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Crajubar em Ação > Blog > Politica > Lula deve perder chances de apoio do MDB após filiação de Ramuth, dizem aliados
Politica

Lula deve perder chances de apoio do MDB após filiação de Ramuth, dizem aliados

Jovem Pan
Ultima atualização: 2026/03/29 at 12:02 AM
Por Jovem Pan
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A filiação do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, ao MDB tem repercussões para além da troca partidária. A articulação, com participação direta de Tarcísio de Freitas (Republicanos), leva para o núcleo do governo um partido hoje cortejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforça a intenção do governador de controlar sua sucessão no estado, disputada por PL e PSD.

Na avaliação de emedebistas de São Paulo ouvidos pelo Estadão, ao levar o MDB para a vice no principal colégio eleitoral do país, Tarcísio praticamente enterrou as chances de o partido compor nacionalmente com Lula, e a sigla deve adotar uma posição de neutralidade.

Em 2022, após anos no PSDB, Ramuth se filiou ao PSD com o plano de disputar o governo de São Paulo, mas abriu mão da candidatura para compor como vice de Tarcísio. A decisão fez parte de uma aposta ousada de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, para pôr fim à hegemonia tucana de quase 30 anos no estado. Deu certo e a chapa saiu vitoriosa.

Ao longo do governo, Ramuth ganhou espaço e passou a ser visto como um vice leal, se tornando mais próximo do governador do que do próprio Kassab. Com a eleição no horizonte, Tarcísio passou a defender junto a aliados sua permanência na chapa à reeleição.

O movimento colidiu com os planos de Kassab, que trabalhava para ocupar a vaga de vice e, a partir dela, se viabilizar como sucessor estadual. Segundo aliados, Kassab não esconde que seu projeto pessoal é chegar ao governo de São Paulo – e sendo vice de um governador em segundo mandato, aumentaria suas chances.

A estratégia remete a 2004, quando, então deputado federal pelo PFL, Kassab articulou para ser vice de José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Serra resistia ao seu nome, mas cedeu à pressão partidária. A manobra levou Kassab ao comando da capital paulista e abriu caminho para estruturar o PSD, que em 2024 se tornou o partido com o maior número de prefeituras no País, desbancando o MDB.

Kassab entende que, por ter sido o responsável pela indicação de Ramuth, o correligionário deveria abrir caminho para que ele próprio ocupasse a vaga nesta eleição, contam fontes do Palácio dos Bandeirantes. No entanto, como Ramuth se mostrou disposto a continuar no páreo, Kassab decidiu que era melhor correr o risco de não ter o partido na chapa majoritária do que mantê-lo na legenda.

O impasse, que no governo tratam como uma divergência pessoal, que não afeta a relação de Kassab e Tarcísio, levou ao rompimento entre os dois nesta semana, e Ramuth passou a buscar outra legenda para viabilizar sua continuidade na chapa.

Filiação de Ramuth ao MDB

A escolha do MDB, contou com o aval e a participação de Tarcísio. Segundo aliados, o governador entendeu que seria o momento de trazer o partido para mais próximo de sua gestão. Até então, o MDB não ocupava nenhum cargo no primeiro escalão da gestão estadual.

Em vídeo no qual anuncia a troca partidária, Ramuth diz que a “política é dinâmica” e exige “principalmente clareza de rumo”. “Com serenidade e senso de responsabilidade, eu decidi seguir um novo caminho, sempre alinhado ao projeto liderado pelo governador Tarcísio”, afirmou o vice-governador paulista.

Na eleição municipal, Tarcísio já havia se aproximado de lideranças do MDB – além do próprio prefeito da capital, Ricardo Nunes, do presidente nacional da sigla, deputado federal Baleia Rossi (SP). Sua atuação na campanha do MDB foi considerada decisiva para a vitória de Nunes.

Na avaliação de integrantes do MDB paulista e também do governo, a chegada de Ramuth tem peso simbólico e, por isso, enterra as chances de uma aliança do partido com Lula este ano.

Há ainda a leitura de que, ao patrocinar a ida de Ramuth ao MDB, o governador envia um recado político: quer manter controle sobre a escolha do vice e, por consequência, de sua sucessão. Além do PSD, o PL tenta emplacar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, na vaga.

Se reeleito, Tarcísio estará em seu segundo mandato, e o vice passa a ser visto como potencial sucessor natural – como foi com Geraldo Alckmin, então vice de Mário Covas. Por isso, segundo interlocutores, o governador quer escolher alguém de sua confiança, e não um indicado de partido com quem tenha de negociar mais adiante.

Embora Tarcísio sinalize a aliados que a tendência é manter Felício Ramuth como vice, a decisão ainda não está “escrita em pedra”, segundo interlocutores do governador, e a confirmação deve ficar para mais perto do calendário eleitoral.

*Estadão Conteúdo

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