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Crajubar em Ação > Blog > Saúde > ‘Eliminar no grito’: cientistas usam ultrassom para ‘estourar’ vírus da gripe e podem inaugurar novo tipo de tratamento
Saúde

‘Eliminar no grito’: cientistas usam ultrassom para ‘estourar’ vírus da gripe e podem inaugurar novo tipo de tratamento

g1
Ultima atualização: 2026/04/21 at 6:03 AM
Por g1
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Sequência de imagens mostra o efeito do ultrassom na eliminação dos vírus.
Scientific Reports
O ultrassom, tão utilizado no dia a dia para fazer exames de rotina, pode também ser uma alternativa para destruir vírus responsáveis por infecções como gripe e Covid-19.
Isso é o que descobriu um grupo de pesquisadores da USP em um novo estudo publicado na revista científica “Scientific Reports”.
➡️O método, chamado de ressonância acústica, provoca alterações estruturais nas partículas virais até sua ruptura e inativação.
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Odemir Martinez Bruno, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP e coordenador do estudo, brinca que a técnica é como “eliminar o vírus no grito”.
Ele explica que a forma mais simples de ilustrar esse fenômeno de ressonância é o exemplo de quebrar uma taça de cristal com um violino.
“O violino produz um som que vibra na mesma frequência da taça e ela quebra”, exemplifica.
Ele pondera que, apesar do princípio ser o mesmo, o processo no vírus não é tão simples de entender como no caso da taça. Isso porque o vírus é muito menor do que a onda acústica, o que na teoria impediria essa interação.
“O fenômeno é totalmente geométrico. Partículas esféricas, como muitos vírus envelopados, absorvem melhor a energia das ondas de ultrassom. É esse acúmulo de energia no interior da partícula que causa as alterações na estrutura do envelope do vírus até a sua ruptura”, detalha.
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No estudo, o grupo observou que a energia das ondas sonoras provoca uma mudança nas partículas do vírus, a ponto de gerar uma explosão.
“Várias partes do vírus são afetadas. Ele pode ser atacado por completo e ser totalmente fragmentado, ficar em partes ou apenas ter a forma alterada e ser inativado. […] No trabalho publicado, mostramos o exemplo de fragmentação total e parcial, conhecida como efeito pipoca”, detalha o pesquisador.
De acordo com os pesquisadores, a descoberta é promissora e pode abrir caminho para um novo tipo de tratamento contra infecções virais.
Combate inovador contra vírus
A destruição ou degradação da estrutura do vírus por meio do ultrassom, testada na pesquisa, surge como uma nova técnica de combate a infecções.
Na pesquisa, foram utilizados os vírus da Covid-19 e o H1N1, vírus da gripe. Mas a equipe já realiza testes in vitro com outros tipos de doença, como dengue, chikungunya e zika.
Odemir detalha que o grupo ainda estuda como controlar a onda para diferentes tipos de danos aos distintos tipos de vírus. Mas a técnica surge como uma alternativa a métodos de combate a doenças virais.
“Os tratamentos contra vírus usam fármacos, ou seja, partem de um fenômeno químico. Esta pesquisa abre uma nova perspectiva para o tratamento de infecções, uma vez que estamos usando mecanismos físicos ao invés dos químicos”, compara.
O mecanismo é completamente diferente do habitual para a medicina combater doenças e, sendo assim, tem um potencial enorme para a saúde humana.
Próximos passos
A pesquisa foi realizada com vírus in vitro, ou seja, fora de um organismo vivo, em ambiente controlado, mas já com todo suporto para terapia e com regulamentação de ondas para uso em humanos.
O professor pondera que o grupo ainda está estudando mais a fundo o fenômeno e ainda há muita parte teórica para ser compreendida.
Apesar disso, já há avanços para a fase de organoides, isto é, com testes em células humanas cultivadas em laboratório.
“Após a fase de experimentos com organoides humanos em laboratório, a pesquisa poderá seguir para modelos animais, bem como para testes clínicos humanos”, projeta.
Um ponto extremamente positiva é que as ondas utilizadas já foram aprovadas pelos órgãos internacionais de saúde e não são nocivas as células humanas.
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