
Marca na cabeça de Lula foi causada por cauterização, diz Planalto
Uma marca no couro cabeludo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a atenção nesta quarta-feira (11), durante cerimônia no Palácio do Planalto. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, Lula passou, no domingo (8), por um procedimento simples de cauterização para tratar uma queratose — condição dermatológica geralmente associada à exposição excessiva ao sol e caracterizada pelo acúmulo de pele.
O procedimento durou pouco mais de um minuto e foi realizado em uma clínica dermatológica em São Paulo.
A queratose é um termo usado para descrever alterações da pele marcadas pelo acúmulo de queratina, proteína que compõe a camada mais externa do tecido cutâneo. Dependendo do tipo, as lesões podem surgir como áreas ásperas, descamativas ou espessadas, especialmente em regiões mais expostas ao sol, como rosto, orelhas e couro cabeludo.
Entre os tipos de queratose estão:
Actínica (solar): lesões ásperas, avermelhadas ou acastanhadas, comuns em áreas expostas ao sol (rosto, couro cabeludo, mãos);
Seborreica: placas ou verrugas benignas, geralmente marrons ou pretas, com aspecto “colado” na pele;
Liquenoide: lesão cutânea inflamatória e benigna, geralmente vista como uma alteração isolada na pele;
Pilar: pequenas bolinhas ásperas em braços, coxas ou bochechas.
Lula aparece com mancha na cabeça após procedimento para retirar acúmulo de pele
Mateus Bonomi/Reuters
Cauterização dura poucos minutos e é feita no consultório
A cauterização para tratar a queratose é um procedimento simples, feito em consultório, geralmente com anestesia local. O objetivo é destruir uma lesão que é mais superficial na pele por meio de calor, que pode ser gerado por eletrocautério ou outro método físico. Segundo Maciel, no couro cabeludo isso é bastante comum para tratar lesões benignas ou até mesmo pré-malignas.
“É um procedimento rápido que costuma durar poucos minutos. Não exige internação e permite que o paciente retome suas atividades praticamente no mesmo dia”, acrescenta a médica.
Queratose actínica é considerada lesão pré-maligna
A queratose actínica é uma lesão causada pelo dano acumulado da radiação ultravioleta ao longo dos anos. Ela se manifesta como uma área áspera, descamativa, e às vezes avermelhada, ou até mesmo acastanhada, que parece uma casquinha persistente na pele, explica a dermatologista Maria Augusta Maciel, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
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“Ela é considerada uma lesão pré-maligna porque pode evoluir para o carcinoma espinocelular se não for tratada. Por isso, quando identificamos, indicamos tratamento, que pode ser através de cauterização, crioterapia, laser ou outros tratamentos tópicos, dependendo do caso”, explica a médica.
A especialista acrescenta que a queratose actínica é extremamente comum, especialmente em países com alta exposição solar, como no Brasil. Ela é mais frequente a partir dos 50 anos e pode acometer uma parcela significativa da população idosa.
Em pessoas de pele clara, com histórico de exposição solar crônica, como quem trabalhou ao ar livre, a prevalência é bastante alta. Por isso, esta não é uma condição rara e nem incomum.
‘A queratose actínica faz parte do dia a dia do consultório dermatológico. O mais importante é o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular, porque tratar cedo evita a evolução para o câncer de pele”, destaca Maciel.
Couro cabeludo costuma ser mais acometido pela queratose actínica
O couro cabeludo é uma área muito acometida pela condição, especialmente em homens com rarefação capilar, justamente pela maior exposição solar ao longo da vida.








