<br \/>\nsuplementa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica,<br \/>\neconomia biomec\u00e2nica e equipamento de ponta.<br \/>\nSem esse conjunto, p\u00e3o e mel seriam apenas p\u00e3o e mel.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M:<br \/>\nO que comer para viver mais: os alimentos mais estudados pela ci\u00eancia ligados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 maior longevidade<br \/>\nDe quanta prote\u00edna e fibra por dia voc\u00ea precisa? Entenda o c\u00e1lculo que ajuda a ter refei\u00e7\u00f5es que &#8216;matam&#8217; a fome<br \/>\nCrepioca x p\u00e3o franc\u00eas com ovo: qual \u00e9 mais saud\u00e1vel no caf\u00e9 da manh\u00e3?<br \/>\nMingau de aveia sem a\u00e7\u00facar pode salvar seu caf\u00e9 da manh\u00e3; veja receita para j\u00e1 se cansou de p\u00e3o com ovo<br \/>\nPr\u00f3polis, mel, gengibre, lim\u00e3o e c\u00farcuma: o que a ci\u00eancia diz sobre os benef\u00edcios desses alimentos<br \/>\nCaf\u00e9 com leite faz bem? Veja a propor\u00e7\u00e3o ideal e quem deve evitar<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi s\u00f3 p\u00e3o e mel: recorde na maratona envolveu intestino treinado para absorver alto volume de carboidratos REUTERS\/Matthew Childs \/ Adobe Stock O queniano Sebastian Sawe entrou para a hist\u00f3ria ao completar a Maratona de Londres em 1h59min30s, tornando-se o primeiro a correr 42 km em menos de duas horas em uma prova oficial. 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